Mostrando postagens com marcador reflexão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador reflexão. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Diálogos sobre Julgamento e Rótulo

Aconteceu nos dias 24 e 31 de Julho na Palas Athena.

A psicoterapeuta Maria Fernanda Dias e eu conduzimos duas sessões de conversas sobre os presentes que julgamentos e rótulos ocultam. Foram tardes deliciosas de descobertas, risadas, pequenas histórias e alguns exercícios para perceber o mundo com um olhar mais generoso, não-violento e simples. O grande presente para mim foi a construção coletiva de um ambiente rico para conversar e aprender sobre coisas que importam.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Amazing Amazon

Hoje pela manhã lembrei de uma passagem durante a viagem que fizemos em fevereiro para o Amazonas. Logo me dei conta que não escrevi nada sobre esta incrível viagem de sete dias. Essa experiência nasceu numa visita inofensiva ao site Decolar.com. A promoção estava lá no cantinho: São Paulo/Manaus por R$ 180,00. Ida e volta. Sem escalas. Em seis vezes no cartão. Uma viagem para o Amazonas por 6 parcelas de R$30,00?!! Bati o martelo no mesmo dia e botei boa parte da família nesta aventura.

Chegando em Manaus, tivemos a oportunidade de assistir o espetáculo Piaf com Bibi Ferreira no Teatro Amazonas. Foi uma noite de gala na companhia de Núbia Lentz onde assistimos a grande dama do teatro brasileiro dar adeus aos palcos depois uma temporada de mais de 30 anos interpretanto a vida de Edit Piaf. Começamos bem.

Dias depois, alugamos um carro e fomos todos - Daia, Danilo, Julia, Sofia e eu - conhecer a capital das cachoeiras do Brasil. Você sabia disso? Eu não sabia. O município chama-se Presidente Figueiredo, reúne uma porção de cachoeiras belíssimas e dedicamos dois dias a conhecer algumas delas. Maravilhosas.

Logo chegou o momento aguardado da viagem: dias de navegação pelo Rio Negro. O barco que contratamos foi o Araújo Silva, dirigido pelo próprio João Araújo. Um desenho da barco ilustra o cabeçalho deste blog. Fizemos 798 fotos da viagem e fiz apenas dois desenhos com lápis carandache. Esse é um deles e o outro foi feito em frente à casa do seu Araújo.
Mergulhos no encontro das águas, passeio com mateiros, visita a comunidades ribeirinhas, noites dormidas em rede, até que chegou o dia de madrugar para ver o amanhecer no Rio Negro. Acordamos às 4h e saímos com uma pequena canoa pelo rio. Fomos conduzidos por Deus, o nosso guia. Não o Deus Todo Poderoso. Me refiro ao Deuzimar. Ele se apresentou assim no primeiro dia: - Meu nome é Deuzimar mas podem me chamar de Deus. Então deve ser Deuz com zê, homônimo do original. Como não é fácil tratar qualquer um por Deus, nosso guia era chamado apenas por Deu.

Depois de alcançar um pequeno igarapé ficamos em silêncio absoluto aguardando o nascer do sol sentados na pequena canoa. Pensava naquela madrugada sobre o privilégio de aguardar o fenômeno do amanhecer no Rio Negro em plena floresta amazônica. Em vigília imaginava estarmos prestes a assistir ao espetáculo do despertar amazônico. Talvez uma revoada de pássaros raros, quem sabe algumas araras colorissem o céu, macacos poderiam ser ouvidos e vistos saltando entre as árvores, jacarés emergiriam para os primeiros movimentos do dia e se tivéssemos sorte poderiamos ver alguns golfinhos saltando perto de nós. Naquela escuridão que antecedia o amanhecer também imaginei os primeiros raios do sol clareando sutilmente esse fenômeno do nascer do dia no Rio Negro.

Depois de 40 minutos um pequeno 'ploc' próximo à canoa quebrou o silêncio. Sem usar a voz e apontando com o dedo para o fundo do rio percebemos o que Deus queria nos dizer: - Jacaré! Aquele 'ploc' era o estourar na superfície do rio de uma pequena bolha vinda de algum jacaré sob a canoa. Talvez um punzinho de um jacaré bem perto de nós... E voltamos para o nosso silêncio por mais alguns minutos. Nada acontecia. Sequer um novo 'ploc'.

Sem alarde o dia amanheceu. Nublado. Mais um pouco, o dia já claro e ouvimos nosso guia dizer: - Vamos voltar. Depois de uma hora e meia em silêncio na canoa tinhamos acabado de presenciar o amanhecer no rio Negro. Opa! E as araras? E os golfinhos? E os macacos? Nada. Absolutamente nada do que minha imaginação imaginara. Presenciamos somente o início de um mais dia no Amazonas...

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Mamãe, o monge e o oficial

Hoje de tarde eu liguei para minha mãe. Ligo para ela quando sinto que tenho algo especial para dividir e não sou de ligar todo santo dia. Meu dia a dia não é tão cheio de coisas especiais, mas hoje eu senti vontade de contar umas coisinhas que se passavam aqui dentro.

Contei que tenho me sentido cada vez mais atraído pelo mundo da Educação. Ser aprendiz e ser educador, ser inspirado e ser inspiração, conduzir e ser conduzido. Gosto da emoção vivida no processo de aprender seja no papel do aprendiz, seja como educador. Atualmente aprendo Alemão e minha professora Andrea Khrom quando não é minha professora de Alemão é minha aluna de Aikido quando lá eu sou o professor. Muitas vezes alterno meu papel de consumidor e fornecedor de conteúdo e pulo de professor para aluno com facilidade. Gosto da vida que mora no aprender quando o processo é genuíno, pois sabemos que existe a triste experiência onde uns fingem que ensinam e outros fingem que aprendem. Isso não é educação e devia se chamar fingimento ou farsa. Falo de educação como aquele momento mágico onde aprende-se algo pela urgência da necessidade, pela convivência com alguém que ama o que faz ou pelo puro prazer de descobrir algo novo. E isso costuma acontecer muitas vezes bem longe das salas de aula ...

Minha mãe interrompeu essa conversa toda para fazer umas perguntas bem de mãe: Filho, você têm diploma de educador? E se alguém lhe perguntar a sua formação? Você não é arquiteto? Dizer que é professor tudo bem mas para ser educador tem que ter estudado Pedagogia, não? Acho melhor dizer o que você é, arquiteto, e não educador...

Minha mãe é maravilhosa e nossa comunicação é absolutamente franca. Ela diz o que pensa sempre e isso é o melhor de tudo. As vezes não é o que eu espero ouvir. Simples. Na hora eu senti um misto de surpresa, indignação, tristeza e indiferença. Nesta ordem. E ao final, percebi que ela fala exatamente aquilo que uma pessoa normal pensa, mas não fala.

Em 2002, quando contei animado que iria começar um projeto de educação pelo Aikido para crianças da comunidade (favela) do Jardim Jaqueline ela foi direta: - Filho, você precisa ir lá? É perigoso! Com o tempo ela percebeu que não só era o lugar onde eu mais me sentia seguro como foi gratificante perceber o impacto daquele projeto no dia a dia da casa onde atuamos voluntariamente por 6 anos.

Esta conversa com minha mãe me lembrou a historinha do monge religioso sendo interrogado por um oficial de imigração num país muito conhecido pelo rigor em suas fronteiras ...

- Religião? Perguntou o oficial.
- Todas, respondeu o monge.
- Sinto muito, mas todas não pode. O senhor não pode entrar no nosso país.


O monge fez uma breve pausa e logo respondeu uma segunda vez ao oficial:

- Nenhuma! Não tenho nenhuma religião.
- Ótimo. Nenhuma pode. Seja bem-vindo ao nosso país.

