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terça-feira, 18 de maio de 2010

Pedalada & Inovação

Domingo às 14h, doze horas depois da Rodada Cultural no Sesc Pinheiros, começamos nova jornada com alunos, professores, coordenadores e pais de alunos do Colégio Bandeirantes. Criamos uma pedalada temática por São Paulo aproveitando o espírito da Virada Cultural e visitamos alguns lugares com o olhar para Inovação na cidade.

Nosso percurso começou no Paraíso e teve a primeira para da Ghost Bike na Avenida Paulista em memória da cicloativista Márcia Prado. Ali mesmo o JP lembrou que na quarta-feira, dia 19 de maio, acontece sempre o Pedal do Silêncio onde ciclistas caminham ao lado de suas bikes, nenhuma palavra é ouvida e todos assim homenageiam os que faleceram pedalando pelo mundo.
Logo alcançamos a Praça do Ciclista na esquina da Consolação, ponto de encontro de muitos pedalantes e ponto de partida da Bicicletada que acontece toda ultima sexta do mês.

Logo chegamos na Bela Cintra onde o Pablo Handl, um dos fundadores do HUB, contou para todos um pouco de sua história de vida e da criação de um espaço fantástico que reúne cerca de 180 empreendedores em diversas áreas num ambiente de intensa cooperação, criatividade e alegria. Seguimos para o Beco do Batman na Vila Madalena e terminamos no Ekoa Café onde fomos recebidos por mais um anfitrião, o Henrique Bussacos. Novamente ouvimos a história de um administrador de empresas que deixou uma promissora carreira em bancos de investimentos para criar em São Paulo uma cafeteria que oferecesse mais que pães de queijo e café. Esse mesmo ambiente abriga a Tekoha, também criada por ele, que comercializa artesanato de diversas comunidades brasileiras.

Já eram seis da tarde e oferecemos a opção de usar o metrô para voltarmos para o Colégio Bandeirantes. Que nada. Todos queriam voltar de bicicleta e a jornada de bicicleta e inovação terminou no comecinho da noite. Isso tudo não aconteceria sem o apoio de algumas pessoas especiais. O Emerson e o Ricardo, da coordenação do Bandeirantes, Gatti e Luis, os dois monitores que tornaram fácil e divertido o pedalar pela nossa São Paulo.

Curtam as imagens da Peladada para a Inovação.



quinta-feira, 22 de abril de 2010

Carta da Terra

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Começa com você em se transformar para transformar o mundo.


· O que é a Carta da Terra?

A “Iniciativa da Carta da Terra” é o nome dado a uma rede global de extraordinária diversidade de pessoas, organizações
e instituições que participam da promoção e implantação dos valores e princípios da Carta da Terra.

A Carta da Terra é uma declaração de 16 princípios éticos fundamentais para a construção de uma sociedade global justa,
sustentável e pacífica. Ela é estruturada em quatro grandes tópicos: Respeito e cuidado pela comunidade da vida, inte-
gridade ecológica, justiça social e econômica, democracia, não-violência e paz. É uma visão de esperança e um chamado à
ação.

· Como posso difundir essa idéia?
Além de falar da iniciativa da Carta da Terra aos seus amigos e familiares, você pode publicar no seu blog, site ou perfil nas
redes sociais o comercial da campanha ou banner e logotipo da Carta da Terra.

Você pode também unir-se a Carta da Terra no Orkut, Facebook, Linkedin, Youtube e Twitter comentando, divulgando e
convidando seus amigos a participar dessa iniciativa. No Twitter, lhe convidamos a usar o hashtag #cartadaterrabr para
tentarmos assim alcançar o maior número de pessoas.


Nos links a seguir você pode baixar os banners vertical e horizontal da campanha no formato gif, para solicitar o arquivo
HTML ou swf, responda esse e-mail com a solicitação no campo “Assunto”.

· Sobre a campanha “Começa com você”
A campanha remete ao pensamento de Gandhi que lembra que a mudança que queremos ver no mundo começa por
cada indivíduo. O objetivo é fomentar entre o grande público o conceito de “Cidadania Terra” onde os interesses pelo
bem comum do planeta estão acima dos individuais.

