Dentro de 90 dias viajo para Amsterdan para iniciar uma primeira jornada de Aikido e Bicicleta numa viagem até Munique.
Por que Amsterdan? Por que Munique?
A idéia inicial nasceu na vontade de comemorar meus 50 anos de vida de modo especial. Pensei em passar algumas semanas sozinho, ocasião para pensar em movimento sobre o que fiz até aqui e sobre o que mais quero fazer. Pensei no Caminho de Santiago como uma opção e logo considerei a possibilidade de incluir a bicicleta como meio de transporte neste retiro que certamente deveria incluir a visita a alguns Dojos de Aikido. Isso me levou a pensar em lugares pelo mundo que tivessem uma cultura e uma estrutura legal para pedalar e também bons lugares para fazer Aikido.
Neste momento, recebi a informação via Aiki-Extensions da criação da Semana Internacional Aiki pela Paz programada para acontecer entre 20 e 26 de Setembro. Será uma semana onde escolas de Aikido espalhadas pelo mundo serão encorajadas a promover o Aikido como ferramenta de paz.
O projeto começou a tomar forma quando um dos organizadores da Semana Internacional Aiki pela Paz, Bertram Worak Sensei, sugeriu a inclusão de Munique em meu roteiro e, se possível, estar por lá por ocasião do evento mundial. Estava definida a data e o lugar de chegada: 24 de Setembro em Munique.
E por onde começar?
A principio pensei na rota Copenhagen/Munique. O amigo João Paulo já havia feito o roteiro até Berlin e a Dinamarca é um país com notável cultura de ciclismo. Ser perfeito começar por lá e descer até Munique. A esta altura comecei a fazer aulas semanais de alemão com Andrea Khrom, pois sabia que a Alemanha seria o principal lugar desta ciclo-viagem. Aprender o básico do básico do básico por delicadeza com o país visitado: Guten tag. Guten morgen. Ich komme aus Brasil. Ich verstehe das nicht. Entshuldigung. Aufwiedersehen. Spitze!..
Dias atrás nova sincronicidade. O HUB de Amsterdan promoverá o Summer School e uma das organizadoras chama-se Valentine e é brasileira. Numa conversa nos corredores do HUB de São Paulo ela me propos criar algum workshop para oferecer por lá. Imediatamente pensei no projeto "the Sword and the Brush"onde mostro que Aikido e Sumi-e podem ser uma experiência profunda de presença no tatame e no papel . Isso tudo deu data e local para o começo da jornada. Final de agosto. Amsterdan.
As próximas perguntas: Qual bicicleta usar? A minha ou comprar uma segunda mão por lá? Qual o melhor roteiro? Quais cidades incluir? Onde ficar? Hostels? Couchsurfers? Que Dojos visitar? O que é necessário levar?..
O assunto Aiki Biking for Peace e as respostas para essas e outras perguntas vão ter de hoje em diante um blog exclusivo.
Quem quiser acompanhar essa jornada desde já basta aparecer em Http://aikibiking.blogspot.com . Conto com seus comentários por lá também.
Abraços.
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segunda-feira, 24 de maio de 2010
sexta-feira, 2 de abril de 2010
04:54:25

Pouco a pouco volto a cuidar do blog e trazer notícias do lado de cá.
Nada como uma semana de molho, aguardando o joelho cicatrizar de uma escoriação, para botar a casa em ordem. Explico. Sábado passado participei da primeira etapa da prova Claro 100k no trecho sul do Rodoanel. Marinheiro de primeira viagem, convidei alguns amigos para virem comigo e um por um todos desconversaram. Fui sozinho e lá entendi. Uma sensação de que estava na festa errada. Era uma prova competitiva entre atletas de muitas escuderias como Scott, Trek, Specialized, Kona, etc. A grande maioria com bicicletas speedy e alguns poucos, como eu, de mountain bike posicionado no último pelotão. Investi numa camel bag para me hidratar durante a prova pois sabia que o sol ia pegar. E nela misturei 1,5l de água com maltodrexina sabor açaí com guaraná. Goles dessa mistura durante a pedalada são rapidamente absorvidos pelo corpo como energia e ajudam a evitar a fadiga muscular. Quatro saquinhos de proteína em gel, três barrinhas de cereal sabor banana, um gatorade de tangerina, duas batatas cozidas embrulhadas no alumínio e a maltodrexina na mochila e tinha energia para pedalar até o Paraguai. Acho que terminei a prova mais pesado que na largada. ;)
A maioria na prova estava lá fazer a prova no menor tempo. Eu fui testar a minha resistência para um percurso mais longo e tentar fazer os 100k dentro do tempo limite de 5h00. O carro vassoura que recolheria os que estivessem abaixo do tempo era uma grande motivação para não parar de pedalar. Voltar cansado sim, voltar varrido nunca!
O Trecho Sul to Rodoanel tem uma paisagem linda e espero mesmo que, apesar do atraso desta obra, ela diminua o volume de caminhões na cidade, melhore o trânsito e todos se beneficiem com isso.



Adorei o passeio e, definitivamente, competir e correr atrás do melhor tempo não é a minha praia. As fotos durante o percurso foram raras pois o foco era completar a prova. Mas a Daia estava lá. Do início ao fim como companheira, torcedora, fotógrafa e motorista.
Ah! O azulejo que aparece no começo desse post eu comprei em Den Haag (Holanda) anos atrás e esta entre a sala e a cozinha aqui de casa. Diz mais ou menos o seguinte: "Quem não comete erros, possivelmente não comete nada."
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Aikido, Haikai, Sumi-e, Shakuhati e Fotografia
Em janeiro e fevereiro deste ano ofereci uma nova oficina para o SESC Verão: Aikido, Inovação e Criatividade. Fizemos algumas pontes entre a arte Aikido e outras artes como a poesia haikai, o pintura sumi-e, a fotografia e a flauta shakuhati. Contamos com três convidados especiais como anfitriões: Thiago Rodrigues conduziu a experiência com o haikai, Genésio com a fotografia e Matheus Ferreira com o shakuhati. A harmonia, o equilibrio e a presença foram os elementos presentes em todos os encontros e percebemos o quanto cada uma das artes alimenta com a outra. O resultado final deixou uma sensação de encantamento e leveza no ar.
Num tempo acelerado onde não paramos para perceber o próprio corpo, as sensações e pensamentos, o outro e as coisas que acontecem a nossa volta, estes encontros foram uma experiência de descontinuidade. Um pausa para olhar, ouvir, tocar e sentir a vida.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Movimento Novo Olhar
No final de 2009 fui um dos convidados para participar de um video produzido por Rita Monte e dirigido por Eliza Capai que estimula o pensar sobre auto-realização no trabalho. É na verdade um teaser do Movimento Novo Olhar sobre Relações de Trabalho que tem crescido virtualmente pela rede Ning e por meio de encontros reais que ocorrem no Hub.
O material ficou pronto nesta virada de ano e aqui está. Comentários?
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
BONENKAI HARMONIA 2009
Que 2010 seja um ano pleno de ki em todos os sentidos e repleto de tudo que é importante para uma vida feliz. Até breve!
domingo, 13 de dezembro de 2009
Círculos de harmonia

Acabo de chegar do Rio de Janeiro com novas histórias na bagagem. O motivo principal desta ida ao Rio, assim como todas as outras idas em 2009, foi o mesmo: treinar bom Aikido sob orientação de Luis Gentil Sensei e estreitar os laços com os amigos do Círculo de Aikido. Ao redor do motivo principal emergem os motivos não principais que tornam a ida ao Rio cada vez mais especial.