;)




sexta-feira, 9 de abril de 2010

Renina e Rita

Na última quarta-feira teve início o curso "O Artista e o Guerreiro em Cada um de Nós" na Palas Athena. Na quinta comecei um ciclo de oito oficinas de Sumi-e para a terceira idade no SESC Pinheiros. Já disse e vou repetir: eu adoro trabalhar para Palas e para o SESC. É trabalhar para dois visionários, a Lia Diskin e o Danilo Miranda, duas figuras que eu admiro demais. Numa semana onde ainda meu joelho se recupera da escoriação devida ao tombo besta no Rodoanel, estive afastado dos tatames e mergulhado entre pincéis, tintas e papéis.

Gosto da confusão que surge quando embaralho o aikido com a pintura, a arquitetura com educação, a consultoria com o ciclismo. Na minha percepção está tudo conectado e não saberia como descolar o artista do consultor, o arquiteto do ciclista, o educador do aikidoka, o cidadão do profissional e por aí vai. Mas não parece que é o que as pessoas gostam de ouvir. Não se encaixar em uma ou outra coisa cria um pequeno mal-estar nas conversas. Certa vez ouvi as seguintes palavras de uma pessoa muito querida: Você age como quem quer tudo! Você não se pode ser assim... tem que haver sacrifícios! Você não pode querer tudo. Para tudo existe um limite... Estas palavras bateram fundo em algum lugar. Eu ouvi, pensei um pouco a respeito (não muito) e lá de dentro veio uma voz dizendo com firmeza: É isso! Eu quero tudo!!!

Sou só eu ou você também percebe que mais e mais pessoas estão permitindo se deslocar entre áreas diferentes buscando novos alimentos em outras disciplinas e ambientes? Me parece absolutamente saudável e natural porque assim foi a minha jornada. Acredito que em pouco tempo a formação múltipla (no meu caso meio bagunçada) feita pela fusão de competências variadas será o esperado de um profissional e não um motivo de desconfiança e dúvida. É só olhar ao lado e percebemos que já convivemos com muita gente que não atua na área onde se graduou. Algumas estão felizes e outras ainda procurando encontrar um lugar onde possam dizer que estão confortáveis e realizadas. Essa conversa tem tudo a ver com uma reflexão proposta pela querida Rita e a rede Novo Olhar onde pude contribuir um pouco.

Voltando aos pincéis, me peguei esta semana contando para meus novos alunos e alunas no SESC e na Palas Athena a história de duas mulheres, Renina e Rita. Duas mulheres que tiveram um papel importante na minha formação como artista, como guerreiro e como educador.

Renina Katz é uma artista plástica que dispensa comentários como artista. Ela foi minha professora no primeiro ano da FAU em 1979 onde lecionou até 1988 e isso sim merece comentários. No primeiro ano de faculdade, os alunos tiveram oportunidade de ter aulas com uma famosa gravurista que tinha o tratamento de deusa. Uma mulher culta, talentosa e reconhecida artista plástica. Numa avaliação final de um exercício proposto para os alunos do primeiro ano todos ouviam atentamente suas observações sobre as dezenas de desenhos espalhados numa imensa mesa. Até que ela se deteve em um desenho para descrever a todos como NÃO se desenhar. O desenho, segundo ela, era um lixo. Uma composição péssima, uma técnica péssima, tudo péssimo. E era um desenho sujo, e lembro bem dessa palavra. No final da avaliação todos levaram seus desenhos embora e aquela coisa péssima ficou largada na mesa. Quem iria assumir a autoria daquela coisa suja? Porque aquilo já não era mais um desenho e sim uma coisa. Um monte de rabiscos sujos. Aquilo foi uma experiência rica para cerca de 100 alunos e dramática para o autor daquela coisa. Ele deixou o desenho naquela mesa e tenho certeza que ele deixou lá também o seu prazer por desenhar. Afirmo com certeza porque depois de 30 anos eu posso falar tranquilo: aquela coisa suja abandonada na mesa da faculdade era o meu desenho! Mas o tempo é generoso e curador. E os anos passaram.


Em 1994 encontrei por acaso uma monja zen-budista chamada Rita Böhm. Ela dava aulas da arte Sumi-e na livraria Antakarana na rua Lisboa em São Paulo. Perguntou-me se eu gostaria de fazer um desenho e eu disse que sim. Recebi sua primeira grande lição: observe. E observei o seu desenhar. Em seguida ela me pediu para desenhar o que havia observado. E desenhei. E ela me perguntou: Quem é você? Eu respondi que era um faixa-preta em Aikido. Ela me encorajou a observar novamente o seu desenhar e reproduzí-lo mais uma vez. Desenhou orquídeas. Ela gostou da minha reprodução e eu também gostei de voltar a desenhar. O resultado desse breve e intenso contato: tornei-me seu aluno por cerca de três anos e ela me devolveu o amor que tinha pelo desenhar. Foi um resgate e uma cura. Voltei a desenhar com prazer.

Renina e Rita são duas histórias de duas mulheres. Duas professoras diferentes e importantes.

Estas duas pessoas fizeram parte da minha formação como artista, educador e guerreiro.

Hoje escrevi para Rita, cheio de saudade e gratidão. Ela mora em Berlin. Não sei onde está Renina e espero que esteja bem.





domingo, 4 de abril de 2010

Merda.

Acordei no último domingo animado para escrever sobre a merda. Calma, antes que alguém se ofenda com o assunto, esclareço que resolvi escrever sobre a merda como quem resolve escrever sobre o aluno mais rejeitado da classe. Aquele personagem feinho, desajeitado, cabisbaixo e solitário, ruim de bola e de matemática, desafinado, magrelo ou gordinho, aquele pedaço do grupo que ninguém quer por perto e normalmente é o alvo da gozação explícita ou dissimulada, o tal do bullying. Esse assunto está no ar e trata-se da violência e da intimidação na escola. Será que bullying teria também alguma coisa a ver com bullshit? Algo como o tratamento dados aos "merdinhas" de um grupo?

Merda é rejeição, logo ser um merda é ser um rejeitado. Ser aquilo ou aquele que não é mais necessário e que está fora do jogo. Estar na merda, ser um merda, vá à merda, ou merda! apenas é sempre uma referência ao pior lugar. Pior que ir mandar alguém à merda é mandar alguém sumir, se escafeder. Talvez o ato suicida seja aquele passo a mais de quem se deixou convencer que é uma merda ou que está numa merda. Então falar da merda é falar da paúra de ficar fora do jogo. Qualquer jogo. É falar do medo de não ser mais necessário na escola, na família, no trabalho ou em qualquer outro sistema.

Agora penso na sociedade que você e eu vivemos que é alimentada por ambição e medo. Uma engrenagem social motivada por pessoas querendo se afastar da merda e viver perto dos que estão mais em cima, especialmente tendo e comprando as coisas que fazem parecer que estão mais em cima que na merda. Podia dedicar este post a escrever sobre a elite dos vencedores, dos campeões, dos famosos que estão bem longe da merda, muitas vezes gente que nasceu na merda e tirou da merda a maior motivação para sair merda. Se olharmos um noticiário ou novela na TV aberta o que mais vemos é uma alternância entre notícias sobre os que estão e os que saíram da merda, nos educando para o que devemos buscar e o que devemos temer. Nem vou falar de BBB e aquela coisa de todo mundo hipnotizado para ver quem será eliminado...

Talvez vivamos todos numa sociedade bullying, onde trabalhamos duramente para parecer bem e não mostrar nenhuma merda. Se alguém errar, desafinar, cair, se confundir, falir ou falhar terá sempre alguém de plantão para tocar a campainha e apontar: olha a merda que esse aqui fez! E todos sorrimos um sorriso amarelo por que desta vez não fomos nós. Tudo isso é muito vivo para mim por que já errei, desafinei, cai, me confundi, fali e falhei muitas vezes. Tenho uma trajetória cheia de pequenos acidentes, interrupções, mudanças e irregularidades e aprendi a não levar muito a sério o julgamento de pessoas que tentaram me convencer de que eu era um merda. E não recebi a pressão de pessoas bobinhas. No começo da vida adulta recebia duros julgamentos de um pai severo e crítico que não via ambição na minha personalidade sonhadora. De alguns mestres recebi sofridas invalidações sobre a minha competência como arquiteto, como artista e como aikidoka. Lembro-me dos tempos de terapia onde fui para buscar uma resposta para uma dúvida que me angustiava: será que eu sou um merda?

