sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Noel e Noemï


O Natal lá de casa tem um quê especial. Além de reunir toda a família
para uma noite de ceia, conversas e troca de presentes cultivamos
um momento que é aguardado por todos: a leitura da Carta de Noel.
Minha irmã Noemi é quem escreve por Noel há vinte e seis anos.
Todos se espalham na sala principal da casa dos meus pais. Rita,
minha outra irmã, cuida da leitura da Carta. Ao redor dos meus pais,
José e Myriam, toda a família se acomoda pelas poltronas, sofás e
almofadas. É o nosso momento mais natalino.

Uma bela constelação de filhos, netos, bisnetos, genros, nora e
agregados. Acomodados e ansiosos em ouvir a Carta de Noel,
percebemos por um momento nosso arranjo familiar e sua
diversidade. É Natal. Com essas palavras Noel começa a se dirigir a
essa constelação iluminando alguns momentos do ano de todos nós.

Relembrando as experiências mais importantes em nossas vidas
Noel nos envolve com sua elegância e humor. Sua mensagem de
Natal narra as pequenas conquistas, os acidentes, as descobertas,
as tristezas, as viagens, os casamentos, as separações, os primeiros
passos, as perdas, a esperança, os medos, os mistérios, as alegrias,
as travessias, as travessuras, as mudanças, as incertezas, as paixões
e os nascimentos.

Não há grande ou pequena história na carta de Noel. As experiências
mais banais revelam-se extraordinárias. As grandes realizações
mostram sua efemeridade. Não há competição. Cada episódio vivido
é relembrado por Noel como único e precioso. Para todos. Assim a
vida dessa família tem sido escrita e preservada a cada Natal. Sentar
num canto da sala para ouvir a Carta de Noel é o presente que mais
aguardo.


terça-feira, 19 de outubro de 2010

Deixa quieto ou não?

Passei o último domingo de manhã pedalando em Sampa. Foram cerca de 50 km que incluiram toda a ciclovia do rio Pinheiros na volta. Daia me apanhou de carro na padaria Art Pão, onde o grupo do Olavo Bikers termina o passeio. De lá demos uma passada no Sacolão para umas comprinhas. Estacionamento lotado. Um dos carros estacionado sobre duas vagas. Paro em outro lugar. Encontro a dona do carro chegar.

- Senhora, desse jeito que estacionou ninguém consegue parar na outra vaga.
- Eu parei assim por causa do outro carro (?) da próxima vez paro em cima do seu! (!!)
- Senhora, não é legal usar duas vagas. A senhora está errada, da próxima vez use só uma vaga.

Já estava longe quando ouço alguém gritando comigo. O marido dela surgiu para defendê-la. Volto e repito que não é certo ocupar duas vagas num estacionamento público. Ele fica puto. E a indignação mudou de lado. Agora é ele que está indignado com minha observação. Fiquei animado a levar essa conversa até o final, ouvir o argumento do casal, das pessoas ao redor ... mas a Daia e outro cliente me convenceram.

- Deixa quieto!

Ok. E entramos para fazer nossas comprinhas. Mas fiquei pensando num tipo de bilhete educativo para colocar no vidro desses carros que acham normal ocupar duas vagas, parar em vagas de deficientes, de idosos...

Idéias?

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Aiki Biking for Peace

Ola pessoal

Durante o mês de setembro eu vou escrever em outro blog especial sobre a ciclo viagem que estou fazendo Alemanha e Holanda visitando comunidades de Aikido, pedalando e fazendo alguns desenhos pelo caminho.

Apareça lá quando quiser.





sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Pinceladas e pedaladas

Cheguei na sexta feira com minha bicicleta empacotada para um fim de semana de pintura e pedaladas. Suely e Fernando, os organizadores do workshop, estavam no aeroporto e fomos direto almoçar no Restaurante Daissen na Comunidade Zen Budista de Florianópolis. De tarde fui acompanhado por Juliana e Monge Gensho pelo centro da cidade onde aprendi um pouco da cidade. De lá caminhei até o mirante da ilha onde fiz minha primeira foto. Era meio da tarde e o sol insistia em aparecer junto à ponte antiga que ligava a ilha ao continente. Alguns já devem saber que adoro pontes!


Arrumamos a sala de meditação do Centro Zen Budista e logo chegaram os participantes da oficina. Não muitos, oito. Para um primeiro evento achei ótimo. Poucos conhecem o Sumi-e e muitos fogem quando o tema é desenhar, pintar, criar. Logo começamos a nos apresentar e sugeri um formato diferente para esse momento. Ouvir o nome, a profissão e a idade não me diz muito para um primeiro contato. Gosto de ouvir alguma coisa curiosa, um momento importante vivido pela pessoa, algo especial. Vejo a minha vida como um riacho. E somos todos um riacho. Cada um fazendo o seu curso, alguns velozes, outros largos, outros rasos e todos cheios de nutrientes e vida em suas águas. E partindo dessa provocação - o que você me contaria do seu rio? – comecei a saber melhor quem estava por lá.

Suely e Fernando, os anfitriões

Foi um momento breve para nos conhecermos e poder apresentar a proposta da oficina. Em seguida Suely e Fernando me levaram para a Casa de Retiro Vila Fátima onde ficaria hospedado. Era tarde e tinha fome. Só havia biscoitos e café no final do corredor de cada andar. Normalmente a Casa está sempre ocupada com religiosos ou não em retiros. Mas nesta noite só haviam 6 quartos ocupados e o pior. Todos já tinha jantado. Uma senhora percebeu meu vaguear pelos corredores e perguntou se estava tudo bem. Eu devia estar com cara de esfomeado! Ela me encontrou e disse que logo haveria uma comidinha na cozinha. Ao chegar no refeitório a surpresa: sopa de aipim com pãezinhos integrais.

Na manhã de sábado me dei conta do lugar onder estava. A vista maravilhosa da Praia da Armação foi a primeira imagem do dia. Meu quarto escolhido a dedo ficava acima do mirante do Morro das Pedras!
Depois de tomar café e vislumbrar a vista do Morro das Pedras fui com meus anfitriões para a Comunidade Zen Budista de Florianópolis onde o workshop aconteceu. No mesmo lugar há o Restaurante Daissen tocado pela Bia que nos preparou o almoço no intervalo. Melhor que contar como foi este encontro é ver as imagens maravilhosas que Michel Seikan produziu quando não estava pintando. Vale a pena conferir o olhar dele.

http://picasaweb.google.com.br/zenbudhismo/SumiEAikido?feat=directlink

No domingo foi dia de pedalar pelo sul da ilha. Armação, Pantano do Sul, Lagoa do Peri, Ribeirão da Ilha, com direito a pausa para comer ostras frescas na beira-mar. Abaixo estão algumas umas imagens do passeio pela ilha. Inesquecível! Um imenso agradecimento a todos que fizeram parte do desfrute destes dias em Florianópolis.









quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Sumi-e em Floripa

Depois de algumas trocas de email e conversas via google talk com Suely Carrião, estou fazendo as malas para levar o workshop de Sumi-e para Florianópolis no próximo final de semana. Acontecerá na Comunidade Zen Budista nos dias 13 e 14 de Agosto. Agradeço também por aqui o empenho de todos na produção deste evento e o carinho com que tenho sido tratado por todos.