Bar Vinte. Ipanema.
No Jardim Botanico fui recebido por Julio e Raquel Galhardi e conheci as siamesas Fiona e Suzy que me lembraram Ziza e Toró. Lá comemos e conversamos muito e também provei de uma cachaça de milho com mais de 40 anos. Literalmente uma senhora cachaça! No Clube Naval fiz sauna com direito a boa prosa na beira da Lagoa e reencontrei o Gil que já apareceu aqui no blog em setembro. Ele é o rapaz que atende no bar da sauna e ama a corrida. Julio e eu decidimos dar uma força e em 2009 ele fez suas últimas provas, entre elas a volta da Pampulha, com tenis de qualidade. No Bar Vinte em Ipanema tomamos o chopp obrigatório para festejar o exame para Nidan do Júlio. No Leme, sob chuva fina e numa praia vazia, um mergulho no mar e boa caminhada pela areia conversando com Luis Gentil. Nas Laranjeiras, almocei com minha irmã Rita e matei a saudade de toda a família comendo delicioso frango ao curry e ouvindo as novidades dos sobrinhos. Quarenta e oito horas de saúde, alegria e convívio com gente querida.

Minha irmã Rita e família. Laranjeiras.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Tintim na Cozinha - A colheita

RECEITA TINTIM (por Mariana Torres)
Reúna pessoas interessadas em passar tempo de qualidade juntas
Acrescente alegria, atenção, cuidado, disponibilidade e fome
Bata tudo com sentimento, empenho, dedicação
Coloque uma pitada de tempero, de imprevisto, de improvisação
Unte a fôrma da razão com emoção e intuição
Despeje a mistura num recipiente do tamanho do mundo
Aqueça tudo por cerca de duas horas e meia...
Voilà!
Tintin: um brinde ao que somos quando podemos ser

Mão na massa, e muita massa na mão.
Risadas e gargalhadas regadas com chuva de farinha.
Expansão dos sentidos, tato, olfato e paladar aguçado.
Pais e filhos, companheiros de vivências e novas experiências.
Fluidez, ritmo, leveza e delicadeza.
Mistura de cores, sabores, olhares e verdades.
Gente criança, jovem, adulto... todos com grandeza.
Hora sem relógio e presença do tempo.
Intervalo vazio de tarefas e pleno de sentido.
Inspiração, celebração, conexão.
Momentos de saúde, paz e amor. Tintim!
Deborah Dubner
Não sei se ainda tá valendo mais dou agora minha parte da colheita:
Vou simplesmente digitar meus pensamentos que já apresentei lá no dia.
Acho que foi uma experiência super divertida que reforçou ainda mais para mim a força do trabalho em grupo.
Já cozinhei muito sozinho e vi como fica mais dinâmico, rápido, menos cansativo e mais divertido cozinhar em um grupo grande.
Até lavar fica gostoso. Bom, foi isso que aprendi nessa aula diferente.
Daniel Bueno
Daniel Bueno

Olhares, trocas, silêncio, barulho, música, brincadeiras....
Momentos do coletivo, momentos do indivíduo
Todos souberam quais eram seus respectivos papéis e responsabilidades.
Colhemos o melhor: comida com amor universal, regados com uma energia incrível.
Obrigada
Daia Mistieri


Todo mundo metendo a colher em tudo...
No som, na comida, na mesa, em detalhes...
Cada um encontrando o seu espaço, todos compondo uma deliciosa massa...
Um olhar diferente para as coisas de sempre: farinha, batata, maçã, farinha
Dá-lhe farinha!
Tempo para saborear a fome, o imprevisto, o cheiro na cozinha
Da combinação de temperos, sugestões, sentimentos e mãos
Boas conversas, risadas e comida boa ao paladar
Corpo e alma bem nutridos
Alimento pra digerir e saborear por semanas.
Mari Torres


Algumas frases na fala de algumas pessoas:
"Tudo fica mais fácil e vai mais rápido em grupo..." Daniel Bueno
"Experiência para sair da zona de conforto conscientemente..." Daia Mistieri
"Quando você entende você aprende" João Pedro
"Em pouco tempo ela [minha filha] já estava sendo ela" Sandra Paz
"Tudo no seu devido tempo, nem rápido, nem devagar, abraçando os imprevistos."

Tenho pensado nessa coisa de pequenas ações para mudar o mundo. Numa semana onde acontecerão conversas de gente graúda em Copenhagem para discutir as mudanças climáticas no mundo, eu resolvi colaborar de um jeito caipira: coloquei um balde no box do chuveiro para aproveitar a agua que cai enquanto o banho esquenta e usar esta água na descarga do vaso sanitário. Uma verdadeira bobagem. Mas eu me sinto feliz fazendo essa solitária economia de água testemunhado apenas pelos azulejos do banheiro.
E na Cozinha do Tintim senti a mesma felicidade entre jovens e adultos numa dança de gestos, risos, ovos, batatas, conversas, farinha, tomates e maças. Diversidade de gente e de sabores. Encontrei as coisas que eu imagino ter no mundo dos meus sonhos. Cooperação, alegria e movimento. E a forma espontânea e livre de participar do acontecer das coisas, com mínimas instruções de um Chef e uma clara orientação do para onde ir foi o bastante para sentir uma alegria silenciosa. E parece que ela circulou entre todos nós.
Traduzimos de modo natural o cuidar do grande cuidando do pequeno em cada gesto na cozinha. E talvez cuidar do mundo possa ser cuidar de cada pequeno pedaço desse mundo, cuidar de cada pessoa que pertence ao nosso mundo e de cada interação que temos com as coisas do mundo. Água, batata ou gente.
Agora e sempre um brinde pela saúde do nosso mundo: TINTIM!!
José Bueno
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Ciclocidade, bicicletada e maratona
Deve ser algum trígono poderoso entre Mercúrio, Júpiter e Marte ...
Na sexta feira participei da fundação da Ciclocidade, uma associação de ciclistas urbanos em São Paulo. Daqui para frente não seremos apenas ciclistas, apaixonados ou ativistas por um cidade mais limpa e com menos carros. A representatividade de uma associação organizada de modo formal foi um passo importante. Me senti orgulhoso em estar lá aprovando a ata de fundação como um dos 100 sócio-fundadores presentes. Esperando o que? Associe-se também: www.ciclocidade.com.br


by Mathias
Mais fotos de Edugreen @ Flickr: http://www.flickr.com/photos/edugreen/sets/72157622880465680/show/with/4135512685/
Na sexta me juntei ao grupo que faz Bicicletada, ou movimento Massa Crítica, como quiser. Cheguei na Praça do ciclista onde é feita a largada na companhia dos meus bike-padrinhos: o João Paulo e a Evelyn, duas figuras adoráveis que fizeram este ano a travessia Berlin-Copenhagem na pedalada. 800 km em 10 dias. Já começa a me dar vontade de pensar num roteiro para fazer no ano que vem. Por hora é pedalar muito e conhecer os roteiros aqui no Brasil e na Europa. JP, Evelyn e eu pedalamos juntos de Pinheiros até a esquina da av. Paulista com a rua da Consolação. Exatamente na hora da largada caiu um temporal e aguardamos parar a chuva para largar. Umas 200 pessoas talvez. O ponto alto foi cerca de uma hora depois: a invasão do Shopping Vila Olimpia, recentemente inaugurado com centenas de vagas para carros e ... sem bicicletário. De repente, estavamos todos no estacionamento vazio do shopping cercados de seguranças que se perguntavam: quem é o responsável por esta zona? A resposta era fácil: aquele ali de bicicleta. Logo fomos embora sem tirar nenhum pedaço e com uma sensação de missão cumprida. Valeu a noite.