O filme será veiculado a partir do dia 22 de Abril no Brasil e na América Latina e possivelmente na Europa, em espaços
doados pelas principais emissoras de televisão por assinatura e redes aberta. A campanha conta também com anúncios
impressos doados por diversas revistas e jornais, um spot de rádio e banners para veiculação na internet.

Participe!

Afinal, sonhamos com um planeta mais justo, sustentável e pacífico.


Para mais informações escreva para contato@cartadaterrabrasil.org ou acesse www.cartadaterrabrasil.org

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Tintim na Cozinha - A colheita


RECEITA TINTIM (por Mariana Torres)

Reúna pessoas interessadas em passar tempo de qualidade juntas

Acrescente alegria, atenção, cuidado, disponibilidade e fome

Bata tudo com sentimento, empenho, dedicação

Coloque uma pitada de tempero, de imprevisto, de improvisação

Unte a fôrma da razão com emoção e intuição

Despeje a mistura num recipiente do tamanho do mundo

Aqueça tudo por cerca de duas horas e meia...

Voilà!

Tintin: um brinde ao que somos quando podemos ser


Mão na massa, e muita massa na mão.
Risadas e gargalhadas regadas com chuva de farinha.
Expansão dos sentidos, tato, olfato e paladar aguçado.
Pais e filhos, companheiros de vivências e novas experiências.
Fluidez, ritmo, leveza e delicadeza.
Mistura de cores, sabores, olhares e verdades.
Gente criança, jovem, adulto... todos com grandeza.
Hora sem relógio e presença do tempo.
Intervalo vazio de tarefas e pleno de sentido.
Inspiração, celebração, conexão.

Momentos de saúde, paz e amor. Tintim!

Deborah Dubner

Não sei se ainda tá valendo mais dou agora minha parte da colheita:
Vou simplesmente digitar meus pensamentos que já apresentei lá no dia.
Acho que foi uma experiência super divertida que reforçou ainda mais para mim a força do trabalho em grupo.
Já cozinhei muito sozinho e vi como fica mais dinâmico, rápido, menos cansativo e mais divertido cozinhar em um grupo grande.
Até lavar fica gostoso. Bom, foi isso que aprendi nessa aula diferente.

Daniel Bueno



Olhares, trocas, silêncio, barulho, música, brincadeiras....
Momentos do coletivo, momentos do indivíduo
Todos souberam quais eram seus respectivos papéis e responsabilidades.
Colhemos o melhor: comida com amor universal, regados com uma energia incrível.
Obrigada

Daia Mistieri





Todo mundo metendo a colher em tudo...
No som, na comida, na mesa, em detalhes...
Cada um encontrando o seu espaço, todos compondo uma deliciosa massa...
Um olhar diferente para as coisas de sempre: farinha, batata, maçã, farinha
Dá-lhe farinha!
Tempo para saborear a fome, o imprevisto, o cheiro na cozinha
Da combinação de temperos, sugestões, sentimentos e mãos
Boas conversas, risadas e comida boa ao paladar
Corpo e alma bem nutridos
Alimento pra digerir e saborear por semanas.

Mari Torres





Algumas frases na fala de algumas pessoas:

"Tudo fica mais fácil e vai mais rápido em grupo..." Daniel Bueno

"Experiência para sair da zona de conforto conscientemente..." Daia Mistieri

"Quando você entende você aprende" João Pedro

"Em pouco tempo ela [minha filha] já estava sendo ela" Sandra Paz

"Tudo no seu devido tempo, nem rápido, nem devagar, abraçando os imprevistos."



Tenho pensado nessa coisa de pequenas ações para mudar o mundo. Numa semana onde acontecerão conversas de gente graúda em Copenhagem para discutir as mudanças climáticas no mundo, eu resolvi colaborar de um jeito caipira: coloquei um balde no box do chuveiro para aproveitar a agua que cai enquanto o banho esquenta e usar esta água na descarga do vaso sanitário. Uma verdadeira bobagem. Mas eu me sinto feliz fazendo essa solitária economia de água testemunhado apenas pelos azulejos do banheiro.