Hoje educador, eu gosto dos desajeitados e sem "talento nato". Hoje, casado pela terceira vez, me divirto com os que logo deduzem que não sou uma pessoa estável e confiável. Torcer para a Portuguesa é algo para quem não tem medo de cair para segunda divisão: um time pequeno, típico timizinho-de-merda cujo nome de guerra lembra looser (LUSA). Deixei pelo caminho a arquitetura e a astrologia e dois casamentos com pessoas que continuo a admirar. Depois de muitos anos deixei também meus mestres japoneses (Ono e Kawai) e mergulhei na minha aventura de buscar um aikido criativo, alegre e inspirador. Isso de deixar coisas no caminho - como quem salta de um cipó para o outro - para muita gente é fazer merda. Para mim não. Percebo a cada dia que aprender com gratidão a deixar para trás as coisas que serviram e não servem mais é o jeito mais feliz e sustentável de viver.

Sinto que viver e se realizar nesta vida é bem mais que evitar merdas. Estou convencido que o viver é repleto de incertezas, tropeços e curvas. O grande herói talvez seja alguém que lida bem com as próprias falhas e não teme parecer imperfeito. Ri das próprias asneiras. Faz algumas escolhas erradas, comete gafes, escorrega, pisa no tomate e não desanima. Não teme nem evita as merdas que vão surgir na sua jornada. As próprias e as alheias.

Uma palavra na nossa língua que denota a presença da merda é um dos adjetivos usados para alguém cheio de raiva: um sujeito enfezado. Uma pessoa cheia de raiva está associada a uma pessoa cheia de fezes. Arght! Fezes são feitas para serem eliminadas e não guardadas. As merdas são o resultado final de um longo processo de absorção dos nutrientes pelo intestino. Elas são o resultado da limpeza e filtragem saudável de um organismo e o tornam mais leve e puro. Um recado aos enfezados: botem logo toda esta merda para fora e sejam mais felizes!

O sentido nojento e agressivo dado à palavra merda é cultural. O verbo emmerder ou s'emmerder é natural na língua francesa e tem o sentido de se aborrecer, se encher. Uma tradição também vinda de França esta presente no meio teatral. O melhor a desejar antes de uma estréia para o diretor e elenco de uma peça é ... Merda! Por que? Entre as versões que existem a que prefiro é a seguinte:

"Antigamente as pessoas chegavam aos teatros em carruagens. Quanto mais carruagens, mais merda os cavalos deixavam nas ruas e calçadas. Assim, muitas pessoas entravam no teatro com os sapatos sujos, de merda, e quanto mais merda deixada nos capachos, mais a casa estaria cheia. Assim, a expressão “merda” tem o mesmo significado de boa sorte e é sempre usada antes das apresentações." fonte: http://pontodemira.blogspot.com

Logo mais eu vou postar por aqui a estréia da peça que minha irmã Noemï Marinho está dirigindo. Então, está combinado, já sabem o que desejar para ela e para o elenco:

Merda!!!!



domingo, 24 de janeiro de 2010

Tristezas e alegrias

Faz alguns dias que não escrevo minhas coisas por aqui. Andei desanimado em compartilhar pequenas alegrias e conquistas numa época de muita dor e tristeza pelo mundo. Falo da tragédia no Haiti, da destruição de São Luis do Paraitinga e das chuvas e enchentes que nos castigaram por aqui.

No dia 19, acompanhei ao vivo a apresentação dos resultados da pesquisa do IRBEM - uma iniciativa do Movimento Nossa São Paulo - que trouxe informações precisas e preciosas sobre o Bem Estar do paulistano. Lá percebi o tamanho da doença da nossa cidade. Numa leitura rápida nota-se que o paulistano está satisfeito no ambiente doméstico, entre familiares, amigos e animais caseiros e infeliz da porta da casa para fora. A pesquisa mostrou nítida insatisfação da grande maioria da populaçao com as coisas da vida urbana: a locomoção pela cidade, o lazer, o acesso à cultura e a informação, a qualidade de vida, a saúde, a segurança, o meio ambiente, etc. Não é a toa que a pesquisa revela que 57 % dos paulistanos sairiam da cidade de pudessem. Se alguém trabalha ou vive num lugar que iria embora assim que pudesse, que qualidade esperar dessa relação? Que dedicação e comprometimento esperar de quem pensa todos os dias em ir embora?? Mais uma vez fiquei jururu vendo e ouvindo coisas que fazia uma certa idéia, mas agora a suposição ganhou clareza. Um exemplo: você sabia que 30 % dos jovens entre 16 e 24 anos na nossa cidade não estão nem na escola nem trabalhando? Que tal? Ouvi a expressão "bomba-relógio" para traduzir o que isso significa numa cidade da escala de São Paulo...

Em meio a este clima cinzento, começar o ano feliz e cheio de entusiasmo me pareceu ser quase uma violência no meio em que vivo. Faço parte daquela fatia fininha da população que aprendeu um jeito de viver bem numa cidade dura e perversa como São Paulo. Meu pai foi meu primeiro mestre. Filho de uma familia simples em Matão ele correu atrás e conseguiu ir muito além de seus irmãos e irmãs. Abraçava cada oportunidade como um tesouro único. Aprendi com ele a correr atrás e valorizar cada oportunidade de crescimento. E sigo correndo em várias direções, vivendo a vida com entusiasmo mesmo sabendo que esse entusiasmo não é geral.

Nestas primeiras semanas de janeiro, dentro do projeto SESC Verão, conduzi oficinas de filosofia e prática do Aikido nas unidades Paulista e Pinheiros. Turmas distintas e muito especiais. Poucos encontros e suficientes para viver enorme empatia com cada um dos participantes das oficinas. Em fevereiro darei continuidade aproximando a harmonia do Aikido à harmonia de outras artes como a poesia hai-kai, o pintura sumi-e e a flauta shakuhati. Aikido e arte para integrar assertividade e poesia na nossa vida.





Sigo pedalando cada vez mais em São Paulo e começo a sonhar com pequenas viagens e trilhas. Entre ontem e hoje, um domingo e um feriado, foram quase 100 km de pedal, boa parte como o grupo do Olavo Bikers. No SESC, participei de um encontro com Arturo da Escola de Bicicleta que abordou as várias nuances do que é ter uma boa bicicleta e detalhes sobre sua manutenção. O amor do Arturo pelo pedalar é algo fascinante e já me contagiou.


Nos próximos dias estarei fora de São Paulo. Aproveitei uma mega-oferta num site de passagens promocionais e arrematei bilhetes para Manaus por R$ 300 em 6 parcelas. Ida e volta!!! Por esse preço, e aproveitando o momento de férias da Daia, inventei uma pausa para conhecer um pouco da Amazonia. Serão dias de passeio por Manaus, por cachoeiras em Presidente Figueiredo e quatro dias de navegação em um pequeno barco pelo Rio Negro. Espero logo trazer para cá algumas boas histórias e alguns desenhos. Aguardem.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Movimento Novo Olhar

No final de 2009 fui um dos convidados para participar de um video produzido por Rita Monte e dirigido por Eliza Capai que estimula o pensar sobre auto-realização no trabalho. É na verdade um teaser do Movimento Novo Olhar sobre Relações de Trabalho que tem crescido virtualmente pela rede Ning e por meio de encontros reais que ocorrem no Hub.