No domingo, provocado pelo Pablo sai de casa de manhã para pedalar com o grupo que todo domingo se encontra na FNAC. Choveu muito pela manhã e ainda garoava quando sai de casa. Mas às 9h30 o clima tava perfeito e lá fui eu. Sem o Pablo. Durante o trajeto que durou 42km (nunca havia imaginado pedalar tanto...) entendi o slogan estampado nas camisetas amarelas desta tribo: vai quem quer, volta quem pode! Yes, I can!!!!! Na segunda eu tava moído e até o maxilar doía. Mas hoje é terça e está tudo bem. Especialmente as costas e a bunda.
Na sexta feira participei da fundação da Ciclocidade, uma associação de ciclistas urbanos em São Paulo. Daqui para frente não seremos apenas ciclistas, apaixonados ou ativistas por um cidade mais limpa e com menos carros. A representatividade de uma associação organizada de modo formal foi um passo importante. Me senti orgulhoso em estar lá aprovando a ata de fundação como um dos 100 sócio-fundadores presentes. Esperando o que? Associe-se também: www.ciclocidade.com.br

by Mathias
Mais fotos de Edugreen @ Flickr: http://www.flickr.com/photos/edugreen/sets/72157622880465680/show/with/4135512685/
Na sexta me juntei ao grupo que faz Bicicletada, ou movimento Massa Crítica, como quiser. Cheguei na Praça do ciclista onde é feita a largada na companhia dos meus bike-padrinhos: o João Paulo e a Evelyn, duas figuras adoráveis que fizeram este ano a travessia Berlin-Copenhagem na pedalada. 800 km em 10 dias. Já começa a me dar vontade de pensar num roteiro para fazer no ano que vem. Por hora é pedalar muito e conhecer os roteiros aqui no Brasil e na Europa. JP, Evelyn e eu pedalamos juntos de Pinheiros até a esquina da av. Paulista com a rua da Consolação. Exatamente na hora da largada caiu um temporal e aguardamos parar a chuva para largar. Umas 200 pessoas talvez. O ponto alto foi cerca de uma hora depois: a invasão do Shopping Vila Olimpia, recentemente inaugurado com centenas de vagas para carros e ... sem bicicletário. De repente, estavamos todos no estacionamento vazio do shopping cercados de seguranças que se perguntavam: quem é o responsável por esta zona? A resposta era fácil: aquele ali de bicicleta. Logo fomos embora sem tirar nenhum pedaço e com uma sensação de missão cumprida. Valeu a noite.


No domingo, provocado pelo Pablo sai de casa de manhã para pedalar com o grupo que todo domingo se encontra na FNAC. Choveu muito pela manhã e ainda garoava quando sai de casa. Mas às 9h30 o clima tava perfeito e lá fui eu. Sem o Pablo. Durante o trajeto que durou 42km (nunca havia imaginado pedalar tanto...) entendi o slogan estampado nas camisetas amarelas desta tribo: vai quem quer, volta quem pode! Yes, I can!!!!! Na segunda eu tava moído e até o maxilar doía. Mas hoje é terça e está tudo bem. Especialmente as costas e a bunda.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Ilusão de ótica
Responda rápido: o que você está vendo?
Pois é. Depois de deixar meu carro na garagem por um mês, tenho adotado a prática de estudar o roteiro dos meus destinos antes de sair de casa. E faço um certo plano que inclui de tudo um pouco. Outro dia fui do Butantã para uma reunião no Hub de bicicleta. O Hub fica na Bela Cintra, do lado centro, na altura do cemitério da Consolação. Sai de lá no fim do dia e tinha um compromisso no SENAC da rua Dr. Vila Nova no centro. Chovia uma chuva fina e já era noite. Estacionei a bicicleta no Estapar do Colégio São Luis, um dos muitos bicicletários gratuitos que tenho mapeado pela cidade. Desci para o centro de onibus em 5 minutos, o mesmo tempo da volta uma hora mais tarde. Voltei a pegar a bike para descer para o Dojo, já sem chuva. Um prazer especial deslizar por uma avenida Rebouças sem muito transito. Por fim, voltei para casa de carona com Daia que passou por lá ao final do treino das 20h e deixei a bike estacionada no Dojo.Tem sido assim. Um pouco de metrô, bicicleta, caminhadas, onibus, trem, caronas e também, por que não? o uso do carro como uma das alternativas. Não mais a única. E nesse mover pela cidade é claro que piso em calçadas detonadas. Minha sensação é que, fora a rua Oscar Freire, todas calçadas em São Paulo são zoadas. É um chão de ninguém. Ninguém arruma. Alguém vai lá faz um conserto, uma obra, abre um buraco, mexe e depois deixa lá do jeito que ficou. As ruas também não ficam atrás. Em cima de uma bicicleta os buracos e irregularidades da pista ficam 10 vezes maiores e não dá para cochilar. Como nas calçadas, vai tudo muito bem até que topamos com uma cratera. Ou várias. Tudo isso é bom para desenvolver a atenção. Não dá para andar e ficar falando no celular, pensando na vida e desligado do mundo. Tem que olhar com vontade, ficar esperto para não vacilar. Tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e ausência de atenção é sinônimo de perigo.
A foto acima é na recepção de uma empresa. Uma empresa para quem prestei serviços em parceria com a Bernhoeft, digo Höft Consultoria. Cheguei lá de trem, vindo da Estação Berrini. Uma rápida (e rara) caminhada pela Marginal Pinheiros e logo estava na empresa onde a recepcionista educada me pediu para aguardar no ambiente ao lado com poltronas vermelhas. Relaxei e caminhava em direção às janelas para observar a vista antes de sentar e ...%#@&%!$#$!*&$%#&@!!!! Enfiei a canela numa mesa que apareceu do nada e por sorte não caio de barriga no tampo de vidro preto apoiado na mesa preta sobre o chão preto! Preto brilhante para piorar. Três pessoas estavam sentadas logo em frente, possivelmente preparando coisas para alguma reunião em seguida, e manifestaram um estranho apoio: - Deve ter doído ... E voltaram a conversar entre si. Eu só queria gelo. Lembrei que a canela é o lugar mais desprotegido do corpo. É pele e logo osso. Não tem nenhum recheio que amorteça uma canelada... Ficou amarelo e vermelho na hora. Logo ficou roxo e inchado. Tudo que eu queria era gelo e que trocassem a mesa da recepção. Branca de preferência. Imaginei o que poderia acontecer se fosse uma pessoa idosa. digo, mais idosa. Depois de alguma burocracia para ir para o ambulatório, recebi enorme atenção de todos da empresa. Em especial da Michele, do Felipe, da equipe do ambulatório e de um bombeiro que não sei o nome. Tudo aconteceu em um prédio recém-inaugurado, com muitos ajustes sendo feitos na instalação em novo ambiente. No fundo, é natural que ocorra acidentes pequenos assim. É como machucado de sapato novo.
A curiosidade: me machuquei no momento que relaxei minha atenção. Na rua, entre buracos, lombadas, irregularidades no piso, gente e carro para todo lado e ruídos em geral talvez seja mais seguro que num lugar limpo, silencioso, iluminado, onde não é preciso estar 100 % presente. Sai de lá caminhando, agradecido pelo prestatividade de todos, e seguro em voltar para a rua.
domingo, 8 de novembro de 2009
Pausa (2)
Sinal Fechado
Letra e música de Paulinho da Viola composta em 1969.
– Olá! Como vai?
– Eu vou indo. E você, tudo bem?
– Tudo bem! Eu vou indo, correndo pegar meu lugar no futuro... E
você?
– Tudo bem! Eu vou indo, em busca de um sono tranqüilo...
Quem sabe?
– Quanto tempo!
– Pois é, quanto tempo!
– Me perdoe a pressa - é a alma dos nossos negócios!
– Qual, não tem de quê! Eu também só ando a cem!
– Quando é que você telefona? Precisamos nos ver por aí!
– Pra semana, prometo, talvez nos vejamos...Quem sabe?
– Quanto tempo!
– Pois é...quanto tempo!
– Tanta coisa que eu tinha a dizer, mas eu sumi na poeira das
ruas...
– Eu também tenho algo a dizer, mas me foge à lembrança!
– Por favor, telefone - Eu preciso beber alguma coisa,
rapidamente...
– Pra semana...
– O sinal...
– Eu procuro você...
– Vai abrir, vai abrir...
– Eu prometo, não esqueço, não esqueço...
– Por favor, não esqueça, não esqueça...
– Adeus!
– Adeus!
– Adeus!
Muitos pensam que a letra dessa música é um retrato da vida urbana na época da ditadura militar brasileira, que no ano anterior tinha realizado o seu pior evento até então ao suprimir os direitos constitucionais do cidadão através do AI-5. A ditadura acabou há tempos e um novo olhar nos mostra que esta obra não foi superada na forma, no conteúdo, na experiência estética e na abrangência de sua letra. Sinal Fechado faz mais sentido hoje do que quando foi composta. A estética fria e tensa não nos é mais tão estranha. É o hino do desencontro, do mundo contemporâneo, das cidades movimentadas, dos sinais fechados sempre presentes que nos forçam a observar as pessoas por dentro dos carros, da vida urbana, da necessidade de se buscar um lugar no futuro. Sinal Fechado já buscava seu lugar no futuro quando foi composta e certamente conseguiu.
FONTE: http://www.paulinhodaviola.com.br/portugues/a_musica/texto.asp?cat=4
Letra e música de Paulinho da Viola composta em 1969.
– Olá! Como vai?
– Eu vou indo. E você, tudo bem?
– Tudo bem! Eu vou indo, correndo pegar meu lugar no futuro... E
você?
– Tudo bem! Eu vou indo, em busca de um sono tranqüilo...
Quem sabe?
– Quanto tempo!
– Pois é, quanto tempo!
– Me perdoe a pressa - é a alma dos nossos negócios!
– Qual, não tem de quê! Eu também só ando a cem!
– Quando é que você telefona? Precisamos nos ver por aí!
– Pra semana, prometo, talvez nos vejamos...Quem sabe?
– Quanto tempo!
– Pois é...quanto tempo!
– Tanta coisa que eu tinha a dizer, mas eu sumi na poeira das
ruas...
– Eu também tenho algo a dizer, mas me foge à lembrança!
– Por favor, telefone - Eu preciso beber alguma coisa,
rapidamente...
– Pra semana...
– O sinal...
– Eu procuro você...
– Vai abrir, vai abrir...
– Eu prometo, não esqueço, não esqueço...
– Por favor, não esqueça, não esqueça...
– Adeus!
– Adeus!
– Adeus!
Muitos pensam que a letra dessa música é um retrato da vida urbana na época da ditadura militar brasileira, que no ano anterior tinha realizado o seu pior evento até então ao suprimir os direitos constitucionais do cidadão através do AI-5. A ditadura acabou há tempos e um novo olhar nos mostra que esta obra não foi superada na forma, no conteúdo, na experiência estética e na abrangência de sua letra. Sinal Fechado faz mais sentido hoje do que quando foi composta. A estética fria e tensa não nos é mais tão estranha. É o hino do desencontro, do mundo contemporâneo, das cidades movimentadas, dos sinais fechados sempre presentes que nos forçam a observar as pessoas por dentro dos carros, da vida urbana, da necessidade de se buscar um lugar no futuro. Sinal Fechado já buscava seu lugar no futuro quando foi composta e certamente conseguiu.
FONTE: http://www.paulinhodaviola.com.br/portugues/a_musica/texto.asp?cat=4
domingo, 1 de novembro de 2009
No beef, no beer, no bread
Hoje é 1º de novembro, escrevo da varanda da casa de meus primos Fernando e Nicole, na companhia especial de tios queridos Fernando e Maria Tereza. E começo hoje um novo jogo que irá até o final do ano. Adoro carne, adoro uma cerveja e adoro pão. Não tenho nenhum plano de me tornar vegetariano, abstêmio ou nunca mais comer um paozinho. E tão pouco quero defender alguma causa ou uma dieta BBB. Quero somente jogar o jogo de me descolar de hábitos aos quais me sinto grudado, sentir que tenho escolhas e descobrir prazer em outros lugares.