Como a volta esta marcada para a tarde de domingo, espero poder pedalar um pouco pela ilha com minha bicicleta e almoçar com antigos amigos que vivem em Florianópolis.



Networking Saudável

No dia 26.08, minha amiga Rita da Semente Una vai oferecer a sexta edição de um encontro criado para reunir pessoas em torno da pergunta: como se realizar e nutrir o senso de propósito maior no trabalho, em equilíbrio com a sustentablidade financeira, social, ambiental?

Vai acontecer no Hub, rua Bela Cintra, das 19h às 22h.

Segundo ela, estes encontros têm atraído pessoas muito interessantes e inspiradoras, cansadas de blablabla, realmente afim de dar esse passo. Para ter uma idéia de quem estará lá, visite a Rede NOVOLHAR -www.NOVOLHAR.ning.com e para conhecer melhor essa iniciativa, veja o vídeo abaixo que foi produzido e editado pela Eliza Capai.
Pra se inscrever nesse evento, preencha esta ficha, cujos dados fazem parte do próprio encontro de Networking:http://spreadsheets.google.com/viewform?hl=en&formkey=dDRUcDk4Tm1fdWVNbjRMeTBNX2JqYkE6MQ#gid=0.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

"A arte existe por que a vida não basta" Ferreira Gullar

Artistas e Guerreiros

Nas últimas semanas tenho conduzido algumas oficinas onde ofereço uma iniciação aos princípios do Sumi-e e do Aikido. O que me interessa nestes encontros não é ensinar Sumi-e e tão pouco o Aikido em algumas horas. Me interessa tratar da conexão entre estas artes por meio daquilo que elas tem em comum. Ambas são caminhos de harmonia e desenvolvimento. São experiências que pedem do aprendiz o exercício da atenção, da presença, da sensibilidade e da decisão. Seja usando os pincéis ou trabalhando o corpo em movimento durante a prática do Aikido, todos os sentidos devem estar ligados e isso por si é um maravilhoso exercício meditativo. Deixar o passado e o futuro de lado para viver uma experiência de ação no aqui e no agora. É difícil mas é bom. E ao final desses encontros vivenciais feitos de gestos simples e pequenas descobertas ficamos com uma sensação gostosa de ter feito uma coisa muito importante.

Que coisa é essa???

Abaixo algumas imagens da oficina "O guerreiro e o artista" na Escola de Inverno do Hub e no Dojo Kaizen em Piracicaba.


Veja mais fotos como esta em Hub Escola de Inverno




Diálogos sobre Julgamento e Rótulo

Aconteceu nos dias 24 e 31 de Julho na Palas Athena.

A psicoterapeuta Maria Fernanda Dias e eu conduzimos duas sessões de conversas sobre os presentes que julgamentos e rótulos ocultam. Foram tardes deliciosas de descobertas, risadas, pequenas histórias e alguns exercícios para perceber o mundo com um olhar mais generoso, não-violento e simples. O grande presente para mim foi a construção coletiva de um ambiente rico para conversar e aprender sobre coisas que importam.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Brasil 2010

Esse é o nome do álbum que acabei de receber da Julia, namorada do Danilo, com fotos deliciosas onde aparece a grande e complexa família Barcellos Bueno. Tem fotos maravilhosas e senti muitas saudades da minha nora e dos seus pais, Peter e Lisa.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Buenos Aires

Há cerca de um mês estive com Daia na Argentina. Não pensei duas vezes onde gastar as milhas Smile que se não fossem usadas seriam perdidas: Buenos Aires. Guillermo nos indicou um amigo uruguaio que poderia nos receber na sua casa, o Juan. Fomos acolhidos na sua casa, na verdade uma confortável república onde também moram Ezequiel, Camilo, Antonio e mais um Ezequiel. Em um final de semana conhecemos dois Ezequiéis!!! Maravilhosas pessoas.

Foram dias de turismo clássico e alternativo. Teve Plaza de Mayo, Café Tortoni, almoço em Puerto Madero, Santelmo e visita ao cemitério da Recoleta. Mas teve também Aikido no Dojo de Laura Sensei, pizza entre amigos & um belo show de tango moderno, passeio de bicicleta e trem até Tigre que é um lugar parecido com Embú das Artes em Sampa. Um lugar onde muitos argentinos vão comprar artefatos de todos os cantos do país, comer churrasco no pão e passear com as crianças. De Tigre saem também barcos turísticos com destino ao Uruguai que fica a uma hora de distância.

Um dos pontos altos para mim foi a compra de peças para montar uma nova bicicleta. Trouxe um jogo de cambio, cabos, pé de vela e corrente de primeiríssima linha pela metade do valor que pagaria aqui no Brasil. Sem pressa comprarei duas rodas, um quadro, guidão e banco e logo terei uma nova bike para fazer umas ciclo-viagens por aí. Essa coisa vicia. Além da Gallo que me acompanha para todos os cantos em São Paulo, arrematei outro dia uma Fuji 89 verde-alface (!), um pequeno tesouro para os aficcionados por uma absurda pechincha: R$ 350,00!

O albúm abaixo tem um pouco de tudo que vivemos em Buenos Aires em quatro dias de descanso. Se alguém por aí tiver milhas expirando nos próximos meses a minha sugestão está feita. E para quem quiser, encaminho as preciosas dicas de vinhos e lugares que recebi do Felipe e de minha irmã Sandra.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Novidade na blogosfera

Dentro de 90 dias viajo para Amsterdan para iniciar uma primeira jornada de Aikido e Bicicleta numa viagem até Munique.

Por que Amsterdan? Por que Munique?

A idéia inicial nasceu na vontade de comemorar meus 50 anos de vida de modo especial. Pensei em passar algumas semanas sozinho, ocasião para pensar em movimento sobre o que fiz até aqui e sobre o que mais quero fazer. Pensei no Caminho de Santiago como uma opção e logo considerei a possibilidade de incluir a bicicleta como meio de transporte neste retiro que certamente deveria incluir a visita a alguns Dojos de Aikido. Isso me levou a pensar em lugares pelo mundo que tivessem uma cultura e uma estrutura legal para pedalar e também bons lugares para fazer Aikido.

