Foi um privilégio passar 12 horas debaixo de um toró de coisas legais durante o TEDxSP. E sou muito grato a todos que fizeram a idéia de um mundo melhor parecer algo tão perto e tão possível durante cada minuto naquele dia.
Ache uns minutinhos para assistir estes dois videos do TEDxSP.
Para mim, entre pessoas fantásticas, estes dois dão o tom do que aconteceu. Pouco a pouco os vídeos com cada uma das palestras está chegando e é só acompanhar por lá: http://www.tedxsaopaulo.com.br
Quando eu tinha 14 anos aconteceram duas coisas interessantes. Descobri uma escola de Yoga, o Instituto Narayama e comecei a frequentar a ECA para assistir peças de teatro na EAD onde minha irmã se formou atriz. Isso foi em 1974. Não acompanhei meus amigos do colégio e tomei gosto por teatro, política estudantil, asanas e meditação, vi o Lula parar fábricas no ABC, corri da cavalaria da polícia durante manifestações estudantis e era uma emoção forte acompanhar leituras dramáticas de textos proibidos que tinham palavrão! Pode? Me sinto alguem do século retrasado falando estas coisas mas é verdade. Meu pai tentou me recuperar me oferecendo uma viagem para Disney! Já não tinha mais volta. Queria mesmo era ir para India!!! Nem preciso dizer que não fui nem para Disney, nem para India ... e comecei a sonhar com um mundo diferente do mundo que me ofereciam.
Me formei arquiteto na USP e lá passei os cinco anos pesquisando o adobe, a taipa, as construções tradicionais em arcos e abóbodas, processos e materias construtivos alternativos. Era uma fantasia de estudante que não tinha nada a ver com a arquitetura que se pensava no Brasil. Veja só... Me afastei das pranchetas e tomei o caminho da educação pelo corpo. Me tornei professor da arte Aikido. Fiz do corpo minha linguagem para falar da possibilidade de harmonia em qualquer conflito. Abri um Dojo tradicional e fora do tatame levo para cantos diversos a filosofia e a visão do Aikido.
Fazer parte do TEDxSP e acompanhar cada conversa, cada história e perceber que hoje há uma grande rede de pessoas diferentes, criativas e visionárias me deu uma sensação de conforto imensa. O TEDxSP pareceu uma convenção de pessoas estranhas, relatando o quanto valeu a pena remar para um lado diferente. Se uma multidão navega sem questionar para um único lado isto não significa que navegam para o melhor lado. Talvez estejam todas indo para um grande abismo. Encontrar um time de pessoas corajosas, atrevidas, persistentes e criativas foi um prazer enorme e criou uma rara sensação de pertencimento. Sinto que valeu a pena olhar desde cedo para um outro lado e o TEDxSP revelou que são muitos olhos e corações olhando para este mundo melhor, mais saudável, mais cooperativo, mais sustentável e mais amoroso.
Sinal Fechado Letra e música de Paulinho da Viola composta em 1969.
– Olá! Como vai? – Eu vou indo. E você, tudo bem? – Tudo bem! Eu vou indo, correndo pegar meu lugar no futuro... E você? – Tudo bem! Eu vou indo, em busca de um sono tranqüilo... Quem sabe? – Quanto tempo! – Pois é, quanto tempo! – Me perdoe a pressa - é a alma dos nossos negócios! – Qual, não tem de quê! Eu também só ando a cem! – Quando é que você telefona? Precisamos nos ver por aí! – Pra semana, prometo, talvez nos vejamos...Quem sabe? – Quanto tempo! – Pois é...quanto tempo! – Tanta coisa que eu tinha a dizer, mas eu sumi na poeira das ruas... – Eu também tenho algo a dizer, mas me foge à lembrança! – Por favor, telefone - Eu preciso beber alguma coisa, rapidamente... – Pra semana... – O sinal... – Eu procuro você... – Vai abrir, vai abrir... – Eu prometo, não esqueço, não esqueço... – Por favor, não esqueça, não esqueça... – Adeus! – Adeus! – Adeus!
Muitos pensam que a letra dessa música é um retrato da vida urbana na época da ditadura militar brasileira, que no ano anterior tinha realizado o seu pior evento até então ao suprimir os direitos constitucionais do cidadão através do AI-5. A ditadura acabou há tempos e um novo olhar nos mostra que esta obra não foi superada na forma, no conteúdo, na experiência estética e na abrangência de sua letra. Sinal Fechado faz mais sentido hoje do que quando foi composta. A estética fria e tensa não nos é mais tão estranha. É o hino do desencontro, do mundo contemporâneo, das cidades movimentadas, dos sinais fechados sempre presentes que nos forçam a observar as pessoas por dentro dos carros, da vida urbana, da necessidade de se buscar um lugar no futuro. Sinal Fechado já buscava seu lugar no futuro quando foi composta e certamente conseguiu.