Sem dúvida a experiência de deixar o carro foi uma inspiração. Abrir mão do carro por um mês não significou ficar parado e não chegar aos compromissos. A experiência abriu uma enorme quantidade de possibilidades e relações que não fazia a menor idéia. Fora as conversas aqui e ali sobre a grande aventura: viver em São Paulo e ser feliz.
Pareceu provocação o nome do restaurante onde fomos comer hoje: O Rei do Filet. Na mesa aqueles pãezinhos franceses, duas picanhas ao ponto e, claro, chopp por todo lado. Tentei me divertir com o molho de cebola e a salada como entrada. Em seguida, dividi um prato grande de abadejo com molho de camarão invisível com meu primo. Para beber, água, gelo e limão e uma caipiroska. O melhor de tudo foi saber que tinha companhia nesse jogo e não sabia. Acabo de ler que somos dois: eu e Claudio de Salvador. Show! E aproveito aqui para propor um dia semanal para relaxar o jogo, ou seja, um dia por semana permitido para o paozinho, a breja e a carne. Pelo menos em novembro. Que tal, Claudio?


Um aluno no Dojo e outro amigo via facebook logo brincou comigo quando soube dos planos de no beef, no beer, no bread me perguntando: no fun? Ao contrário! Lots of fun senão não teria graça. Tudo isso é muito mais pelo prazer que pelo sacrifício. Prazer de me sentir livre e quem sabe lá no final ... no belly!

Sem dúvida a experiência de deixar o carro foi uma inspiração. Abrir mão do carro por um mês não significou ficar parado e não chegar aos compromissos. A experiência abriu uma enorme quantidade de possibilidades e relações que não fazia a menor idéia. Fora as conversas aqui e ali sobre a grande aventura: viver em São Paulo e ser feliz.
Pareceu provocação o nome do restaurante onde fomos comer hoje: O Rei do Filet. Na mesa aqueles pãezinhos franceses, duas picanhas ao ponto e, claro, chopp por todo lado. Tentei me divertir com o molho de cebola e a salada como entrada. Em seguida, dividi um prato grande de abadejo com molho de camarão invisível com meu primo. Para beber, água, gelo e limão e uma caipiroska. O melhor de tudo foi saber que tinha companhia nesse jogo e não sabia. Acabo de ler que somos dois: eu e Claudio de Salvador. Show! E aproveito aqui para propor um dia semanal para relaxar o jogo, ou seja, um dia por semana permitido para o paozinho, a breja e a carne. Pelo menos em novembro. Que tal, Claudio?