Neste momento, recebi a informação via Aiki-Extensions da criação da Semana Internacional Aiki pela Paz programada para acontecer entre 20 e 26 de Setembro. Será uma semana onde escolas de Aikido espalhadas pelo mundo serão encorajadas a promover o Aikido como ferramenta de paz.

O projeto começou a tomar forma quando um dos organizadores da Semana Internacional Aiki pela Paz, Bertram Worak Sensei, sugeriu a inclusão de Munique em meu roteiro e, se possível, estar por lá por ocasião do evento mundial. Estava definida a data e o lugar de chegada: 24 de Setembro em Munique.

E por onde começar?

A principio pensei na rota Copenhagen/Munique. O amigo João Paulo já havia feito o roteiro até Berlin e a Dinamarca é um país com notável cultura de ciclismo. Ser perfeito começar por lá e descer até Munique. A esta altura comecei a fazer aulas semanais de alemão com Andrea Khrom, pois sabia que a Alemanha seria o principal lugar desta ciclo-viagem. Aprender o básico do básico do básico por delicadeza com o país visitado: Guten tag. Guten morgen. Ich komme aus Brasil. Ich verstehe das nicht. Entshuldigung. Aufwiedersehen. Spitze!..

Dias atrás nova sincronicidade. O HUB de Amsterdan promoverá o Summer School e uma das organizadoras chama-se Valentine e é brasileira. Numa conversa nos corredores do HUB de São Paulo ela me propos criar algum workshop para oferecer por lá. Imediatamente pensei no projeto "the Sword and the Brush"onde mostro que Aikido e Sumi-e podem ser uma experiência profunda de presença no tatame e no papel . Isso tudo deu data e local para o começo da jornada. Final de agosto. Amsterdan.

As próximas perguntas: Qual bicicleta usar? A minha ou comprar uma segunda mão por lá? Qual o melhor roteiro? Quais cidades incluir? Onde ficar? Hostels? Couchsurfers? Que Dojos visitar? O que é necessário levar?..

O assunto Aiki Biking for Peace e as respostas para essas e outras perguntas vão ter de hoje em diante um blog exclusivo.
Quem quiser acompanhar essa jornada desde já basta aparecer em Http://aikibiking.blogspot.com . Conto com seus comentários por lá também.

Abraços.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Aiki Biking for Peace

No dia 20/07 completarei 50 anos.

Decidi comemorar este momento da vida fazendo uma ciclo-viagem e integrando três coisas que adoro: pedalar, desenhar e Aikido.

Pretendo desembarcar em Amsterdan no final de Agosto e viajar de bicicleta com destino a Munich para integrar as celebrações da Semana Internacional Aiki pela Paz entre 20 e 26/09 (http://www.aikipeaceweek.org)

Criei uma "vaquinha online" para me ajudar a viabilizar esta ciclo-viagem. Em troca, manterei atualizado um blog especial para compartilhar desenhos, aquarelas, fotos e histórias do projeto "Aiki Biking for Peace".

Valeu mesmo!!!!

Visite a vaquinha aqui http://vakinha.uol.com.br/Vaquinha.aspx?e=19982

terça-feira, 18 de maio de 2010

Pedalada & Inovação

Domingo às 14h, doze horas depois da Rodada Cultural no Sesc Pinheiros, começamos nova jornada com alunos, professores, coordenadores e pais de alunos do Colégio Bandeirantes. Criamos uma pedalada temática por São Paulo aproveitando o espírito da Virada Cultural e visitamos alguns lugares com o olhar para Inovação na cidade.

Nosso percurso começou no Paraíso e teve a primeira para da Ghost Bike na Avenida Paulista em memória da cicloativista Márcia Prado. Ali mesmo o JP lembrou que na quarta-feira, dia 19 de maio, acontece sempre o Pedal do Silêncio onde ciclistas caminham ao lado de suas bikes, nenhuma palavra é ouvida e todos assim homenageiam os que faleceram pedalando pelo mundo.
Logo alcançamos a Praça do Ciclista na esquina da Consolação, ponto de encontro de muitos pedalantes e ponto de partida da Bicicletada que acontece toda ultima sexta do mês.

Logo chegamos na Bela Cintra onde o Pablo Handl, um dos fundadores do HUB, contou para todos um pouco de sua história de vida e da criação de um espaço fantástico que reúne cerca de 180 empreendedores em diversas áreas num ambiente de intensa cooperação, criatividade e alegria. Seguimos para o Beco do Batman na Vila Madalena e terminamos no Ekoa Café onde fomos recebidos por mais um anfitrião, o Henrique Bussacos. Novamente ouvimos a história de um administrador de empresas que deixou uma promissora carreira em bancos de investimentos para criar em São Paulo uma cafeteria que oferecesse mais que pães de queijo e café. Esse mesmo ambiente abriga a Tekoha, também criada por ele, que comercializa artesanato de diversas comunidades brasileiras.

Já eram seis da tarde e oferecemos a opção de usar o metrô para voltarmos para o Colégio Bandeirantes. Que nada. Todos queriam voltar de bicicleta e a jornada de bicicleta e inovação terminou no comecinho da noite. Isso tudo não aconteceria sem o apoio de algumas pessoas especiais. O Emerson e o Ricardo, da coordenação do Bandeirantes, Gatti e Luis, os dois monitores que tornaram fácil e divertido o pedalar pela nossa São Paulo.

Curtam as imagens da Peladada para a Inovação.



video

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Rodada Cultural no SESC

Na Virada Cultural 2010, desenvolvi para o SESC Pinheiros um projeto que batizamos como Rodada Cultural. Contei com o apoio do João Paulo, o JP, que trabalha na Green Mobility uma consultoria em mobilidade sustentável. Desenhamos uma pedalada que percorresse alguns pontos da cidade durante a Virada Cultural num roteiro fora da muvuca que sempre se concentra na região central da cidade. Saímos às 2h da manhã da unidade do SESC Pinheiros com cerca de 50 pessoas e nosso primeiro destino foi o Centro Cultural São Paulo onde acontecia um show de tango. Curtimos um pouco, descansamos e seguimos para a Casa das Rosas. Lá a balada rolava solta e logo a pista estava cheia de capacetes, luvas e coletes dançantes. Éramos ciclistas de várias tribos como a turma da Bicicletada, do Pedala Cidadão, do Pedal da Vila, do Olavo Bikers e outros que não pertencem a nenhum grupo e apenas gostam de pedalar. Tentamos chegar para as danças árabes e israelenses que aconteciam no Centro da Cultura Judaica mas chegamos depois da festa. Estava tudo fechado às 5h e a feira da rua Oscar Freire já estava sendo montada. Passamos pelo Beco do Batman antes de chegar no SESC onde fomos recebidos com um café da manhã fantástico. Se todos soubessem o banquete que esperava os ciclistas da madrugada o grupo seria bem maior! Mas foi a primeira Rodada Cultural, uma pedalada recheada de arte, cultura .. e comida!.