E na Cozinha do Tintim senti a mesma felicidade entre jovens e adultos numa dança de gestos, risos, ovos, batatas, conversas, farinha, tomates e maças. Diversidade de gente e de sabores. Encontrei as coisas que eu imagino ter no mundo dos meus sonhos. Cooperação, alegria e movimento. E a forma espontânea e livre de participar do acontecer das coisas, com mínimas instruções de um Chef e uma clara orientação do para onde ir foi o bastante para sentir uma alegria silenciosa. E parece que ela circulou entre todos nós.

Traduzimos de modo natural o cuidar do grande cuidando do pequeno em cada gesto na cozinha. E talvez cuidar do mundo possa ser cuidar de cada pequeno pedaço desse mundo, cuidar de cada pessoa que pertence ao nosso mundo e de cada interação que temos com as coisas do mundo. Água, batata ou gente.

Agora e sempre um brinde pela saúde do nosso mundo: TINTIM!!

José Bueno

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Ciclocidade, bicicletada e maratona

Deve ser algum trígono poderoso entre Mercúrio, Júpiter e Marte ...

Na sexta feira participei da fundação da Ciclocidade, uma associação de ciclistas urbanos em São Paulo. Daqui para frente não seremos apenas ciclistas, apaixonados ou ativistas por um cidade mais limpa e com menos carros. A representatividade de uma associação organizada de modo formal foi um passo importante. Me senti orgulhoso em estar lá aprovando a ata de fundação como um dos 100 sócio-fundadores presentes. Esperando o que? Associe-se também: www.ciclocidade.com.br




by Mathias

Mais fotos de Edugreen @ Flickr: http://www.flickr.com/photos/edugreen/sets/72157622880465680/show/with/4135512685/

Na sexta me juntei ao grupo que faz Bicicletada, ou movimento Massa Crítica, como quiser. Cheguei na Praça do ciclista onde é feita a largada na companhia dos meus bike-padrinhos: o João Paulo e a Evelyn, duas figuras adoráveis que fizeram este ano a travessia Berlin-Copenhagem na pedalada. 800 km em 10 dias. Já começa a me dar vontade de pensar num roteiro para fazer no ano que vem. Por hora é pedalar muito e conhecer os roteiros aqui no Brasil e na Europa. JP, Evelyn e eu pedalamos juntos de Pinheiros até a esquina da av. Paulista com a rua da Consolação. Exatamente na hora da largada caiu um temporal e aguardamos parar a chuva para largar. Umas 200 pessoas talvez. O ponto alto foi cerca de uma hora depois: a invasão do Shopping Vila Olimpia, recentemente inaugurado com centenas de vagas para carros e ... sem bicicletário. De repente, estavamos todos no estacionamento vazio do shopping cercados de seguranças que se perguntavam: quem é o responsável por esta zona? A resposta era fácil: aquele ali de bicicleta. Logo fomos embora sem tirar nenhum pedaço e com uma sensação de missão cumprida. Valeu a noite.







No domingo, provocado pelo Pablo sai de casa de manhã para pedalar com o grupo que todo domingo se encontra na FNAC. Choveu muito pela manhã e ainda garoava quando sai de casa. Mas às 9h30 o clima tava perfeito e lá fui eu. Sem o Pablo. Durante o trajeto que durou 42km (nunca havia imaginado pedalar tanto...) entendi o slogan estampado nas camisetas amarelas desta tribo: vai quem quer, volta quem pode! Yes, I can!!!!! Na segunda eu tava moído e até o maxilar doía. Mas hoje é terça e está tudo bem. Especialmente as costas e a bunda.

Osvaldo Stella e Jarbas Agnelli

Foi um privilégio passar 12 horas debaixo de um toró de coisas legais durante o TEDxSP. E sou muito grato a todos que fizeram a idéia de um mundo melhor parecer algo tão perto e tão possível durante cada minuto naquele dia.