Um aluno no Dojo e outro amigo via facebook logo brincou comigo quando soube dos planos de no beef, no beer, no bread me perguntando: no fun? Ao contrário! Lots of fun senão não teria graça. Tudo isso é muito mais pelo prazer que pelo sacrifício. Prazer de me sentir livre e quem sabe lá no final ... no belly!
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Aprender a morrer
A experiência de deixar o carro na garagem em setembro e achar outros jeitos de me mover na cidade, abriu uma avenida de descobertas. Tenho muita coisa para contar e o que me falta é tempo para organizar tudo que ganhou uma clareza maior para mim.
Antes de tudo quero falar de dessa coisa que parece tão simples: mudar um hábito. Deixar o carro na garagem me levou a mexer em outras coisas, por exemplo, o jeito de me vestir. Acessórios que não usava nunca como capa, guarda-chuva, mochila e o chapéu que ganhei da Mariana no meu ultimo aniversário. E passei a usar botas impermeáveis. Visitas ao site do SPTrans para estudar o trajeto e uma espiada no site do Climatempo passaram a ser fundamentais para planejar o dia. Ouvi uma pérola sobre o tempo maluco desta cidade: se você não gosta do clima em São Paulo, espere 15 minutos ...
Quando saio de bicicleta, e isso acontece normalmente às segundas e quartas, o traje é outro. Short almofadado, luvas, capacete, tenis e novamente a mochila onde guardo uma capa de chuva, uma cueca, uma camiseta e um desodorante. Também carrego meu bloco de rabiscos e anotações, uma camera digital e um livro leve.
Para circular a pé, de ônibus ou de bicicleta, o corpo tem que estar em cima. São Paulo tem ladeiras, escadarias, buracos na rua e na calçada, os pontos de onibus não estão na porta da casa nem no lugar exato do destino e deixar o carro de lado envolve ter fôlego e pernas. Para chegar em casa no alto do Butantã eu encaro ou a ladeira ou a escadaria. Já me peguei algumas vezes botando a bike no ombro para subir os 100 degraus da Vila Indiana. Ficar sem carro ajuda a saber como anda a saúde. Logo o corpo avisa como estão os joelhos, a coluna, o coração, os pulmões e a circulação. Acredito que ser sustentável - palavra da hora e fácil de encontrar por aí- começa em cuidar do próprio corpo.
Sem carro encontrei pessoas e lugares nunca vistos, muito mais que os buracos e barulhos da cidade. Isto para mim seria motivo suficiente para deixar para sempre o carro na garagem. Carro demais cega, ensurdece e isola. Entre muitas histórias de encontros e descobertas pela cidade, ontem, num intervalo de duas horas, cruzei com duas pessoas que não via há muito tempo, Thales Trigo e José Passarinho. O primeiro foi meu professor de ótica no cursinho e hoje é dono de uma escola de fotografia em Pinheiros. O segundo, contemporaneo da época da FAU, hoje é consultor da Positioning e conhecido do público em geral pela sua presença em peças publicitárias do Itaú. Encontrei os dois andando de bicicleta por Pinheiros e foram duas conversas diferentes. Uma breve, a outra longa e inspiradora. Na porta da Fnac, conversei com Passarinho sobre várias coisas entre elas minha experiência como blogueiro desde maio deste ano. Terminei o papo encorajado a seguir escrevendo a despeito de achar que ninguém lê o que escrevo. Sério. Tenho a sensação de estar jogando garrafas ao mar ... alguém ai tá lendo?

E o que isso tudo tem a ver com aprender a morrer?
Volto aos insights do Setembro sem Carro. Deixar um hábito é morrer um pouco. E acho que a dificuldade de mudar um hábito pessoal ou social é porque se requer a capacidade de saber morrer. Simples assim: é difícil mudar por que mudar é morrer. Ninguém gosta de morrer, de deixar de lado coisas que fizeram parte de uma vida. Todo mundo fala das mudanças necessárias para uma vida melhor, para uma cidade melhor, para um mundo melhor. Mas quem aceita mesmo o jogo de morrer um pouco? Quem topa deixar na estrada um velho hábito? E quem disse que morrer para um hábito será um sofrimento. Que tal prazer? Um prazer associado a sensação de liberdade e independência.
Quero continuar esse jogo de brincar de morrer um pouco todo dia. Mexer com hábitos como um exercício lúdico de desapego. Uma auto-provocação para procurar outras formas para atender minhas necessidades de comer, mover, relacionar, aprender, divertir, etc. Quem sabe um grande treino para desapego final?
E se subir escadas fosse mais divertido que pegar a escada rolante?
Começo a desenhar um novo jogo: no beef, no beer, no bread. Dois meses deixando de lado três coisas que adoro: carne, cerveja e pão. Simplesmente um jogo de liberdade. Um amigo já reagiu dizendo: No fun? Ao contrário! Lots of fun. No belly!!!! Quero continuar a subir escadas, correr e pedalar, seguir minha pratica de Aikido e chegar aos 50 anos leve. E não vou deixar de comer outras carnes como frango, porco e peixe. Elegi a carne vermelha depois de saber que 1 kg de carne consome 14.000 litros de água para serem produzidos, que a Amazônia esta virando um imenso pasto, que a quantidade de bois ultrapassa o numero de gente no Brasil e que o gás metano do nosso gado polui mais que o CO2 dos carros. E vou deixar as cervejas de lado mas não os vinhos. Deixarei os pães mas não as massas. No fundo a pergunta é: como seria passar dois meses sem estas três coisas? Deliberadamente e com prazer.
Anos atrás participei de uma experiencia única chamada Kyol Che: sete dias de retiro de silêncio. Vaca amarela total! Alguns me disseram: - Ah, se eu fizer isso eu fico louco! Ao voltar minha percepção era bem diferente: fazer isso de vez em quando é uma ótima maneira de não ficar louco ...
Logo trago mais detalhes do novo jogo.
No beef, no beer, no bread. 1º de novembro à 31 de dezembro.
Alguém topa vir comigo?
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Setembro sem carro - dia 22
Você sabe que dia é hoje? Com essa frase eu fazia o primeiro contato com motoristas desconfiados que passavam de carro pela Av. Paulista. Pois é, fui visitar a esquina onde o Movimento Nossa São Paulo montou uma tenda para divulgar o Dia Mundial sem Carro provocando o pensar sobre mobilidade urbana na cidade. Assim que cheguei encontrei Oded Grajew panfletando, o Mauricio Broinisi e a Luanda Nera que me ofereceu duas camisetas do DMSC, uma para Daia e outra para mim. Percebi que a panfletagem estava sendo feita nas calçadas para pedestres que transitavam pela avenida mais famosa de São Paulo. Perguntei se alguem estava distribuindo folhetos para motoristas e ouvi que a maioria estava de vidros fechados por conta da chuva que caia no meio da tarde. Como quando cheguei a chuva tinha dado uma pausa, arrisquei pegar alguns folhetos e panfletar no canteiro central da Av. Paulista. Fiquei lá entre 16h e 18h, com folhetos na mão e usando uma máscara para encarar a fumaça entre os carros que não é pouca não. No fim da noite, durante o treino de Aikido, respirava com alguma dificuldade e é claro que tem alguma relação com as duas horas passadas no meio dos carros.