Durante a pedalada por São Paulo foram feitos uns 15 vídeos curtinhos que foram transmitidos ao vivo num telão ao ar livre no SESC Pinheiros enquanto acontecia o Samba da Vela. Separei três para este post. Se quiser ver todos os filminhos visite http://qik.com/viradasescpinheiros/videos

Um agradecimento especial ao Everaldo do SESC que acreditou no projeto desde o início e à equipe de ciclistas que apoiou todo evento: Vinicius (Pedala Cidadão) Celso, Silas, Gatti e Aquiles.




quinta-feira, 6 de maio de 2010

Comida & Tristeza

Acabo de saber via Fernando Marinho, meu amado tio internauta e esperantista, que minha prima Consuelo está no Brasil e lançará seu novo livro de contos na Livraria da Travessa no Rio de Janeiro. Adoro ser Marinho e pertencer a essa família maravilhosa e cheia de talentos. Parabéns!!!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Amazing Amazon

Hoje pela manhã lembrei de uma passagem durante a viagem que fizemos em fevereiro para o Amazonas. Logo me dei conta que não escrevi nada sobre esta incrível viagem de sete dias. Essa experiência nasceu numa visita inofensiva ao site Decolar.com. A promoção estava lá no cantinho: São Paulo/Manaus por R$ 180,00. Ida e volta. Sem escalas. Em seis vezes no cartão. Uma viagem para o Amazonas por 6 parcelas de R$30,00?!! Bati o martelo no mesmo dia e botei boa parte da família nesta aventura.

Chegando em Manaus, tivemos a oportunidade de assistir o espetáculo Piaf com Bibi Ferreira no Teatro Amazonas. Foi uma noite de gala na companhia de Núbia Lentz onde assistimos a grande dama do teatro brasileiro dar adeus aos palcos depois uma temporada de mais de 30 anos interpretanto a vida de Edit Piaf. Começamos bem.

Dias depois, alugamos um carro e fomos todos - Daia, Danilo, Julia, Sofia e eu - conhecer a capital das cachoeiras do Brasil. Você sabia disso? Eu não sabia. O município chama-se Presidente Figueiredo, reúne uma porção de cachoeiras belíssimas e dedicamos dois dias a conhecer algumas delas. Maravilhosas.

Logo chegou o momento aguardado da viagem: dias de navegação pelo Rio Negro. O barco que contratamos foi o Araújo Silva, dirigido pelo próprio João Araújo. Um desenho da barco ilustra o cabeçalho deste blog. Fizemos 798 fotos da viagem e fiz apenas dois desenhos com lápis carandache. Esse é um deles e o outro foi feito em frente à casa do seu Araújo.
Mergulhos no encontro das águas, passeio com mateiros, visita a comunidades ribeirinhas, noites dormidas em rede, até que chegou o dia de madrugar para ver o amanhecer no Rio Negro. Acordamos às 4h e saímos com uma pequena canoa pelo rio. Fomos conduzidos por Deus, o nosso guia. Não o Deus Todo Poderoso. Me refiro ao Deuzimar. Ele se apresentou assim no primeiro dia: - Meu nome é Deuzimar mas podem me chamar de Deus. Então deve ser Deuz com zê, homônimo do original. Como não é fácil tratar qualquer um por Deus, nosso guia era chamado apenas por Deu.

Depois de alcançar um pequeno igarapé ficamos em silêncio absoluto aguardando o nascer do sol sentados na pequena canoa. Pensava naquela madrugada sobre o privilégio de aguardar o fenômeno do amanhecer no Rio Negro em plena floresta amazônica. Em vigília imaginava estarmos prestes a assistir ao espetáculo do despertar amazônico. Talvez uma revoada de pássaros raros, quem sabe algumas araras colorissem o céu, macacos poderiam ser ouvidos e vistos saltando entre as árvores, jacarés emergiriam para os primeiros movimentos do dia e se tivéssemos sorte poderiamos ver alguns golfinhos saltando perto de nós. Naquela escuridão que antecedia o amanhecer também imaginei os primeiros raios do sol clareando sutilmente esse fenômeno do nascer do dia no Rio Negro.

Depois de 40 minutos um pequeno 'ploc' próximo à canoa quebrou o silêncio. Sem usar a voz e apontando com o dedo para o fundo do rio percebemos o que Deus queria nos dizer: - Jacaré! Aquele 'ploc' era o estourar na superfície do rio de uma pequena bolha vinda de algum jacaré sob a canoa. Talvez um punzinho de um jacaré bem perto de nós... E voltamos para o nosso silêncio por mais alguns minutos. Nada acontecia. Sequer um novo 'ploc'.

Sem alarde o dia amanheceu. Nublado. Mais um pouco, o dia já claro e ouvimos nosso guia dizer: - Vamos voltar. Depois de uma hora e meia em silêncio na canoa tinhamos acabado de presenciar o amanhecer no rio Negro. Opa! E as araras? E os golfinhos? E os macacos? Nada. Absolutamente nada do que minha imaginação imaginara. Presenciamos somente o início de um mais dia no Amazonas...

domingo, 2 de maio de 2010

Marchinha Ficha Limpa

A campanha em favor do Projeto Ficha Limpa ganhou um hino --ou melhor, uma marchinha. A música, escrita pelo produtor e jornalista Nelson Motta, deve ser cantada no ritmo de "Cidade Maravilhosa", segundo o compositor.

De acordo com Motta, a ideia da paródia surgiu após um encontro com o produtor Liminha. O objetivo seria compor algo simples em cima de uma música já conhecida. "Foi fácil, porque a revolta inspira", diz o jornalista.