O material ficou pronto nesta virada de ano e aqui está. Comentários?




terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Tintim na Cozinha - A colheita


RECEITA TINTIM (por Mariana Torres)

Reúna pessoas interessadas em passar tempo de qualidade juntas

Acrescente alegria, atenção, cuidado, disponibilidade e fome

Bata tudo com sentimento, empenho, dedicação

Coloque uma pitada de tempero, de imprevisto, de improvisação

Unte a fôrma da razão com emoção e intuição

Despeje a mistura num recipiente do tamanho do mundo

Aqueça tudo por cerca de duas horas e meia...

Voilà!

Tintin: um brinde ao que somos quando podemos ser


Mão na massa, e muita massa na mão.
Risadas e gargalhadas regadas com chuva de farinha.
Expansão dos sentidos, tato, olfato e paladar aguçado.
Pais e filhos, companheiros de vivências e novas experiências.
Fluidez, ritmo, leveza e delicadeza.
Mistura de cores, sabores, olhares e verdades.
Gente criança, jovem, adulto... todos com grandeza.
Hora sem relógio e presença do tempo.
Intervalo vazio de tarefas e pleno de sentido.
Inspiração, celebração, conexão.

Momentos de saúde, paz e amor. Tintim!

Deborah Dubner

Não sei se ainda tá valendo mais dou agora minha parte da colheita:
Vou simplesmente digitar meus pensamentos que já apresentei lá no dia.
Acho que foi uma experiência super divertida que reforçou ainda mais para mim a força do trabalho em grupo.
Já cozinhei muito sozinho e vi como fica mais dinâmico, rápido, menos cansativo e mais divertido cozinhar em um grupo grande.
Até lavar fica gostoso. Bom, foi isso que aprendi nessa aula diferente.

Daniel Bueno



Olhares, trocas, silêncio, barulho, música, brincadeiras....
Momentos do coletivo, momentos do indivíduo
Todos souberam quais eram seus respectivos papéis e responsabilidades.
Colhemos o melhor: comida com amor universal, regados com uma energia incrível.
Obrigada

Daia Mistieri





Todo mundo metendo a colher em tudo...
No som, na comida, na mesa, em detalhes...
Cada um encontrando o seu espaço, todos compondo uma deliciosa massa...
Um olhar diferente para as coisas de sempre: farinha, batata, maçã, farinha
Dá-lhe farinha!
Tempo para saborear a fome, o imprevisto, o cheiro na cozinha
Da combinação de temperos, sugestões, sentimentos e mãos
Boas conversas, risadas e comida boa ao paladar
Corpo e alma bem nutridos
Alimento pra digerir e saborear por semanas.

Mari Torres





Algumas frases na fala de algumas pessoas:

"Tudo fica mais fácil e vai mais rápido em grupo..." Daniel Bueno

"Experiência para sair da zona de conforto conscientemente..." Daia Mistieri

"Quando você entende você aprende" João Pedro

"Em pouco tempo ela [minha filha] já estava sendo ela" Sandra Paz

"Tudo no seu devido tempo, nem rápido, nem devagar, abraçando os imprevistos."



Tenho pensado nessa coisa de pequenas ações para mudar o mundo. Numa semana onde acontecerão conversas de gente graúda em Copenhagem para discutir as mudanças climáticas no mundo, eu resolvi colaborar de um jeito caipira: coloquei um balde no box do chuveiro para aproveitar a agua que cai enquanto o banho esquenta e usar esta água na descarga do vaso sanitário. Uma verdadeira bobagem. Mas eu me sinto feliz fazendo essa solitária economia de água testemunhado apenas pelos azulejos do banheiro.

E na Cozinha do Tintim senti a mesma felicidade entre jovens e adultos numa dança de gestos, risos, ovos, batatas, conversas, farinha, tomates e maças. Diversidade de gente e de sabores. Encontrei as coisas que eu imagino ter no mundo dos meus sonhos. Cooperação, alegria e movimento. E a forma espontânea e livre de participar do acontecer das coisas, com mínimas instruções de um Chef e uma clara orientação do para onde ir foi o bastante para sentir uma alegria silenciosa. E parece que ela circulou entre todos nós.

Traduzimos de modo natural o cuidar do grande cuidando do pequeno em cada gesto na cozinha. E talvez cuidar do mundo possa ser cuidar de cada pequeno pedaço desse mundo, cuidar de cada pessoa que pertence ao nosso mundo e de cada interação que temos com as coisas do mundo. Água, batata ou gente.

Agora e sempre um brinde pela saúde do nosso mundo: TINTIM!!

José Bueno

terça-feira, 17 de novembro de 2009

TEDxSP.

O que o Brasil tem a oferecer ao mundo agora?

Teve alguma coisa de Rock in Rio neste evento. Fazia tempo que não sentia a emoção de ter participado de um encontro especial, inédito e mágico. No palco não tinha nenhuma banda de rock pela primeira vez no Brasil. Mas havia uma expectativa no ar desde o processo de seleção de platéia. Os interessados em participar do primeiro TEDxSP responderam, além das questões formais como nome, empresa, cargo e email, o seguinte formulário online:

Cite ao menos um site que nos ajude a entender você melhor :
(seu blog, o site da sua empresa, currículo, artigos ou pesquisas, vídeos, fotos suas ou tiradas por você, seu perfil no facebook, LinkedIn, twitter)
Na sua opinião, o que o Brasil tem a oferecer ao mundo agora?
E você, o que tem a oferecer ao mundo agora?
O que você espera ganhar ao participar do TEDx SP?
O que você tem a contribuir com a comunidade TEDx SP?
Se outra pessoa fosse descrever suas maiores conquistas em até 3 sentenças, o que ela falaria?
O que nós precisamos saber sobre você, que nós não perguntamos?


Fiquei feliz em ter sido selecionado para fazer parte da platéia. O credenciamento aconteceu no dia anterior no HUB. Em cada crachá vinha identificado o nome e a empresa. Como trabalho em vários lugares lá estava na identificação o meu nome seguido das redes onde atuo: Aikido Harmonia, Amana-Key, Palas Athena, Tintim, Ação Harmonia Brasil. E ainda faltou espaço para incluir o SESC, a SOL Brasil e o Aiki Extensions Inc. O que era uma angústia no passado, quase me convenceram que eu era um cara disperso e sem foco, hoje é absolutamente confortável.

No palco, no lugar de guitarras, baterias, teclados e pirotecnia tinha apenas um piano de cauda que foi tocado no começo e no fim do evento por dois pernambucanos, o Vitor Araújo e o Rannieri Oliveira. Durante todo o sábado, uma sequencia fantástica de palestras curtas de 15 minutos, tempo suficiente para se emocionar com histórias e experiências de brasileiros que estão inventando e fazendo a diferença em vários campos de conhecimento. E cada deu a sua visão pessoal do que o Brasil tem a oferecer ao mundo. De Regina Casé a Fabio Barboza. Como Mestre de Cerimônias, Helder Araujo, um jovem com menos de 30 anos que, inspirado pela participação no TED na Califórnia, mobilizou uma incrivel equipe para fazer acontecer o primeiro TED na America Latina. Impecável e respeitosa produção que contou com o apoio do Banco Santander e da Oi.

Se quiser saber mais do evento acesse o site oficial: http://www.tedxsaopaulo.com.br/



Saí de lá orgulhoso de ser brasileiro e estar vivo neste momento da história do mundo. O quadro geral parece ser composto por enormes desafios pela frente, complexidade, modelos econômicos, sociais, políticos, educacionais questionados em todo mundo e em cada mesa de bar, dúvidas e incertezas, desigualdade e violência por todo lado, riscos ambientais irreversíveis e uma pobreza generalizada de valores. O mundo está do jeitinho que o pessimista gosta para dizer que não dá mesmo.