17h00 - na av. Paulista em frente ao Conjunto Nacional
Você sabe que dia é hoje? Era o mote para me aproximar com o logo do Dia Mundial sem Carro estampado na camiseta. Muitos não queriam conversa alguma com um careca mascarado. Devia ser uma imagem meio assustadora. Outros logo percebiam que era uma aproximação inofensiva e abriam seus vidros e seus sorrisos. Quando percebia que o motorista relaxava ao saber que eu não era um vendedor nem um assaltante eu engatava uma segunda pergunta: Você acha que dá para passar um dia por ano sem carro? Essa pergunta ajudava a apresentar a idéia central do DMSC: deixar o carro na garagem por um dia. Houve muitas interações legais, gente consciente, gente respeitosa e também gente travada. Bem travada. No fundo, o dia de hoje foi um dia que ajudou a trazer um pouco de luz sobre o uso racional do carro na cidade como parte da solução de um problema tão complexo. Algumas pessoas, homens e mulheres, mostravam-se tão fechados nos seus carros e por alguns instantes eu me senti como o limpador de vidros, o vendedor de chiclete, o malabarista do farol que a maioria não dá a menor pelota. Pessoas que simplesmente não querem ser incomodadas por nada e ninguém. Querem apenas chegar ao lugar para que se dirigem sem serem interrompidas. Imagino que estas pessoas devam ser assim também em elevadores. Deve ser uma experiencia perturbadora por longos segundos: ver, ouvir e sentir pessoas estranhas tão perto. Será que as pessoas relaxariam se houvesse um Dia Mundial sem Medo?
Ele cantava na avenida enquanto eu panfletava
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Setembro sem carro - dia 18
Hoje cedo a Band TV me acompanhou desde cedo registrando imagens para uma matéria especial sobre o Dia Mundial sem Carro - 22 de setembro. Algumas pessoas tem comentado que não tem nada de mais andar a pé pela cidade e muitos fazem isso há muito tempo. É verdade. Que não tem nada de mais pegar metro, andar de bicicleta e outros muitos fazem isso também há muito tempo. Concordo. Outro comentário anônimo mas legítimo questionou se tudo isso não é puro marketing. Também concordo. Logo pode aparecer alguém dizendo que não usar o carro é um jeito de chamar a atenção. Claro que é. Chamar a atenção para um novo comportamento. Buscar outras maneiras de se locomover por São Paulo durante um mês e escrever sobre isso faz bem antes de tudo para mim mesmo. Não defendo nenhuma causa ambiental e não pretendo pregar que todos devam abandonar seus carros na garagem. Mas talvez alguém se anime. Talvez alguém se arrisque a jogar o jogo de buscar outros meios de se deslocar pela cidade. Eu me considero uma pessoa atenta, interessada pelo desenvolvimento integral do ser humano, pela qualidade das relações entre as pessoas, por arte e educação, por questões de sustentabilidade e exercício da cidadania e levei 30 anos para me dar conta que não dá para continuar a pensar o uso do carro como sempre pensei! Estou falando da cegueira de uma pessoa que se deu conta que era absolutamente viciada em usar o carro. Sinto que estou deixando o carro de lado como quem se livra de uma dependência. Se São Paulo se beneficiar com isso, ótimo! Por hora a única certeza é que estou me sentindo mais livre e mais feliz. E isso é bom.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Setembro sem carro - dia 11
Hoje eu usarei o carro. Logo mais viajo para o Rio de Janeiro com Daia, Henrique e Guillermo. Chegando lá, pretendo encostar o carro em alguma garagem e seguir o fim de semana a pé. O Circulo de Aikido é em Ipanema e caminhar pelas calçadas do Rio é muito mais agradável que em São Paulo. Vou conhecer as instalações do SESC em Copacabana e esta escolha me faz lembrar do Ricardo Sugahara que sempre ficava lá quando ia fazer a Meia Maratona do Rio. Muita saudade dele. Henrique e Guillermo ficarão onde já fiquei meses atrás, na casa de Luis Gentil no Jardim Botanico. Vitor e Guillerme, outros dois faixas-pretas do Dojo também estarão por lá e hoje à noite estaremos todos no tatame para um Yudanshakai.
Dia 9. Na quarta-feira levantei mais cedo e encarei uma corrida até o Dojo para começar o dia. Não sei se por uma pequena escoliose ou por alguma diferença no tamanho das alças da mochila que carregava, passei 30 minutos correndo e suspendendo uma das alças. Uma bobagem suficiente para ocupar a cabeça por todo percurso e ficar pensando a diferença que faz ter um ombro mais baixo que outro ... Na proxima quarta, dia 16, pretendo fazer o percurso de casa ao Dojo, correndo por dentro da USP. E com outra mochila! Até o fim do mês, devo fazer o mesmo trajeto também de bicicleta.
Linha expressa e Aikido. No final da tarde descobri uma nova linha que circula pela USP e ao atravessar o portão, segue sem parar até a estação Vila Madalena do Metro. O que fez enorme diferença para chegar em tempo na Estação Brigadeiro para nova sessão do Bun Bu Ryo Do, o Pincel e a Espada, na Palas Athena. Mereceria escrever um pouco sobre este encontro que foi todo no tatame, passando três princípios básicos da arte Aikido: perceber, aceitar e acolher o outro. Antonio Goper, aluno e artista plástico, foi uma presença especial na classe e ainda mais especial pela carona que me ofereceu ao final. Somos vizinhos da Vila Indiana!

Dia 10. Transgressão e churrasco. Depois de uma espera no ponto da Corifeu por 20 minutos, tomei a linha 715.V-10 / Santa Cruz com destino ao Parque do Ibirapuera para participar de um programa oferecido pela UMAPAZ: Transgredir é preciso. O trajeto era muito mais longo que o necessário e saltei na rua Iguatemi para pegar um taxi e chegar no horário de início. Tenho compartilhado o sentimento Tarzan de navegar pela cidade usando vários cipós: onibus, metrô, taxi, caminhada e carona. O importante é se mover e chegar onde necessario. E sempre tem um cipó perto da mão. Perto das 13h, subi de carona até a Estação Paraiso rumo ao Terminal Rodoviário do Tiete. Nem passou pela minha cabeça pegar o carro para almoçar com meu filho Daniel na república das tias onde ele mora com outros amigos na Unicamp. 1h40 de Cometa até Campinas mais 1h de onibus urbano até a reitoria e às 16h estava lá para o churrasco! Faminto confesso. Bateu uma agonia ao ver que as linguiças estavam ainda cruas sobre a brasa ... e logo teria que voltar para São Paulo. Descobri que há uma linha chamada Massa Crítica que vai da Unicamp até a Praça Panamericana e com isso ganharia um bom tempo. Suficiente para assar as linguiças e esperar pela carne que começava a ser salgada. Deu tudo certo. Além de muita salada comi as carnes feitas por dois argentinos que moram na república: Frederico e Nicholas. Na chegada na Pça. Panamericana, Daia me espera de carro e chego ao Dojo à tempo para o treino das 20h. Fim de noite no Filial da Vila Madalena. Dia longo.



Adianto as minhas primeiras impressões sobre a circulação pela cidade sem carro. Além de mexer com o apego a um modo único de pensar a mobilidade, ou seja, ir de carro, andar sem carro requer uma mudança na forma de se relacionar com o corpo, o tempo, o espaço e as pessoas. Pede pernas e mais agua, objetividade e planejamento, atenção às alternativas de chegada e saída, paciência e muito mais contato e interação com pessoas. Mas isso tudo merecerá um texto exclusivo, talvez no meio da jornada, lá pelo dia 15/09.
Dia 9. Na quarta-feira levantei mais cedo e encarei uma corrida até o Dojo para começar o dia. Não sei se por uma pequena escoliose ou por alguma diferença no tamanho das alças da mochila que carregava, passei 30 minutos correndo e suspendendo uma das alças. Uma bobagem suficiente para ocupar a cabeça por todo percurso e ficar pensando a diferença que faz ter um ombro mais baixo que outro ... Na proxima quarta, dia 16, pretendo fazer o percurso de casa ao Dojo, correndo por dentro da USP. E com outra mochila! Até o fim do mês, devo fazer o mesmo trajeto também de bicicleta.
Linha expressa e Aikido. No final da tarde descobri uma nova linha que circula pela USP e ao atravessar o portão, segue sem parar até a estação Vila Madalena do Metro. O que fez enorme diferença para chegar em tempo na Estação Brigadeiro para nova sessão do Bun Bu Ryo Do, o Pincel e a Espada, na Palas Athena. Mereceria escrever um pouco sobre este encontro que foi todo no tatame, passando três princípios básicos da arte Aikido: perceber, aceitar e acolher o outro. Antonio Goper, aluno e artista plástico, foi uma presença especial na classe e ainda mais especial pela carona que me ofereceu ao final. Somos vizinhos da Vila Indiana!