Motta espera que o hino se torne um hit neste ano de eleições. "Eu quero que esta música persiga esses fichas sujas e em cada lugar que eles forem tenha gente cantando na cara deles", declara.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

1º de maio: 16 anos de Dojo Harmonia



É com grande prazer que comunico a comemoração dos 16 anos do DOJO HARMONIA entre alunos, familiares e amigos. A programação será a seguinte:

Dia 30/04, sexta-feira, a partir das 20h - YUDANSHAKAI
Treino especial entre faixas-pretas do Dojo Harmonia e de outros Dojos.
Dia 1/05 - sábado, a partir das 10h - TREINO GERAL
Treino especial com a presença de alunos, amigos e convidados.

Dia 1/05 - sábado, a partir das 12h30 - ALMOÇO COMEMORATIVO

Contribuição sugerida de R$ 20,00 por pessoa para comidas e bebidas.

Sejam bem-vindos para a festa do Dojo Harmonia ou deixem sua mensagem por aqui.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Father & Son


Outro dia encontrei esta canção no blog do amigo Márcio Svartman. Há 30 anos atrás Cat Stevens cantava Father & Son e eu a ouvia como filho. Agora assisti Yusuf Islam cantando a mesma canção e eu a ouvi como pai.

Eu e meu filho Danilo estávamos sem conversar há uns dois meses. Após um desentendimento entre nós que abriu espaço para o cada-um-para-o-seu-lado-e-tudo-bem, assistimos ao progressivo esfriamento da nossa relação e fomos ficando cada vez mais distantes. Neste período eu e ele nos encontramos aqui e ali. Mas não com a qualidade de relação que sempre tivemos como pai e filho. Poucas palavras, pouco interesse um pelo outro e dois tolos sofrendo cada um do seu lado com a distância entre nós cada vez maior.

Em março, Daia e eu recebemos Danilo e Júlia em casa para um jantar de aniversário - os dois nasceram com 3 dias de diferença. Pareceu uma trégua, mas a distância persistia entre ele e eu. Hoje de tarde ele me ligou chamando para uma conversa. Era hora do almoço e propus que almoçássemos juntos em casa. Foi daquelas conversas que mudam o curso da história. E o melhor de tudo, restauramos aquele fluxo de energia que existe entre duas pessoas que se amam. Valeu, filho. Valeu muito!

Beijo do pai.





Aikido em Recife

Amanhã cedo viajo para Recife para mais um seminário com alunos e amigos de Pernambuco. No sábado e no domingo haverão treinos com Luis Gentil Sensei, responsável pelo Círculo de Aikido.

Na semana seguinte, receberemos em São Paulo os professores Wilson Tenório, Paulo Gurgel e Mario Morato, para o treino comemorativo de aniversário dos 16 anos do Dojo Harmonia em São Paulo. Será no dia 1º de maio e logo escreverei novo post sobre esta festa.

E assim vamos construindo essas "pontes de harmonia" entre cidadãos que acreditam que fazer Aikido é um bom jeito de contribuir para a construção de uma cultura de paz, saúde e boa convivência.



Carta da Terra

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Começa com você em se transformar para transformar o mundo.


· O que é a Carta da Terra?

A “Iniciativa da Carta da Terra” é o nome dado a uma rede global de extraordinária diversidade de pessoas, organizações
e instituições que participam da promoção e implantação dos valores e princípios da Carta da Terra.

A Carta da Terra é uma declaração de 16 princípios éticos fundamentais para a construção de uma sociedade global justa,
sustentável e pacífica. Ela é estruturada em quatro grandes tópicos: Respeito e cuidado pela comunidade da vida, inte-
gridade ecológica, justiça social e econômica, democracia, não-violência e paz. É uma visão de esperança e um chamado à
ação.

· Como posso difundir essa idéia?
Além de falar da iniciativa da Carta da Terra aos seus amigos e familiares, você pode publicar no seu blog, site ou perfil nas
redes sociais o comercial da campanha ou banner e logotipo da Carta da Terra.

Você pode também unir-se a Carta da Terra no Orkut, Facebook, Linkedin, Youtube e Twitter comentando, divulgando e
convidando seus amigos a participar dessa iniciativa. No Twitter, lhe convidamos a usar o hashtag #cartadaterrabr para
tentarmos assim alcançar o maior número de pessoas.


Nos links a seguir você pode baixar os banners vertical e horizontal da campanha no formato gif, para solicitar o arquivo
HTML ou swf, responda esse e-mail com a solicitação no campo “Assunto”.

· Sobre a campanha “Começa com você”
A campanha remete ao pensamento de Gandhi que lembra que a mudança que queremos ver no mundo começa por
cada indivíduo. O objetivo é fomentar entre o grande público o conceito de “Cidadania Terra” onde os interesses pelo
bem comum do planeta estão acima dos individuais.

O filme será veiculado a partir do dia 22 de Abril no Brasil e na América Latina e possivelmente na Europa, em espaços
doados pelas principais emissoras de televisão por assinatura e redes aberta. A campanha conta também com anúncios
impressos doados por diversas revistas e jornais, um spot de rádio e banners para veiculação na internet.

Participe!

Afinal, sonhamos com um planeta mais justo, sustentável e pacífico.


Para mais informações escreva para contato@cartadaterrabrasil.org ou acesse www.cartadaterrabrasil.org

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Mamãe, o monge e o oficial

Hoje de tarde eu liguei para minha mãe. Ligo para ela quando sinto que tenho algo especial para dividir e não sou de ligar todo santo dia. Meu dia a dia não é tão cheio de coisas especiais, mas hoje eu senti vontade de contar umas coisinhas que se passavam aqui dentro.

Contei que tenho me sentido cada vez mais atraído pelo mundo da Educação. Ser aprendiz e ser educador, ser inspirado e ser inspiração, conduzir e ser conduzido. Gosto da emoção vivida no processo de aprender seja no papel do aprendiz, seja como educador. Atualmente aprendo Alemão e minha professora Andrea Khrom quando não é minha professora de Alemão é minha aluna de Aikido quando lá eu sou o professor. Muitas vezes alterno meu papel de consumidor e fornecedor de conteúdo e pulo de professor para aluno com facilidade. Gosto da vida que mora no aprender quando o processo é genuíno, pois sabemos que existe a triste experiência onde uns fingem que ensinam e outros fingem que aprendem. Isso não é educação e devia se chamar fingimento ou farsa. Falo de educação como aquele momento mágico onde aprende-se algo pela urgência da necessidade, pela convivência com alguém que ama o que faz ou pelo puro prazer de descobrir algo novo. E isso costuma acontecer muitas vezes bem longe das salas de aula ...

Minha mãe interrompeu essa conversa toda para fazer umas perguntas bem de mãe: Filho, você têm diploma de educador? E se alguém lhe perguntar a sua formação? Você não é arquiteto? Dizer que é professor tudo bem mas para ser educador tem que ter estudado Pedagogia, não? Acho melhor dizer o que você é, arquiteto, e não educador...