Ache uns minutinhos para assistir estes dois videos do TEDxSP.

Para mim, entre pessoas fantásticas, estes dois dão o tom do que aconteceu. Pouco a pouco os vídeos com cada uma das palestras está chegando e é só acompanhar por lá: http://www.tedxsaopaulo.com.br

Espero que curta.

TEDxSP 2009 - Osvaldo Stella from TEDxSP on Vimeo.



TEDxSP 2009 - Jarbas Agnelli: "Birds on the Wires", uma música e sua história from TEDxSP on Vimeo.



Quando eu tinha 14 anos aconteceram duas coisas interessantes. Descobri uma escola de Yoga, o Instituto Narayama e comecei a frequentar a ECA para assistir peças de teatro na EAD onde minha irmã se formou atriz. Isso foi em 1974. Não acompanhei meus amigos do colégio e tomei gosto por teatro, política estudantil, asanas e meditação, vi o Lula parar fábricas no ABC, corri da cavalaria da polícia durante manifestações estudantis e era uma emoção forte acompanhar leituras dramáticas de textos proibidos que tinham palavrão! Pode? Me sinto alguem do século retrasado falando estas coisas mas é verdade. Meu pai tentou me recuperar me oferecendo uma viagem para Disney! Já não tinha mais volta. Queria mesmo era ir para India!!! Nem preciso dizer que não fui nem para Disney, nem para India ... e comecei a sonhar com um mundo diferente do mundo que me ofereciam.

Me formei arquiteto na USP e lá passei os cinco anos pesquisando o adobe, a taipa, as construções tradicionais em arcos e abóbodas, processos e materias construtivos alternativos. Era uma fantasia de estudante que não tinha nada a ver com a arquitetura que se pensava no Brasil. Veja só... Me afastei das pranchetas e tomei o caminho da educação pelo corpo. Me tornei professor da arte Aikido. Fiz do corpo minha linguagem para falar da possibilidade de harmonia em qualquer conflito. Abri um Dojo tradicional e fora do tatame levo para cantos diversos a filosofia e a visão do Aikido.

Fazer parte do TEDxSP e acompanhar cada conversa, cada história e perceber que hoje há uma grande rede de pessoas diferentes, criativas e visionárias me deu uma sensação de conforto imensa. O TEDxSP pareceu uma convenção de pessoas estranhas, relatando o quanto valeu a pena remar para um lado diferente. Se uma multidão navega sem questionar para um único lado isto não significa que navegam para o melhor lado. Talvez estejam todas indo para um grande abismo. Encontrar um time de pessoas corajosas, atrevidas, persistentes e criativas foi um prazer enorme e criou uma rara sensação de pertencimento. Sinto que valeu a pena olhar desde cedo para um outro lado e o TEDxSP revelou que são muitos olhos e corações olhando para este mundo melhor, mais saudável, mais cooperativo, mais sustentável e mais amoroso.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

TEDxSP.

O que o Brasil tem a oferecer ao mundo agora?

Teve alguma coisa de Rock in Rio neste evento. Fazia tempo que não sentia a emoção de ter participado de um encontro especial, inédito e mágico. No palco não tinha nenhuma banda de rock pela primeira vez no Brasil. Mas havia uma expectativa no ar desde o processo de seleção de platéia. Os interessados em participar do primeiro TEDxSP responderam, além das questões formais como nome, empresa, cargo e email, o seguinte formulário online:

Cite ao menos um site que nos ajude a entender você melhor :
(seu blog, o site da sua empresa, currículo, artigos ou pesquisas, vídeos, fotos suas ou tiradas por você, seu perfil no facebook, LinkedIn, twitter)
Na sua opinião, o que o Brasil tem a oferecer ao mundo agora?
E você, o que tem a oferecer ao mundo agora?
O que você espera ganhar ao participar do TEDx SP?
O que você tem a contribuir com a comunidade TEDx SP?
Se outra pessoa fosse descrever suas maiores conquistas em até 3 sentenças, o que ela falaria?
O que nós precisamos saber sobre você, que nós não perguntamos?