Ontem reunimos amigos e amigas na Vila Indiana para fazer umas das três coisas boas da vidas: comer uma comida bem feita, conversar com pessoas de bem e ouvir boa música.
A feijoada deliciosa, com direito a uma panela especial para os vegetarianos, ficou por conta da Maria e da Zilda. A Maria é uma cozinheira de mão cheia, adora o que faz e é presença garantida nas próximas aventuras gastronômicas.
As pessoas de bem são os nossos amigos e amigas de muitos lugares: da FAU, do Dojo Harmonia, do Instituto Ethos e do ISA, do Morro do Querosene, da SOL, da Palas Athena e da família Marinho.
A boa música foi um presente dos meninos do choro. Meu filho Daniel - que também atende por Donizete ou apenas Doni, tocou o sete cordas de Gabriel, que tocou seu cavaquinho entre a flauta da Bia e os saxes (!) do Edu e do Marcio. João Serfozo se juntou ao Kyo para fazer a percussão no segundo pandeiro.
Um saboroso sábado em todos sentidos. Aguardem o próximo.
Cada vez mais acredito que todos temos todos recursos para expressar toda sabedoria. Se não somos esta sabedoria em expressão talvez nos falte alguém que nos mostre como. Este papel não é exclusivo de um mestre, de um coach ou de um terapeuta. Basta alguém amoroso que seja aquilo que fala, que goste de trabalhar no sentido japones que para mim traduz o melhor sentido de trabalho: hataraku, ou seja, tornar a vida do outro melhor. Bob McFerrin é mais que genial. É musica em um corpo. Curta o video que acabo de receber e cante com ele. Bruno, obrigado pelo presente!
Conheci Christiaan Oyens treinando no Círculo de Aikido em Ipanema. Este rapaz é um faixa-preta de primeira linha fora a simpatia e a doçura. Ao lado de Billy Brandão e Adriana Maciel, Christiaan faz parte dos talentosos músicos alunos de Luis Gentil Sensei. Recebi este vídeo via Facebook e aos poucos estou conhecendo melhor o seu trabalho. Adorei a delicadeza da composição feita de um pai para uma filha.
É mais uma evidência de que música deveria fazer parte da formação de um faixa-preta. Ritmo, harmonia e criação são coisas que pertencem ao mundo do Aikido e ao mundo da Música. Qualquer dia eu escrevo por aqui as coisas que penso que devem fazem fazer parte da formação de um faixa-preta em harmonia. Música com certeza.
Ontem Daia e eu comemoramos nossos aniversários, ela 35 eu 49. O frio estava na medida certa para festejar com feijoada e chorinho em casa. Reunimos alguns amigos que se somaram aos nossos filhos e a uma boa parte da minha família representada por irmãs, sobrinhos, pai e mãe. Queríamos reunir todos os amigos e amigas mas não daríamos conta de servir a todos com atenção.
Maria e Zilda foram as mestras na cozinha preparando o feijão divino. Amigos do Dojo Harmonia, do Ethos, do Jardim Jaqueline e o destaque especial para o quarteto formado por Fred Dale no cavaquinho, Uirá no violão, Daniel Bueno no sete cordas e João Serfozo no pandeiro.
Na varanda de casa fizemos os últimos acordes da noite. Os que resistiram até o final levaram uma lembrancinha: um potinho de feijão! Por aqui deixo um trecho do chorinho delicioso que temperou a festa. Ótima semana a todos!
Brasileiro, 53 anos, arquiteto, aikidoka, desenhador, ciclista e educador por vocação. Gosta de ler e observar, escrever e rabiscar, conversar e criar. É pai de Daniel (23) e Danilo (29). Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo. Ainda. Pode ser encontrado no tatame do Dojo, pedalando na cidade ou palestrando em empresas, convivendo e aprendendo entre jovens e adultos, conversando na Ekoa, jantando no Dueto, explorando rios invisíveis sob as ruas de São Paulo ou entusiasmado por um novo projeto do Instituto Harmonia. Mora num apartamento com varanda com três gatos: a Ziza, o Toró e a pequena Juju.