Minha mãe é maravilhosa e nossa comunicação é absolutamente franca. Ela diz o que pensa sempre e isso é o melhor de tudo. As vezes não é o que eu espero ouvir. Simples. Na hora eu senti um misto de surpresa, indignação, tristeza e indiferença. Nesta ordem. E ao final, percebi que ela fala exatamente aquilo que uma pessoa normal pensa, mas não fala.

Em 2002, quando contei animado que iria começar um projeto de educação pelo Aikido para crianças da comunidade (favela) do Jardim Jaqueline ela foi direta: - Filho, você precisa ir lá? É perigoso! Com o tempo ela percebeu que não só era o lugar onde eu mais me sentia seguro como foi gratificante perceber o impacto daquele projeto no dia a dia da casa onde atuamos voluntariamente por 6 anos.

Esta conversa com minha mãe me lembrou a historinha do monge religioso sendo interrogado por um oficial de imigração num país muito conhecido pelo rigor em suas fronteiras ...

- Religião? Perguntou o oficial.
- Todas, respondeu o monge.
- Sinto muito, mas todas não pode. O senhor não pode entrar no nosso país.


O monge fez uma breve pausa e logo respondeu uma segunda vez ao oficial:

- Nenhuma! Não tenho nenhuma religião.
- Ótimo. Nenhuma pode. Seja bem-vindo ao nosso país.

;)




Todo dia era dia de Indio

sábado, 17 de abril de 2010

Os danados Golfinhos Nariz de Garrafa

Eu havia guardado esse vídeo para publicar um dia. Gosto muito desse micro-documentário e os golfinhos "bottlenose" dão uma singela aula de estratégia. E deixam a impressão de que se divertem enquanto sobrevivem. Hummmm, aí tem coisa.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Sumi-e no Morisushi

No domingo passado eu ajudei meu filhote Daniel a fazer uma pequena mudança. Ele mora na República das Tias em Barão Geraldo, um bairro colado à UNICAMP onde faz faculdade de Música. Pegamos o amplificador, o violão, o novo computador e faltava a bicicleta que estava na rua da Consolação, na casa da avó de Ornela, sua namorada.

Enquanto esperava na rua observei que em frente ao prédio havia um restaurante, o Morisushi. Lembrei que há alguns anos recebi uma encomenda do amigo e designer Milton Cipis que cuidava do projeto de identidade visual do restaurante. Ele me pediu na ocasião um barco tradicional japonês em sumi-e. Depois de algumas pesquisas cheguei a um resultado final e entreguei o desenho.

Na véspera da inauguração do restaurante no Itaim uma construtora comprou o imóvel e os terrenos ao redor para construir um prédio e o restaurante não foi inaugurado. Recebi o valor pela ilustração mas não recebi mais notícias desse restaurante. Até descobri-lo sem querer no domingo passado. Era o tal Morisushi que estava lá, funcionando num novo endereço. Atravessei a rua para entrar e conferir se haviam usado a ilustração do barco. Logo percebi o desenho estampado nas camisetas vermelhas dos garçons e num grande painel na parede principal. E também nos cardápios e nos cartões. Pedi um exemplar de um cardápio velho para mostrar para Daia e Daniel que aguardavam no carro e logo contar esta história para eles. Por aqui eu colo um pedaço da imagem do cardápio que não coube inteira no meu scanner. Essa descoberta no domingo passado foi o suficiente para viajar feliz para Campinas.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Renina e Rita

Na última quarta-feira teve início o curso "O Artista e o Guerreiro em Cada um de Nós" na Palas Athena. Na quinta comecei um ciclo de oito oficinas de Sumi-e para a terceira idade no SESC Pinheiros. Já disse e vou repetir: eu adoro trabalhar para Palas e para o SESC. É trabalhar para dois visionários, a Lia Diskin e o Danilo Miranda, duas figuras que eu admiro demais. Numa semana onde ainda meu joelho se recupera da escoriação devida ao tombo besta no Rodoanel, estive afastado dos tatames e mergulhado entre pincéis, tintas e papéis.

Gosto da confusão que surge quando embaralho o aikido com a pintura, a arquitetura com educação, a consultoria com o ciclismo. Na minha percepção está tudo conectado e não saberia como descolar o artista do consultor, o arquiteto do ciclista, o educador do aikidoka, o cidadão do profissional e por aí vai. Mas não parece que é o que as pessoas gostam de ouvir. Não se encaixar em uma ou outra coisa cria um pequeno mal-estar nas conversas. Certa vez ouvi as seguintes palavras de uma pessoa muito querida: Você age como quem quer tudo! Você não se pode ser assim... tem que haver sacrifícios! Você não pode querer tudo. Para tudo existe um limite... Estas palavras bateram fundo em algum lugar. Eu ouvi, pensei um pouco a respeito (não muito) e lá de dentro veio uma voz dizendo com firmeza: É isso! Eu quero tudo!!!

Sou só eu ou você também percebe que mais e mais pessoas estão permitindo se deslocar entre áreas diferentes buscando novos alimentos em outras disciplinas e ambientes? Me parece absolutamente saudável e natural porque assim foi a minha jornada. Acredito que em pouco tempo a formação múltipla (no meu caso meio bagunçada) feita pela fusão de competências variadas será o esperado de um profissional e não um motivo de desconfiança e dúvida. É só olhar ao lado e percebemos que já convivemos com muita gente que não atua na área onde se graduou. Algumas estão felizes e outras ainda procurando encontrar um lugar onde possam dizer que estão confortáveis e realizadas. Essa conversa tem tudo a ver com uma reflexão proposta pela querida Rita e a rede Novo Olhar onde pude contribuir um pouco.

Voltando aos pincéis, me peguei esta semana contando para meus novos alunos e alunas no SESC e na Palas Athena a história de duas mulheres, Renina e Rita. Duas mulheres que tiveram um papel importante na minha formação como artista, como guerreiro e como educador.