Mas do outro lado tem coisas acontencendo e o TEDxSP juntou uma boa parte destas coisas no Teatro da Moóca. Parte delas estava no palco e outra parte certamente na platéia. E outros muitos mais que não estavam lá. Existem pessoas fantásticas espalhadas por aí e quando elas se reunem o resultado é mágico. O tal mundo melhor está tomando uma cara. Tem muita gente criando, muitos brasileiros motivados em achar soluções novas para os velhos problemas. Tem gente de coração bom, pensando grande, para o bem de todos e gerando resultados extraordinários. E tem alguma coisa do brasileiro que dá cada vez mais para sentir. Um misto de criatividade com inocência, de fertilidade com talento para misturar coisas, de alegria e otimismo, de batucada e esperança. E o melhor de tudo, está dando certo. Sinto que tem muita gente pelo mundo olhando para esse nosso jeito de ser e criar.

E a pergunta fica no ar: o que o Brasil tem a oferecer ao mundo agora?

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Ilusão de ótica

Responda rápido: o que você está vendo?

Pois é. Depois de deixar meu carro na garagem por um mês, tenho adotado a prática de estudar o roteiro dos meus destinos antes de sair de casa. E faço um certo plano que inclui de tudo um pouco. Outro dia fui do Butantã para uma reunião no Hub de bicicleta. O Hub fica na Bela Cintra, do lado centro, na altura do cemitério da Consolação. Sai de lá no fim do dia e tinha um compromisso no SENAC da rua Dr. Vila Nova no centro. Chovia uma chuva fina e já era noite. Estacionei a bicicleta no Estapar do Colégio São Luis, um dos muitos bicicletários gratuitos que tenho mapeado pela cidade. Desci para o centro de onibus em 5 minutos, o mesmo tempo da volta uma hora mais tarde. Voltei a pegar a bike para descer para o Dojo, já sem chuva. Um prazer especial deslizar por uma avenida Rebouças sem muito transito. Por fim, voltei para casa de carona com Daia que passou por lá ao final do treino das 20h e deixei a bike estacionada no Dojo.

Tem sido assim. Um pouco de metrô, bicicleta, caminhadas, onibus, trem, caronas e também, por que não? o uso do carro como uma das alternativas. Não mais a única. E nesse mover pela cidade é claro que piso em calçadas detonadas. Minha sensação é que, fora a rua Oscar Freire, todas calçadas em São Paulo são zoadas. É um chão de ninguém. Ninguém arruma. Alguém vai lá faz um conserto, uma obra, abre um buraco, mexe e depois deixa lá do jeito que ficou. As ruas também não ficam atrás. Em cima de uma bicicleta os buracos e irregularidades da pista ficam 10 vezes maiores e não dá para cochilar. Como nas calçadas, vai tudo muito bem até que topamos com uma cratera. Ou várias. Tudo isso é bom para desenvolver a atenção. Não dá para andar e ficar falando no celular, pensando na vida e desligado do mundo. Tem que olhar com vontade, ficar esperto para não vacilar. Tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e ausência de atenção é sinônimo de perigo.

A foto acima é na recepção de uma empresa. Uma empresa para quem prestei serviços em parceria com a Bernhoeft, digo Höft Consultoria. Cheguei lá de trem, vindo da Estação Berrini. Uma rápida (e rara) caminhada pela Marginal Pinheiros e logo estava na empresa onde a recepcionista educada me pediu para aguardar no ambiente ao lado com poltronas vermelhas. Relaxei e caminhava em direção às janelas para observar a vista antes de sentar e ...%#@&%!$#$!*&$%#&@!!!! Enfiei a canela numa mesa que apareceu do nada e por sorte não caio de barriga no tampo de vidro preto apoiado na mesa preta sobre o chão preto! Preto brilhante para piorar. Três pessoas estavam sentadas logo em frente, possivelmente preparando coisas para alguma reunião em seguida, e manifestaram um estranho apoio: - Deve ter doído ... E voltaram a conversar entre si. Eu só queria gelo. Lembrei que a canela é o lugar mais desprotegido do corpo. É pele e logo osso. Não tem nenhum recheio que amorteça uma canelada... Ficou amarelo e vermelho na hora. Logo ficou roxo e inchado. Tudo que eu queria era gelo e que trocassem a mesa da recepção. Branca de preferência. Imaginei o que poderia acontecer se fosse uma pessoa idosa. digo, mais idosa. Depois de alguma burocracia para ir para o ambulatório, recebi enorme atenção de todos da empresa. Em especial da Michele, do Felipe, da equipe do ambulatório e de um bombeiro que não sei o nome. Tudo aconteceu em um prédio recém-inaugurado, com muitos ajustes sendo feitos na instalação em novo ambiente. No fundo, é natural que ocorra acidentes pequenos assim. É como machucado de sapato novo.

A curiosidade: me machuquei no momento que relaxei minha atenção. Na rua, entre buracos, lombadas, irregularidades no piso, gente e carro para todo lado e ruídos em geral talvez seja mais seguro que num lugar limpo, silencioso, iluminado, onde não é preciso estar 100 % presente. Sai de lá caminhando, agradecido pelo prestatividade de todos, e seguro em voltar para a rua.



quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Pausa (1)

- Tudo bem?
- Loucura!

- Tudo bem?
- Correria!

Semanas atrás eu cismei com essa saudação tudo bem? que está devagarinho substituindo o antigo como está? ou como vai você? especialmente na comunicação verbal. Por email também já é praxe começar com tudo bem? mas não vou implicar com esse tudo bem? pois a conversa escrita é outra conversa e o tempo é sempre mais curto mesmo. Me interesso aqui pelo tudo bem? que soltamos ao encontrar alguém. Em outras culturas parece ainda haver um interesse (ao menos linguístico) em saber como está a outra pessoa ao iniciar uma conversa. How are you?, Comment va tu? , Como estas? O genki desu ka. Certo que alguém pode dizer que estas expressões podem ser mecânicas e não haver nenhum interesse genuíno em saber como o outro está. Esse tudo bem? que usamos cada vez mais é uma saudação que dá pouquissimo tempo e espaço para saber minimamente como está a pessoa que acabo de encontrar. Quem não conhece a piada que diz que chato, mas chato mesmo, é aquele que quando alguém pergunta como vai? ele responde! Será mesmo?

Separei algumas respostas mais comuns que ouço e também uso para responder ao tudo bem? e não parecer chato.

1. tudo e aí?
2. beleza e aí
3. indo...
4. é ...
5. loucura e aí?
6. correria e ai?
7. nem te conto.
8. normal...
9. sussa...

Outras?

Tenho tentado recuperar o velho e bom como vai você? e também tento localizar pelo menos uma expressão que traduza com precisão como estou me sentindo no instante que encontro alguém. Cansado. Empolgado. Curioso. Ansioso. Confuso. Feliz. Sedento. Irritado. Grato. Frustrado. Cabreiro. Puto. Calmo. Preocupado. Atolado. Pode ser também um estado misto de tensão misturada com entusiasmo, tristeza com motivação, confuso mas relaxado, inquieto e encorajado. Não ligo em me perceber feliz ou triste, o que tem me interessado é essa pausa para perceber com sinceridade como estou e como estão as pessoas que encontro por aí. E, claro, achar um jeito de subverter essa velocidade maluca que rouba o tempo de ver, de ouvir e de perceber as coisas que estão acontecendo na nossa frente ou ao nosso lado.

Ontem estive no Detran (que hoje está na Av. do Estado) para iniciar o processo de defesa por ter ultrapassado os 20 pontos permitidos na carteira de habilitação. Somei 34 pontos nos últimos 12 meses e isso nunca tinha me acontecido antes. Na minha defesa, escrita ali mesmo, argumentei que meu carro é freqüentemente compartilhado com meu filho Danilo e fui negligente ao não encaminhar no tempo devido as transferências de responsabilidade pelas multas acumuladas. Estourei assim a pontuação. Uns 15 escritórios especialistas em "zerar" a pontuação da CNH me procuraram na semana passada para resolver meu problema. O mais barato me cobraria R$ 500,00. O mais caro R$ 900 em três chequinhos de R$ 300,00... No Detran perguntei quanto custa esse processo. Resposta: nada. Voltei do Detran indignado e orgulhoso.