Fiquei feliz em ter sido selecionado para fazer parte da platéia. O credenciamento aconteceu no dia anterior no HUB. Em cada crachá vinha identificado o nome e a empresa. Como trabalho em vários lugares lá estava na identificação o meu nome seguido das redes onde atuo: Aikido Harmonia, Amana-Key, Palas Athena, Tintim, Ação Harmonia Brasil. E ainda faltou espaço para incluir o SESC, a SOL Brasil e o Aiki Extensions Inc. O que era uma angústia no passado, quase me convenceram que eu era um cara disperso e sem foco, hoje é absolutamente confortável.

No palco, no lugar de guitarras, baterias, teclados e pirotecnia tinha apenas um piano de cauda que foi tocado no começo e no fim do evento por dois pernambucanos, o Vitor Araújo e o Rannieri Oliveira. Durante todo o sábado, uma sequencia fantástica de palestras curtas de 15 minutos, tempo suficiente para se emocionar com histórias e experiências de brasileiros que estão inventando e fazendo a diferença em vários campos de conhecimento. E cada deu a sua visão pessoal do que o Brasil tem a oferecer ao mundo. De Regina Casé a Fabio Barboza. Como Mestre de Cerimônias, Helder Araujo, um jovem com menos de 30 anos que, inspirado pela participação no TED na Califórnia, mobilizou uma incrivel equipe para fazer acontecer o primeiro TED na America Latina. Impecável e respeitosa produção que contou com o apoio do Banco Santander e da Oi.

Se quiser saber mais do evento acesse o site oficial: http://www.tedxsaopaulo.com.br/



Saí de lá orgulhoso de ser brasileiro e estar vivo neste momento da história do mundo. O quadro geral parece ser composto por enormes desafios pela frente, complexidade, modelos econômicos, sociais, políticos, educacionais questionados em todo mundo e em cada mesa de bar, dúvidas e incertezas, desigualdade e violência por todo lado, riscos ambientais irreversíveis e uma pobreza generalizada de valores. O mundo está do jeitinho que o pessimista gosta para dizer que não dá mesmo.

Mas do outro lado tem coisas acontencendo e o TEDxSP juntou uma boa parte destas coisas no Teatro da Moóca. Parte delas estava no palco e outra parte certamente na platéia. E outros muitos mais que não estavam lá. Existem pessoas fantásticas espalhadas por aí e quando elas se reunem o resultado é mágico. O tal mundo melhor está tomando uma cara. Tem muita gente criando, muitos brasileiros motivados em achar soluções novas para os velhos problemas. Tem gente de coração bom, pensando grande, para o bem de todos e gerando resultados extraordinários. E tem alguma coisa do brasileiro que dá cada vez mais para sentir. Um misto de criatividade com inocência, de fertilidade com talento para misturar coisas, de alegria e otimismo, de batucada e esperança. E o melhor de tudo, está dando certo. Sinto que tem muita gente pelo mundo olhando para esse nosso jeito de ser e criar.

E a pergunta fica no ar: o que o Brasil tem a oferecer ao mundo agora?

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Setembro sem Carro na TV

Aqui está o resultado final da reportagem exibida em 22/09, Dia Mundial sem Carro, na TV Bandeirantes. Espero que gostem.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Setembro sem carro - dia 22