Renina Katz é uma artista plástica que dispensa comentários como artista. Ela foi minha professora no primeiro ano da FAU em 1979 onde lecionou até 1988 e isso sim merece comentários. No primeiro ano de faculdade, os alunos tiveram oportunidade de ter aulas com uma famosa gravurista que tinha o tratamento de deusa. Uma mulher culta, talentosa e reconhecida artista plástica. Numa avaliação final de um exercício proposto para os alunos do primeiro ano todos ouviam atentamente suas observações sobre as dezenas de desenhos espalhados numa imensa mesa. Até que ela se deteve em um desenho para descrever a todos como NÃO se desenhar. O desenho, segundo ela, era um lixo. Uma composição péssima, uma técnica péssima, tudo péssimo. E era um desenho sujo, e lembro bem dessa palavra. No final da avaliação todos levaram seus desenhos embora e aquela coisa péssima ficou largada na mesa. Quem iria assumir a autoria daquela coisa suja? Porque aquilo já não era mais um desenho e sim uma coisa. Um monte de rabiscos sujos. Aquilo foi uma experiência rica para cerca de 100 alunos e dramática para o autor daquela coisa. Ele deixou o desenho naquela mesa e tenho certeza que ele deixou lá também o seu prazer por desenhar. Afirmo com certeza porque depois de 30 anos eu posso falar tranquilo: aquela coisa suja abandonada na mesa da faculdade era o meu desenho! Mas o tempo é generoso e curador. E os anos passaram.


Em 1994 encontrei por acaso uma monja zen-budista chamada Rita Böhm. Ela dava aulas da arte Sumi-e na livraria Antakarana na rua Lisboa em São Paulo. Perguntou-me se eu gostaria de fazer um desenho e eu disse que sim. Recebi sua primeira grande lição: observe. E observei o seu desenhar. Em seguida ela me pediu para desenhar o que havia observado. E desenhei. E ela me perguntou: Quem é você? Eu respondi que era um faixa-preta em Aikido. Ela me encorajou a observar novamente o seu desenhar e reproduzí-lo mais uma vez. Desenhou orquídeas. Ela gostou da minha reprodução e eu também gostei de voltar a desenhar. O resultado desse breve e intenso contato: tornei-me seu aluno por cerca de três anos e ela me devolveu o amor que tinha pelo desenhar. Foi um resgate e uma cura. Voltei a desenhar com prazer.

Renina e Rita são duas histórias de duas mulheres. Duas professoras diferentes e importantes.

Estas duas pessoas fizeram parte da minha formação como artista, educador e guerreiro.

Hoje escrevi para Rita, cheio de saudade e gratidão. Ela mora em Berlin. Não sei onde está Renina e espero que esteja bem.





quinta-feira, 8 de abril de 2010

A Dança Final


Hoje é dia de ir ao teatro para ver a estréia da peça"A Dança Final" com Denise Weinberg e Norival Rizzo. O motivo mais que especial é ver mais um trabalho da minha irmã Noemï como diretora e da minha sobrinha Tatiana, como assistente de direção. Mais um motivo: uma rara comédia de Plínio Marcos, com quem já joguei futebol de salão no SESC Consolação, mas isso é outra história...

Desejo por aqui sucesso e uma maravilhosa temporada no Teatro Bibi Ferreira.

MERDA!!!!


terça-feira, 6 de abril de 2010

FICHA LIMPA

Nesta quarta-feira os nossos deputados no Congresso votarão o projeto de lei de iniciativa popular que impede a candidatura em esfera municipal, estadual e federal de candidatos condenados em 2a. instância. Isso já foi mudado pois no texto original seria inelegível o candidato com condenação 1a. instância. Colei abaixo mais informações sobre essa campanha tiradas do site do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral http://www.mcce.org.br


Assim que terminar a votação trago para cá o painel completo do posicionamento de todos os deputados. A posição a favor ou contra este projeto de lei tomada por cada um dos representantes dos estados deveria ser impressa na primeira página de todos os jornais do Brasil. Mais abaixo esta a lista dos deputados favoráveis ao projeto de lei FICHA LIMPA.

1.300.000 assinaturas a caminho do Congresso

Campanha Ficha Limpa contra a candidatura de políticos em débito com a Justiça

A Campanha Ficha Limpa foi lançada em abril de 2008 com o objetivo de melhorar o perfil dos candidatos e candidatas a cargos eletivos do país. Para isso, foi elaborado um Projeto de Lei de iniciativa popular sobre a vida pregressa dos candidatos que pretende tornar mais rígidos os critérios de inelegibilidades, ou seja, de quem não pode se candidatar.

O PL de iniciativa popular precisa ser votado e aprovado no Congresso Nacional para se tornar lei e passar a valer em todas as eleições brasileiras.
No dia 29 de setembro, o MCCE entregou ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, o Projeto de Lei de iniciativa popular, junto com 1 milhão e 300 mil assinaturas o que corresponde à participação de 1% do eleitorado brasileiro.
O PL já foi protocolado na mesa da Câmara e iniciou seu processo de tramitação na Casa, que será acompanhado de perto pelo MCCE.

A iniciativa do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) em lançar essa Campanha surgiu de uma necessidade expressa na própria Constituição Federal de 1988, que determina a inclusão de novos critérios de inelegibilidades, considerando a vida pregressa dos candidatos. Assim, quando aprovado, o Projeto de Lei de iniciativa popular vai alterar a Lei Complementar nº 64, de 18 de maio de 1990, já existente, chamada Lei das Inelegibilidades.

O Projeto de Lei de iniciativa popular sobre a vida pregressa dos candidatos pretende:
Aumentar as situações que impeçam o registro de uma candidatura, incluindo:
Pessoas condenadas em primeira ou única instância ou com denúncia recebida por um tribunal – no caso de políticos com foro privilegiado – em virtude de crimes graves como: racismo, homicídio, estupro, tráfico de drogas e desvio de verbas públicas. Essas pessoas devem ser preventivamente afastadas das eleições ate que resolvam seus problemas com a Justiça Criminal; Parlamentares que renunciaram ao cargo para evitar abertura de processo por quebra de decoro ou por desrespeito à Constituição e fugir de possíveis punições;
Pessoas condenadas em representações por compra de votos ou uso eleitoral da máquina administrativa.

Estender o período que impede a candidatura, que passaria a ser de oito anos.
Tornar mais rápidos os processos judiciais sobre abuso de poder nas eleições, fazendo com que as decisões sejam executadas imediatamente, mesmo que ainda caibam recursos.

O projeto de lei da Campanha Ficha Limpa, quando entregue à Câmara dos Deputados, no dia 29 de setembro, foi subscrito por 33 parlamentaresOutros procuraram a iniciativa depois dessa data para também apoiar o projeto.


Daia Mistieri na Câmara dos Deputados no dia da entrega das assinaturas

Conheça quem são esses parlamentares e acompanhe as notícias sobre a tramitação do PLP no Congresso Nacional no site do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral: www.mcce.org.br

LISTA DE PARLAMENTARES QUE APOIAM O PROJETO

segunda-feira, 5 de abril de 2010

domingo, 4 de abril de 2010

Túnel do tempo



Essas fotos devem ser de 85 e 86 e foram tiradas naquelas cabines automáticas.
Estão comigo Laura e Danilo na primeira. Laura e Ana na segunda.
Elas foram minhas enteadas entre 83 e 92, tempo que fui casado com Miriam, mãe do meu primeiro filho, o Danilo. Laura fez 29 anos recentemente e essa foto foi uma gostosa lembrança que enviei para ela via facebook. Nela estou com a idade do Danilo hoje...