Dia 10. Transgressão e churrasco. Depois de uma espera no ponto da Corifeu por 20 minutos, tomei a linha 715.V-10 / Santa Cruz com destino ao Parque do Ibirapuera para participar de um programa oferecido pela UMAPAZ: Transgredir é preciso. O trajeto era muito mais longo que o necessário e saltei na rua Iguatemi para pegar um taxi e chegar no horário de início. Tenho compartilhado o sentimento Tarzan de navegar pela cidade usando vários cipós: onibus, metrô, taxi, caminhada e carona. O importante é se mover e chegar onde necessario. E sempre tem um cipó perto da mão. Perto das 13h, subi de carona até a Estação Paraiso rumo ao Terminal Rodoviário do Tiete. Nem passou pela minha cabeça pegar o carro para almoçar com meu filho Daniel na república das tias onde ele mora com outros amigos na Unicamp. 1h40 de Cometa até Campinas mais 1h de onibus urbano até a reitoria e às 16h estava lá para o churrasco! Faminto confesso. Bateu uma agonia ao ver que as linguiças estavam ainda cruas sobre a brasa ... e logo teria que voltar para São Paulo. Descobri que há uma linha chamada Massa Crítica que vai da Unicamp até a Praça Panamericana e com isso ganharia um bom tempo. Suficiente para assar as linguiças e esperar pela carne que começava a ser salgada. Deu tudo certo. Além de muita salada comi as carnes feitas por dois argentinos que moram na república: Frederico e Nicholas. Na chegada na Pça. Panamericana, Daia me espera de carro e chego ao Dojo à tempo para o treino das 20h. Fim de noite no Filial da Vila Madalena. Dia longo.



Adianto as minhas primeiras impressões sobre a circulação pela cidade sem carro. Além de mexer com o apego a um modo único de pensar a mobilidade, ou seja, ir de carro, andar sem carro requer uma mudança na forma de se relacionar com o corpo, o tempo, o espaço e as pessoas. Pede pernas e mais agua, objetividade e planejamento, atenção às alternativas de chegada e saída, paciência e muito mais contato e interação com pessoas. Mas isso tudo merecerá um texto exclusivo, talvez no meio da jornada, lá pelo dia 15/09.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Setembro sem carro - dia 3
Ontem o dia terminou no aniversário de um ano da Ekoa, o café/restaurante do Henrique e da Marisa na Vila Madalena. Cheguei da Palas Athena de metrô e caminhei por vinte minutos do final da linha verde até a Fradique Coutinho. Na boa, andar na cidade requer estar bem das pernas e topar subir e descer ladeiras. Eu gosto. Mas pensei nas mulheres que gostam de usar salto. Tem que trocar por um tenis ou outro calçado leve senão fica difícil caminhar na cidade.


Hoje tive reunião no Banco Real de tarde e lá fui eu de Jardim Miriam. Antes de sair me pergunto: Sapato ou tenis? Sapato ou tenis? Afinal seria uma reunião de trabalho, projeto novo, cliente novo. Decido pelo tenis. Por que para andar é de longe mais confortável e os na hora da reunião os pés ficam debaixo da mesa. Resultado: a reunião foi ótima e saimos felizes. Eu e meus pés.
Na volta para o Dojo, passo pelo Tribunal Regional Federal para visitar e clicar minha irmã Sandra entre pilhas de processos e prédios da av. Paulista. Às 17hrs já dava para ver que o céu desabaria em São Paulo e não estava preparado, digo, sem capa e sem guarda-chuva. Desço para visitar outros alunos que trabalham no TRF, Ana Lucia e Sérgio, e saio de lá às 19h depois de muita conversa boa. Uma chuva inofensiva na saída mas o transito pela av. Rebouças estava do jeito que o diabo gosta. Senti uma silenciosa satisfação em descer pelo corredor de onibus sem trânsito até o Shopping Eldorado. Daia me pega no Dojo para jantarmos juntos no Nello's e volto de carona para casa.
Amanhã cedinho pego o Airport Bus Service na av. Faria Lima com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos. Passarei o final de semana em Recife dividido entre visita aos aprendizes do Instituto Nossa Sra. de Fátima, treino para os alunos e instrutores do Aiki-PE e participação no seminário internacional com George Sttobaerts Sensei da Tenchi Internacional de Portugal. Os dias em Pernambuco são sempre iluminados pela amizade nordestina de Paulo Gurgel, Wilson Tenório e Mario Morato e as próximas notícias virão de lá.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Setembro sem carro - dia 1
Presbiopia. Ontem ainda era agosto mas a vontade de largar o carro já era de setembro. Tinha uma consulta com oftalmologista na Vila Mariana para avaliação de minha presbiopia. Sai de lá com nova receita: 2,25 OE / 2,50 OD. Disse ela que a vista cansada evolui até os 60 anos e chega no máximo a 3,00 ou 3,50. Mas o que me interessa aqui foi descobrir que um único onibus me levou do Butantã à porta do consultório na rua Borges Lagoa. 45 min. Acho que de carro ganharia uns 15 min ...
Açai. No caminho de volta depois de breve passagem pelo Colégio Bandeirantes, fui fisgado por esculturas de açai espalhadas em mesinhas no canto de um posto de gasolina próximo à estação Paraiso. Um lugar apertado, com fotos na parede de lutadores de vale-tudo e muita porrada sendo transmitida na TV. Numa delas assisti um tal de Damian ser nocauteado em menos de 10 segundos com um direto na testa! Achei incrivel nunca ter visto esse lugar - o Posto do Açai - e nunca ter entrado para conferir. Nova surpresa perceber que um dos clientes que traçava o açai junto ao filho numa das mesas era um antigo amigo. Sócio da confeitaria Jaber que faz a melhor esfiha de São Paulo.

Porrada e cidadania. Enquanto esperava pela minha tijela e espiava de esgueia competições de jiu-jitsu na TV, passei os olhos em duas publicações que trazia comigo. A última edição de Época São Paulo que traz como matéria de capa " Uma Cidade sem Carros". Coincidência demais, não? E um livro Zigmunt Bauman que ganhei de Felipe Fagundes: Confiança e Medo na Cidade.
Novos equipamentos: Comprei uma mochila leve da adidas para levar as coisas que farão parte do meu dia a dia em setembro: 1 moleskine de desenho, 1 desodorante, 1 cueca, 1 camiseta, 1 bilhete único, 1 camera digital, 1 livro, 1 estojo com 6 canetinhas da faber castell. Algo mais?
SPTRANS. Henrique Bussacos, pedestre convicto e grande amigo, me disse ontem que além de usar o 156 com frequencia para saber sobre linhas e itinerários, usa também o site do Sptrans. Hoje vou para Liberdade comprar pincéis e tintas para o Bun Bu Ryo Do na Palas Athena e estico para o Cambuci para buscar dogis encomendados. Usei o site e pasmei. Alem do itinérário e meio ideal para ir do Butantã à rua dos Lavapés, recebo a informação mastigada do tempo estimado em cada trecho, gasto com bilhetes e distancia que devo andar a pé até o destino final. Nunca havia usado isso antes e já virei fã. Vale uma conferida: http://200.99.150.170/PlanOperWeb/ABInfPriDivGWeb.asp
Trem. Aproveito para compartilhar a paisagem que vi na semana passada quando usei a linha ferroviária para ir até a sede da Hoft Consultoria na rua Alexandre Dumas. De repente São Paulo se mostrou romântica e daria uma bela aquarela.

Açai. No caminho de volta depois de breve passagem pelo Colégio Bandeirantes, fui fisgado por esculturas de açai espalhadas em mesinhas no canto de um posto de gasolina próximo à estação Paraiso. Um lugar apertado, com fotos na parede de lutadores de vale-tudo e muita porrada sendo transmitida na TV. Numa delas assisti um tal de Damian ser nocauteado em menos de 10 segundos com um direto na testa! Achei incrivel nunca ter visto esse lugar - o Posto do Açai - e nunca ter entrado para conferir. Nova surpresa perceber que um dos clientes que traçava o açai junto ao filho numa das mesas era um antigo amigo. Sócio da confeitaria Jaber que faz a melhor esfiha de São Paulo.