Na volta, uma parada na av. Paulista para almoçar e visitar amigos na Palas Athena. Conversa boa com Felipe, Flávia e Lucia Benfatti acompanhando tudo de perto. Sementes para germinar em 2010. Uma nova pausa na Estação Brigadeiro para ver e ouvir o que faziam pessoas de jaleco branco distribuindo folders e ocupando uma sala exclusiva junto às escadas. Era uma turma do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo em campanha pela prevenção do câncer bucal. Parei para fazer minha avaliação - tudo ok - e conversei com algumas profissionais que estavam por lá.

domingo, 1 de novembro de 2009

No beef, no beer, no bread

Hoje é 1º de novembro, escrevo da varanda da casa de meus primos Fernando e Nicole, na companhia especial de tios queridos Fernando e Maria Tereza. E começo hoje um novo jogo que irá até o final do ano. Adoro carne, adoro uma cerveja e adoro pão. Não tenho nenhum plano de me tornar vegetariano, abstêmio ou nunca mais comer um paozinho. E tão pouco quero defender alguma causa ou uma dieta BBB. Quero somente jogar o jogo de me descolar de hábitos aos quais me sinto grudado, sentir que tenho escolhas e descobrir prazer em outros lugares.



Sem dúvida a experiência de deixar o carro foi uma inspiração. Abrir mão do carro por um mês não significou ficar parado e não chegar aos compromissos. A experiência abriu uma enorme quantidade de possibilidades e relações que não fazia a menor idéia. Fora as conversas aqui e ali sobre a grande aventura: viver em São Paulo e ser feliz.

Pareceu provocação o nome do restaurante onde fomos comer hoje: O Rei do Filet. Na mesa aqueles pãezinhos franceses, duas picanhas ao ponto e, claro, chopp por todo lado. Tentei me divertir com o molho de cebola e a salada como entrada. Em seguida, dividi um prato grande de abadejo com molho de camarão invisível com meu primo. Para beber, água, gelo e limão e uma caipiroska. O melhor de tudo foi saber que tinha companhia nesse jogo e não sabia. Acabo de ler que somos dois: eu e Claudio de Salvador. Show! E aproveito aqui para propor um dia semanal para relaxar o jogo, ou seja, um dia por semana permitido para o paozinho, a breja e a carne. Pelo menos em novembro. Que tal, Claudio?





Um aluno no Dojo e outro amigo via facebook logo brincou comigo quando soube dos planos de no beef, no beer, no bread me perguntando: no fun? Ao contrário! Lots of fun senão não teria graça. Tudo isso é muito mais pelo prazer que pelo sacrifício. Prazer de me sentir livre e quem sabe lá no final ... no belly!















segunda-feira, 26 de outubro de 2009

United & Gol

Eu não conhecia esta história até assistir estes videos hoje. Já existem muitos outros videos e centenas de comentários e entrevistas com Dave Carroll sobre sua atitude frente à indiferença de uma companhia aérea com seu violão quebrado..

E é isso o que me interessa por aqui. Este movimento que vai além de reclamar e resulta numa ação. Dá muito mais trabalho, exige tempo, ensaio, dedicação, talento, etc.

Gosto de colecionar essas histórias, escritas, ouvidas ou filmadas, como esta de Dave que trata de um jeito criativo de se indignar. No caso de Dave, uma resposta a um tipo de tratamento que conhecemos bem aqui no Brasil.

Neste final de semana estive em Recife para participar do primeiro seminário de Aikido com Luis Gentil na capital pernambucana. Eu parti do Aeroporto Internacional de Guarulhos e ele do Aeroporto Tom Jobim no Rio de Janeiro.

Ambos com passagens compradas pela Gol.

Logo cedo ele me ligou do aeroporto dizendo que não havia reserva alguma em seu nome para o vôo 1798 para Recife. Uma passagem comprada em agosto!Alguns telefonemas e logo descobrimos que "alguém" havia cancelado seu bilhete no dia posterior a compra numa atitude clara de fraude.

A equipe do Aiki-PE não teve outra alternativa senão comprar novo bilhete pela TAM uma vez que a GOL não localizou a reserva e sua passagem sairia duas vezes mais cara que pela concorrente. Domingo ao voltar, novamente a GOL não localizou a reserva e novo bilhete pela TAM foi comprado para garantir sua volta ao Rio de Janeiro.

Nesta segunda-feira os amigos pernambucanos darão início a ações para obter da GOL o ressarcimento das passagens compradas em duplicidade.

A compra da passagens originais foi feita pela internet e pagas com cartão de crédito. Alguma fraude aconteceu e desde já estou curioso em saber como esta história vai se desenrolar.

A solução de Dave para seu problema com o descaso da United foi genial.

Que outras maneiras criativas podemos criar para responder ao descaso, à omissão, ao abuso no trânsito, à corrupção, ao pouco caso com pedestres, etc?



quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Aprender a morrer

A experiência de deixar o carro na garagem em setembro e achar outros jeitos de me mover na cidade, abriu uma avenida de descobertas. Tenho muita coisa para contar e o que me falta é tempo para organizar tudo que ganhou uma clareza maior para mim.

Antes de tudo quero falar de dessa coisa que parece tão simples: mudar um hábito. Deixar o carro na garagem me levou a mexer em outras coisas, por exemplo, o jeito de me vestir. Acessórios que não usava nunca como capa, guarda-chuva, mochila e o chapéu que ganhei da Mariana no meu ultimo aniversário. E passei a usar botas impermeáveis. Visitas ao site do SPTrans para estudar o trajeto e uma espiada no site do Climatempo passaram a ser fundamentais para planejar o dia. Ouvi uma pérola sobre o tempo maluco desta cidade: se você não gosta do clima em São Paulo, espere 15 minutos ...

Quando saio de bicicleta, e isso acontece normalmente às segundas e quartas, o traje é outro. Short almofadado, luvas, capacete, tenis e novamente a mochila onde guardo uma capa de chuva, uma cueca, uma camiseta e um desodorante. Também carrego meu bloco de rabiscos e anotações, uma camera digital e um livro leve.

Para circular a pé, de ônibus ou de bicicleta, o corpo tem que estar em cima. São Paulo tem ladeiras, escadarias, buracos na rua e na calçada, os pontos de onibus não estão na porta da casa nem no lugar exato do destino e deixar o carro de lado envolve ter fôlego e pernas. Para chegar em casa no alto do Butantã eu encaro ou a ladeira ou a escadaria. Já me peguei algumas vezes botando a bike no ombro para subir os 100 degraus da Vila Indiana. Ficar sem carro ajuda a saber como anda a saúde. Logo o corpo avisa como estão os joelhos, a coluna, o coração, os pulmões e a circulação. Acredito que ser sustentável - palavra da hora e fácil de encontrar por aí- começa em cuidar do próprio corpo.

Sem carro encontrei pessoas e lugares nunca vistos, muito mais que os buracos e barulhos da cidade. Isto para mim seria motivo suficiente para deixar para sempre o carro na garagem. Carro demais cega, ensurdece e isola. Entre muitas histórias de encontros e descobertas pela cidade, ontem, num intervalo de duas horas, cruzei com duas pessoas que não via há muito tempo, Thales Trigo e José Passarinho. O primeiro foi meu professor de ótica no cursinho e hoje é dono de uma escola de fotografia em Pinheiros. O segundo, contemporaneo da época da FAU, hoje é consultor da Positioning e conhecido do público em geral pela sua presença em peças publicitárias do Itaú. Encontrei os dois andando de bicicleta por Pinheiros e foram duas conversas diferentes. Uma breve, a outra longa e inspiradora. Na porta da Fnac, conversei com Passarinho sobre várias coisas entre elas minha experiência como blogueiro desde maio deste ano. Terminei o papo encorajado a seguir escrevendo a despeito de achar que ninguém lê o que escrevo. Sério. Tenho a sensação de estar jogando garrafas ao mar ... alguém ai tá lendo?