Merda.

Acordei no último domingo animado para escrever sobre a merda. Calma, antes que alguém se ofenda com o assunto, esclareço que resolvi escrever sobre a merda como quem resolve escrever sobre o aluno mais rejeitado da classe. Aquele personagem feinho, desajeitado, cabisbaixo e solitário, ruim de bola e de matemática, desafinado, magrelo ou gordinho, aquele pedaço do grupo que ninguém quer por perto e normalmente é o alvo da gozação explícita ou dissimulada, o tal do bullying. Esse assunto está no ar e trata-se da violência e da intimidação na escola. Será que bullying teria também alguma coisa a ver com bullshit? Algo como o tratamento dados aos "merdinhas" de um grupo?

Merda é rejeição, logo ser um merda é ser um rejeitado. Ser aquilo ou aquele que não é mais necessário e que está fora do jogo. Estar na merda, ser um merda, vá à merda, ou merda! apenas é sempre uma referência ao pior lugar. Pior que ir mandar alguém à merda é mandar alguém sumir, se escafeder. Talvez o ato suicida seja aquele passo a mais de quem se deixou convencer que é uma merda ou que está numa merda. Então falar da merda é falar da paúra de ficar fora do jogo. Qualquer jogo. É falar do medo de não ser mais necessário na escola, na família, no trabalho ou em qualquer outro sistema.

Agora penso na sociedade que você e eu vivemos que é alimentada por ambição e medo. Uma engrenagem social motivada por pessoas querendo se afastar da merda e viver perto dos que estão mais em cima, especialmente tendo e comprando as coisas que fazem parecer que estão mais em cima que na merda. Podia dedicar este post a escrever sobre a elite dos vencedores, dos campeões, dos famosos que estão bem longe da merda, muitas vezes gente que nasceu na merda e tirou da merda a maior motivação para sair merda. Se olharmos um noticiário ou novela na TV aberta o que mais vemos é uma alternância entre notícias sobre os que estão e os que saíram da merda, nos educando para o que devemos buscar e o que devemos temer. Nem vou falar de BBB e aquela coisa de todo mundo hipnotizado para ver quem será eliminado...

Talvez vivamos todos numa sociedade bullying, onde trabalhamos duramente para parecer bem e não mostrar nenhuma merda. Se alguém errar, desafinar, cair, se confundir, falir ou falhar terá sempre alguém de plantão para tocar a campainha e apontar: olha a merda que esse aqui fez! E todos sorrimos um sorriso amarelo por que desta vez não fomos nós. Tudo isso é muito vivo para mim por que já errei, desafinei, cai, me confundi, fali e falhei muitas vezes. Tenho uma trajetória cheia de pequenos acidentes, interrupções, mudanças e irregularidades e aprendi a não levar muito a sério o julgamento de pessoas que tentaram me convencer de que eu era um merda. E não recebi a pressão de pessoas bobinhas. No começo da vida adulta recebia duros julgamentos de um pai severo e crítico que não via ambição na minha personalidade sonhadora. De alguns mestres recebi sofridas invalidações sobre a minha competência como arquiteto, como artista e como aikidoka. Lembro-me dos tempos de terapia onde fui para buscar uma resposta para uma dúvida que me angustiava: será que eu sou um merda?

Hoje educador, eu gosto dos desajeitados e sem "talento nato". Hoje, casado pela terceira vez, me divirto com os que logo deduzem que não sou uma pessoa estável e confiável. Torcer para a Portuguesa é algo para quem não tem medo de cair para segunda divisão: um time pequeno, típico timizinho-de-merda cujo nome de guerra lembra looser (LUSA). Deixei pelo caminho a arquitetura e a astrologia e dois casamentos com pessoas que continuo a admirar. Depois de muitos anos deixei também meus mestres japoneses (Ono e Kawai) e mergulhei na minha aventura de buscar um aikido criativo, alegre e inspirador. Isso de deixar coisas no caminho - como quem salta de um cipó para o outro - para muita gente é fazer merda. Para mim não. Percebo a cada dia que aprender com gratidão a deixar para trás as coisas que serviram e não servem mais é o jeito mais feliz e sustentável de viver.

Sinto que viver e se realizar nesta vida é bem mais que evitar merdas. Estou convencido que o viver é repleto de incertezas, tropeços e curvas. O grande herói talvez seja alguém que lida bem com as próprias falhas e não teme parecer imperfeito. Ri das próprias asneiras. Faz algumas escolhas erradas, comete gafes, escorrega, pisa no tomate e não desanima. Não teme nem evita as merdas que vão surgir na sua jornada. As próprias e as alheias.

Uma palavra na nossa língua que denota a presença da merda é um dos adjetivos usados para alguém cheio de raiva: um sujeito enfezado. Uma pessoa cheia de raiva está associada a uma pessoa cheia de fezes. Arght! Fezes são feitas para serem eliminadas e não guardadas. As merdas são o resultado final de um longo processo de absorção dos nutrientes pelo intestino. Elas são o resultado da limpeza e filtragem saudável de um organismo e o tornam mais leve e puro. Um recado aos enfezados: botem logo toda esta merda para fora e sejam mais felizes!

O sentido nojento e agressivo dado à palavra merda é cultural. O verbo emmerder ou s'emmerder é natural na língua francesa e tem o sentido de se aborrecer, se encher. Uma tradição também vinda de França esta presente no meio teatral. O melhor a desejar antes de uma estréia para o diretor e elenco de uma peça é ... Merda! Por que? Entre as versões que existem a que prefiro é a seguinte:

"Antigamente as pessoas chegavam aos teatros em carruagens. Quanto mais carruagens, mais merda os cavalos deixavam nas ruas e calçadas. Assim, muitas pessoas entravam no teatro com os sapatos sujos, de merda, e quanto mais merda deixada nos capachos, mais a casa estaria cheia. Assim, a expressão “merda” tem o mesmo significado de boa sorte e é sempre usada antes das apresentações." fonte: http://pontodemira.blogspot.com

Logo mais eu vou postar por aqui a estréia da peça que minha irmã Noemï Marinho está dirigindo. Então, está combinado, já sabem o que desejar para ela e para o elenco:

Merda!!!!