Porrada e cidadania. Enquanto esperava pela minha tijela e espiava de esgueia competições de jiu-jitsu na TV, passei os olhos em duas publicações que trazia comigo. A última edição de Época São Paulo que traz como matéria de capa " Uma Cidade sem Carros". Coincidência demais, não? E um livro Zigmunt Bauman que ganhei de Felipe Fagundes: Confiança e Medo na Cidade.
Novos equipamentos: Comprei uma mochila leve da adidas para levar as coisas que farão parte do meu dia a dia em setembro: 1 moleskine de desenho, 1 desodorante, 1 cueca, 1 camiseta, 1 bilhete único, 1 camera digital, 1 livro, 1 estojo com 6 canetinhas da faber castell. Algo mais?
SPTRANS. Henrique Bussacos, pedestre convicto e grande amigo, me disse ontem que além de usar o 156 com frequencia para saber sobre linhas e itinerários, usa também o site do Sptrans. Hoje vou para Liberdade comprar pincéis e tintas para o Bun Bu Ryo Do na Palas Athena e estico para o Cambuci para buscar dogis encomendados. Usei o site e pasmei. Alem do itinérário e meio ideal para ir do Butantã à rua dos Lavapés, recebo a informação mastigada do tempo estimado em cada trecho, gasto com bilhetes e distancia que devo andar a pé até o destino final. Nunca havia usado isso antes e já virei fã. Vale uma conferida: http://200.99.150.170/PlanOperWeb/ABInfPriDivGWeb.asp
Trem. Aproveito para compartilhar a paisagem que vi na semana passada quando usei a linha ferroviária para ir até a sede da Hoft Consultoria na rua Alexandre Dumas. De repente São Paulo se mostrou romântica e daria uma bela aquarela.

sábado, 29 de agosto de 2009
Setembro sem carro.
Ninguém precisa dizer que o trânsito em São Paulo caminha para o colapso. A av. Rebouças, entre outras, tende a um estacionamento gigante. Como nos Shoppings, imagino o dia que haverá uma cancela na entrada e outra na saída computando quanto tempo ficamos parados. Uma hora? Uma hora e meia? Duas horas? Usando o corredor de ônibus percebe-se uma multidão de pessoas solitárias e presas em seus carros. No Morumbi a cena é mais bizarra. Carros imensos entopem as avenidas e ruazinhas do bairro. Solidão chique encalacrada no mesmo engarrafamento diário. E as placas da CET pelas marginais devem rir de nós enquanto anunciam: 120 km de transito lento. 150 km. 200 km!
Ontem circulei de carro, de metrô e andei bastante a pé. Localizei um sentimento novo relativo ao uso do carro na minha cidade: VERGONHA. Senti vergonha em usar meu carro na cidade. Vergonha de ser visto ocupando um espaço imenso nas ruas e avenidas. Vergonha de poluir. Vergonha por ser um engarrafador de transito. Vergonha ao me perceber como causador do caos na cidade em que vivo.
Decisão: em setembro deixo meu carro na garagem para viver a vida na cidade a pé. Não vou me desfazer do carro nem deixar de usá-lo caso seja urgente. Mas quero aceitar o desafio de despoluir, de desengarrafar e de desapegar de um hábito grudado ao paulistano da classe média.
Por aqui vou registrar o dia a dia da experiência. Cada descoberta, frustração, buraco, diversão, encontros, cheiros, barulhos e imagens de um pedestre. No final do mês, dia 30/09, encerro a experiência de viver 30 dias sem usar o meu carro.
Ontem circulei de carro, de metrô e andei bastante a pé. Localizei um sentimento novo relativo ao uso do carro na minha cidade: VERGONHA. Senti vergonha em usar meu carro na cidade. Vergonha de ser visto ocupando um espaço imenso nas ruas e avenidas. Vergonha de poluir. Vergonha por ser um engarrafador de transito. Vergonha ao me perceber como causador do caos na cidade em que vivo.
Decisão: em setembro deixo meu carro na garagem para viver a vida na cidade a pé. Não vou me desfazer do carro nem deixar de usá-lo caso seja urgente. Mas quero aceitar o desafio de despoluir, de desengarrafar e de desapegar de um hábito grudado ao paulistano da classe média.
Por aqui vou registrar o dia a dia da experiência. Cada descoberta, frustração, buraco, diversão, encontros, cheiros, barulhos e imagens de um pedestre. No final do mês, dia 30/09, encerro a experiência de viver 30 dias sem usar o meu carro.
domingo, 23 de agosto de 2009
Feijão com Choro 2
Ontem reunimos amigos e amigas na Vila Indiana para fazer umas das três coisas boas da vidas: comer uma comida bem feita, conversar com pessoas de bem e ouvir boa música.
A feijoada deliciosa, com direito a uma panela especial para os vegetarianos, ficou por conta da Maria e da Zilda. A Maria é uma cozinheira de mão cheia, adora o que faz e é presença garantida nas próximas aventuras gastronômicas.
As pessoas de bem são os nossos amigos e amigas de muitos lugares: da FAU, do Dojo Harmonia, do Instituto Ethos e do ISA, do Morro do Querosene, da SOL, da Palas Athena e da família Marinho.
A boa música foi um presente dos meninos do choro. Meu filho Daniel - que também atende por Donizete ou apenas Doni, tocou o sete cordas de Gabriel, que tocou seu cavaquinho entre a flauta da Bia e os saxes (!) do Edu e do Marcio. João Serfozo se juntou ao Kyo para fazer a percussão no segundo pandeiro.
Um saboroso sábado em todos sentidos. Aguardem o próximo.





segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Pais e filhos
No sábado teve almoço especial na casa dos meus pais: Cozido feito pela mãe.
No domingo teve jantar especial com Daia, meus filhos Danilo e Daniel e suas respectivas namoradas, Ornella e Julia num restaurante chinês maravilhoso: o Ton Hoi.
Hoje, segunda-feira, teve café da manhã especial pós-treino no Dojo. Um tipo de drible na pressa paulistana trazendo um pouco de prosa e afeto para o começo da semana.
Começo assim o dia 10 de agosto inspirado e orgulhoso pelo sangue familiar e devo aos que lêem este blog uma mensagem menos furiosa que a última. Estico uma linha de tempo e colo abaixo a imagem do meu avô Francisco Bueno, que não conheci, cercado pelos filhos e netos. Meu avô Justiniano Rocha Marinho, que também não conheci, com minha querida avó Noemi. Um close de meu pai em foto recente. Em seguida algumas imagens do jantar de ontem à noite com meus filhos. Melhor que as ostras de cananéia, o wantan incomparável, as costelinhas agridoces e o macarrão shopsuey frito compartilhado em família foi ler e reler a carta escrita pelo Daniel. As palavras que me emocionaram ontem estão na última imagem por aqui. Aproveito e torno público o privilégio que sinto em pertencer ao rio dos Marinhos e dos Buenos que segue seu curso com meus filhos criando suas próprias vidas.






No domingo teve jantar especial com Daia, meus filhos Danilo e Daniel e suas respectivas namoradas, Ornella e Julia num restaurante chinês maravilhoso: o Ton Hoi.
Hoje, segunda-feira, teve café da manhã especial pós-treino no Dojo. Um tipo de drible na pressa paulistana trazendo um pouco de prosa e afeto para o começo da semana.
Começo assim o dia 10 de agosto inspirado e orgulhoso pelo sangue familiar e devo aos que lêem este blog uma mensagem menos furiosa que a última. Estico uma linha de tempo e colo abaixo a imagem do meu avô Francisco Bueno, que não conheci, cercado pelos filhos e netos. Meu avô Justiniano Rocha Marinho, que também não conheci, com minha querida avó Noemi. Um close de meu pai em foto recente. Em seguida algumas imagens do jantar de ontem à noite com meus filhos. Melhor que as ostras de cananéia, o wantan incomparável, as costelinhas agridoces e o macarrão shopsuey frito compartilhado em família foi ler e reler a carta escrita pelo Daniel. As palavras que me emocionaram ontem estão na última imagem por aqui. Aproveito e torno público o privilégio que sinto em pertencer ao rio dos Marinhos e dos Buenos que segue seu curso com meus filhos criando suas próprias vidas.






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