E o que isso tudo tem a ver com aprender a morrer?

Volto aos insights do Setembro sem Carro. Deixar um hábito é morrer um pouco. E acho que a dificuldade de mudar um hábito pessoal ou social é porque se requer a capacidade de saber morrer. Simples assim: é difícil mudar por que mudar é morrer. Ninguém gosta de morrer, de deixar de lado coisas que fizeram parte de uma vida. Todo mundo fala das mudanças necessárias para uma vida melhor, para uma cidade melhor, para um mundo melhor. Mas quem aceita mesmo o jogo de morrer um pouco? Quem topa deixar na estrada um velho hábito? E quem disse que morrer para um hábito será um sofrimento. Que tal prazer? Um prazer associado a sensação de liberdade e independência.

Quero continuar esse jogo de brincar de morrer um pouco todo dia. Mexer com hábitos como um exercício lúdico de desapego. Uma auto-provocação para procurar outras formas para atender minhas necessidades de comer, mover, relacionar, aprender, divertir, etc. Quem sabe um grande treino para desapego final?

E se subir escadas fosse mais divertido que pegar a escada rolante?


Começo a desenhar um novo jogo: no beef, no beer, no bread. Dois meses deixando de lado três coisas que adoro: carne, cerveja e pão. Simplesmente um jogo de liberdade. Um amigo já reagiu dizendo: No fun? Ao contrário! Lots of fun. No belly!!!! Quero continuar a subir escadas, correr e pedalar, seguir minha pratica de Aikido e chegar aos 50 anos leve. E não vou deixar de comer outras carnes como frango, porco e peixe. Elegi a carne vermelha depois de saber que 1 kg de carne consome 14.000 litros de água para serem produzidos, que a Amazônia esta virando um imenso pasto, que a quantidade de bois ultrapassa o numero de gente no Brasil e que o gás metano do nosso gado polui mais que o CO2 dos carros. E vou deixar as cervejas de lado mas não os vinhos. Deixarei os pães mas não as massas. No fundo a pergunta é: como seria passar dois meses sem estas três coisas? Deliberadamente e com prazer.

Anos atrás participei de uma experiencia única chamada Kyol Che: sete dias de retiro de silêncio. Vaca amarela total! Alguns me disseram: - Ah, se eu fizer isso eu fico louco! Ao voltar minha percepção era bem diferente: fazer isso de vez em quando é uma ótima maneira de não ficar louco ...

Logo trago mais detalhes do novo jogo.
No beef, no beer, no bread. 1º de novembro à 31 de dezembro.

Alguém topa vir comigo?

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Setembro sem carro - dia 22

Você sabe que dia é hoje? Com essa frase eu fazia o primeiro contato com motoristas desconfiados que passavam de carro pela Av. Paulista. Pois é, fui visitar a esquina onde o Movimento Nossa São Paulo montou uma tenda para divulgar o Dia Mundial sem Carro provocando o pensar sobre mobilidade urbana na cidade. Assim que cheguei encontrei Oded Grajew panfletando, o Mauricio Broinisi e a Luanda Nera que me ofereceu duas camisetas do DMSC, uma para Daia e outra para mim. Percebi que a panfletagem estava sendo feita nas calçadas para pedestres que transitavam pela avenida mais famosa de São Paulo. Perguntei se alguem estava distribuindo folhetos para motoristas e ouvi que a maioria estava de vidros fechados por conta da chuva que caia no meio da tarde. Como quando cheguei a chuva tinha dado uma pausa, arrisquei pegar alguns folhetos e panfletar no canteiro central da Av. Paulista. Fiquei lá entre 16h e 18h, com folhetos na mão e usando uma máscara para encarar a fumaça entre os carros que não é pouca não. No fim da noite, durante o treino de Aikido, respirava com alguma dificuldade e é claro que tem alguma relação com as duas horas passadas no meio dos carros.


17h00 - na av. Paulista em frente ao Conjunto Nacional

Você sabe que dia é hoje? Era o mote para me aproximar com o logo do Dia Mundial sem Carro estampado na camiseta. Muitos não queriam conversa alguma com um careca mascarado. Devia ser uma imagem meio assustadora. Outros logo percebiam que era uma aproximação inofensiva e abriam seus vidros e seus sorrisos. Quando percebia que o motorista relaxava ao saber que eu não era um vendedor nem um assaltante eu engatava uma segunda pergunta: Você acha que dá para passar um dia por ano sem carro? Essa pergunta ajudava a apresentar a idéia central do DMSC: deixar o carro na garagem por um dia. Houve muitas interações legais, gente consciente, gente respeitosa e também gente travada. Bem travada. No fundo, o dia de hoje foi um dia que ajudou a trazer um pouco de luz sobre o uso racional do carro na cidade como parte da solução de um problema tão complexo. Algumas pessoas, homens e mulheres, mostravam-se tão fechados nos seus carros e por alguns instantes eu me senti como o limpador de vidros, o vendedor de chiclete, o malabarista do farol que a maioria não dá a menor pelota. Pessoas que simplesmente não querem ser incomodadas por nada e ninguém. Querem apenas chegar ao lugar para que se dirigem sem serem interrompidas. Imagino que estas pessoas devam ser assim também em elevadores. Deve ser uma experiencia perturbadora por longos segundos: ver, ouvir e sentir pessoas estranhas tão perto. Será que as pessoas relaxariam se houvesse um Dia Mundial sem Medo?

Ecotaxi movido a pedaladas

Biocombustivel

Ele cantava na avenida enquanto eu panfletava

Dia Mundial sem Carro - Oded Grajew

No Dia Mundial Sem Carro, 22 de setembro, diversas atividades (programação no site www.nossasaopaulo.org.br) visam chamar a atenção da sociedade sobre os graves problemas causados pelo modelo de mobilidade adotado nas cidades que privilegiam o transporte individual e o automóvel.
Nesse modelo, o trânsito das grandes e médias cidades brasileiras ocupa um tempo precioso de todos os que nelas vivem, estudam e trabalham -o paulistano desperdiça, em média, duas horas e 43 minutos todos os dias nos congestionamentos. Tempo que poderia ser usado para o lazer, a cultura, para namorar, para estar com amigos e familiares.
Não bastasse todo esse tempo perdido, ainda ficamos expostos a um trânsito totalmente poluído, causando tumores e inúmeras doenças respiratórias e cardiovasculares. Estudos da Faculdade de Medicina da USP apontam que, apenas na cidade de São Paulo, morrem, em média, 12 pessoas por dia devido à poluição, encurtando a vida média do paulistano em um ano e meio.
Além do custo em vidas, os impactos operacionais e financeiros no sistema de saúde causados pela poluição são imensos. No mesmo sentido, é importante lembrar que o setor de transportes é responsável por 15% dos gases que causam o aquecimento global e a mudança climática.
O diesel e a gasolina consumidos no Brasil estão entre os piores do mundo, e a indústria automobilística fabrica motores menos poluentes apenas para exportação. Apesar disso, tramita no Congresso um projeto de lei que permite a comercialização no Brasil de carros leves a diesel.
Com a qualidade atual do diesel brasileiro (contendo altíssima quantidade de enxofre) e a tecnologia dos motores que a indústria automobilística utiliza no Brasil, a aprovação dessa lei resultaria na morte adicional de milhares de brasileiros por ano.
A inspeção veicular, obrigação dos governos estaduais e dos grandes municípios, ainda está muito longe de cumprir seu papel.
Nos acidentes de trânsito, morrem cerca de quatro pessoas por dia na cidade de São Paulo -44% pedestres, 18% motociclistas, 9% passageiros ou motoristas de autos e 3% ciclistas.
Nos últimos cinco anos, o Departamento Nacional de Trânsito teve à disposição R$ 415 milhões (provenientes das multas) para investir em projetos de redução de acidentes. Só R$ 5,3 milhões foram repassados!
Estudo da FGV calcula que a cidade de São Paulo deixa de gerar R$ 26,8 bilhões por ano devido à perda de tempo nos congestionamentos e aos custos totais ligados a acidentes e doenças derivados do trânsito.
Muitos fatores alimentam esses números sinistros. Nosso modelo de desenvolvimento urbano promove enorme desigualdade social, que obriga milhões de pessoas a se locomoverem por grandes distâncias para ter acesso ao trabalho e aos serviços e equipamentos públicos. Vivemos, cada vez mais, um modelo de mobilidade e transporte que oferece todos os incentivos possíveis para a locomoção por meio do automóvel.
Enquanto isso, os investimentos em transporte público coletivo continuam se arrastando lentamente.
Bilhões de reais que poderiam melhorar imediatamente o transporte público são gastos em túneis, novas pistas e avenidas que em pouco tempo estarão entupidas (são 800 novos carros por dia nas ruas de São Paulo!).
O governo federal promove incentivos fiscais e creditícios para a indústria automobilística sem a contrapartida de motores menos poluentes e matriz energética mais limpa.
Para mudar esse quadro, não faltam exemplos e propostas: dar prioridade absoluta para metrô, trens e corredores de ônibus; estabelecer políticas para facilitar e incentivar a locomoção por bicicletas; melhorar a qualidade do diesel e da gasolina e incrementar o uso de combustíveis mais limpos; comercializar no Brasil automóveis, ônibus e caminhões com a mesma tecnologia menos poluente que a indústria automobilística utiliza na Europa e nos EUA; oferecer segurança para o pedestre, calçadas de boa qualidade, acessibilidade universal para os deficientes físicos, rigor nas leis de trânsito e programas de educação cidadã; implementar inspeção veicular em toda a frota automobilística; redimensionar os investimentos públicos para diminuir a desigualdade social e regional na oferta de trabalho e no acesso a equipamentos e serviços públicos para diminuir a necessidade de deslocamentos.
Cabe à sociedade convencer os governos a priorizar, acima de localizados e poderosos interesses econômicos, a qualidade de vida dos cidadãos.

ODED GRAJEW , 65, empresário, é um dos integrantes do Movimento Nossa São Paulo e membro do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. É idealizador do Fórum Social Mundial e idealizador e ex-presidente da Fundação Abrinq. Foi assessor especial do presidente da República (2003).


FONTE: Jornal A Folha de São Paulo 20/09/2009

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Setembro sem carro - dia 18

Hoje cedo a Band TV me acompanhou desde cedo registrando imagens para uma matéria especial sobre o Dia Mundial sem Carro - 22 de setembro. Algumas pessoas tem comentado que não tem nada de mais andar a pé pela cidade e muitos fazem isso há muito tempo. É verdade. Que não tem nada de mais pegar metro, andar de bicicleta e outros muitos fazem isso também há muito tempo. Concordo. Outro comentário anônimo mas legítimo questionou se tudo isso não é puro marketing. Também concordo. Logo pode aparecer alguém dizendo que não usar o carro é um jeito de chamar a atenção. Claro que é. Chamar a atenção para um novo comportamento. Buscar outras maneiras de se locomover por São Paulo durante um mês e escrever sobre isso faz bem antes de tudo para mim mesmo. Não defendo nenhuma causa ambiental e não pretendo pregar que todos devam abandonar seus carros na garagem. Mas talvez alguém se anime. Talvez alguém se arrisque a jogar o jogo de buscar outros meios de se deslocar pela cidade. Eu me considero uma pessoa atenta, interessada pelo desenvolvimento integral do ser humano, pela qualidade das relações entre as pessoas, por arte e educação, por questões de sustentabilidade e exercício da cidadania e levei 30 anos para me dar conta que não dá para continuar a pensar o uso do carro como sempre pensei! Estou falando da cegueira de uma pessoa que se deu conta que era absolutamente viciada em usar o carro. Sinto que estou deixando o carro de lado como quem se livra de uma dependência. Se São Paulo se beneficiar com isso, ótimo! Por hora a única certeza é que estou me sentindo mais livre e mais feliz. E isso é bom.




quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Setembro sem carro - dia 17

Bicicleta. Amanhã começo a incluir a bicicleta como mais um cipó, digo, mais um meio de transporte para me deslocar por São Paulo. Tem muito conteúdo interessante pela internet tratando de roteiros, dificuldades, testemunhos, conselhos, onde estacionar, como se precaver de acidentes e roubos, etc. No momento tudo que preciso é comprar uma bicicleta. Os próximos dias deve ser recheados de conversas com amigos ciclistas e logo virão os primeiros registros visuais pela cidade. Devo optar por uma bicicleta montada. Ela é um pouco mais cara mas é ajustada sob medida: altura do quadro, peso, tipo de roda, freio e cambio.

Primeiro balanço. Nas conversas em torno da experiência de ficar sem carro por um mês percebi que deixar o hábito de usar o carro requer uma mexida em uma porção de crenças, idéias, comportamentos e na própria relação com a cidade. É como parar de fumar. Todo fumante sabe que faz mal, que deveria parar mas é um hábito encrustrado e com raizes profundas. Largar o carro é um exercício de desapego que tenho encarado menos como um sacrifício e mais como um jogo, uma experiência lúdica.

Prós e contras.

Alguns argumentos que protegem o uso do carro como meio de transporte preferido:

1. uso sozinho e decido quando ir e quando voltar sem depender de ninguem
2. me sinto seguro e protegido dentro dele.
2. é confortável, posso ouvir música e abstrair o barulho de fora fechando os vidros.
3. se tiver ar condicionado, não importa o tempo lá fora, chuva ou calor, dentro esta sempre fresquinho.
4. não sinto cheiro e não tenho contato com pessoas, ou seja, é mais higiênico.
5. defino a velocidade que quero (mais ou menos, né?)
6. dá status e é algo que está ligado a minha identidade, meu jeito de ser (adventure, stile, mille, ecosport, classic, off-road, etc)
7. é facil de financiar em parcelas pequenas por 5 anos.

O que mais?

Argumentos que fortalecem a opção pelo não-uso do carro como meio de transporte principal:

1. contribui para congestionar a cidade e polui o ar.
2. é irracional uma tonelada ou mais para transportar na maioria das vezes uma só pessoa
3. tem um alto custo de manutenção: IPVA, seguro, estacionamento e combustivel
4. isola o usuário do convívio com outras pessoas
5. alimenta o círculo vicioso que pede mais investimento na malha viária da cidade: pontes, marginais, avenidas, estacionamentos.
6. contribui para o sedentarismo e a acomodação.
7. estressa o usuário por vários motivos: segurança, engarrafamento, transito caótico, motoqueiros, radares, etc.

O que mais?

Hoje percebo uma boa sensação de maior independência da necessidade de usar o carro. Vou voltar a usá-lo em breve mas com certeza de um outro jeito. Talvez passe a usá-lo 10 vezes menos do que usava anteriormente. Quero te-lo como meio disponível entre outros como caminhar, ir de ônibus, de metro, de trem, de carona, de bicicleta e de taxi. Talvez venha a usá-lo somente nos finais de semana para algum programa com a familia toda, um passeio ou viagem.

Dia 16 - 19h00 - Com Daia e Joaquim Freitas, na Pro-Matre

Dia 16 - 21h00 - com alunos na Palas Athena

Dia 17 - 13h00 - com Felipe e George Winnik na reunião do IRBEM

Dia 17 - 14h00 - Cemitério da Consolação


Dia 17 - 17h30 - Corredor de onibus da av. Rebouças