Você sabe que dia é hoje? Com essa frase eu fazia o primeiro contato com motoristas desconfiados que passavam de carro pela Av. Paulista. Pois é, fui visitar a esquina onde o Movimento Nossa São Paulo montou uma tenda para divulgar o Dia Mundial sem Carro provocando o pensar sobre mobilidade urbana na cidade. Assim que cheguei encontrei Oded Grajew panfletando, o Mauricio Broinisi e a Luanda Nera que me ofereceu duas camisetas do DMSC, uma para Daia e outra para mim. Percebi que a panfletagem estava sendo feita nas calçadas para pedestres que transitavam pela avenida mais famosa de São Paulo. Perguntei se alguem estava distribuindo folhetos para motoristas e ouvi que a maioria estava de vidros fechados por conta da chuva que caia no meio da tarde. Como quando cheguei a chuva tinha dado uma pausa, arrisquei pegar alguns folhetos e panfletar no canteiro central da Av. Paulista. Fiquei lá entre 16h e 18h, com folhetos na mão e usando uma máscara para encarar a fumaça entre os carros que não é pouca não. No fim da noite, durante o treino de Aikido, respirava com alguma dificuldade e é claro que tem alguma relação com as duas horas passadas no meio dos carros.


17h00 - na av. Paulista em frente ao Conjunto Nacional

Você sabe que dia é hoje? Era o mote para me aproximar com o logo do Dia Mundial sem Carro estampado na camiseta. Muitos não queriam conversa alguma com um careca mascarado. Devia ser uma imagem meio assustadora. Outros logo percebiam que era uma aproximação inofensiva e abriam seus vidros e seus sorrisos. Quando percebia que o motorista relaxava ao saber que eu não era um vendedor nem um assaltante eu engatava uma segunda pergunta: Você acha que dá para passar um dia por ano sem carro? Essa pergunta ajudava a apresentar a idéia central do DMSC: deixar o carro na garagem por um dia. Houve muitas interações legais, gente consciente, gente respeitosa e também gente travada. Bem travada. No fundo, o dia de hoje foi um dia que ajudou a trazer um pouco de luz sobre o uso racional do carro na cidade como parte da solução de um problema tão complexo. Algumas pessoas, homens e mulheres, mostravam-se tão fechados nos seus carros e por alguns instantes eu me senti como o limpador de vidros, o vendedor de chiclete, o malabarista do farol que a maioria não dá a menor pelota. Pessoas que simplesmente não querem ser incomodadas por nada e ninguém. Querem apenas chegar ao lugar para que se dirigem sem serem interrompidas. Imagino que estas pessoas devam ser assim também em elevadores. Deve ser uma experiencia perturbadora por longos segundos: ver, ouvir e sentir pessoas estranhas tão perto. Será que as pessoas relaxariam se houvesse um Dia Mundial sem Medo?

Ecotaxi movido a pedaladas

Biocombustivel

Ele cantava na avenida enquanto eu panfletava

Dia Mundial sem Carro - Oded Grajew

No Dia Mundial Sem Carro, 22 de setembro, diversas atividades (programação no site www.nossasaopaulo.org.br) visam chamar a atenção da sociedade sobre os graves problemas causados pelo modelo de mobilidade adotado nas cidades que privilegiam o transporte individual e o automóvel.
Nesse modelo, o trânsito das grandes e médias cidades brasileiras ocupa um tempo precioso de todos os que nelas vivem, estudam e trabalham -o paulistano desperdiça, em média, duas horas e 43 minutos todos os dias nos congestionamentos. Tempo que poderia ser usado para o lazer, a cultura, para namorar, para estar com amigos e familiares.
Não bastasse todo esse tempo perdido, ainda ficamos expostos a um trânsito totalmente poluído, causando tumores e inúmeras doenças respiratórias e cardiovasculares. Estudos da Faculdade de Medicina da USP apontam que, apenas na cidade de São Paulo, morrem, em média, 12 pessoas por dia devido à poluição, encurtando a vida média do paulistano em um ano e meio.
Além do custo em vidas, os impactos operacionais e financeiros no sistema de saúde causados pela poluição são imensos. No mesmo sentido, é importante lembrar que o setor de transportes é responsável por 15% dos gases que causam o aquecimento global e a mudança climática.
O diesel e a gasolina consumidos no Brasil estão entre os piores do mundo, e a indústria automobilística fabrica motores menos poluentes apenas para exportação. Apesar disso, tramita no Congresso um projeto de lei que permite a comercialização no Brasil de carros leves a diesel.
Com a qualidade atual do diesel brasileiro (contendo altíssima quantidade de enxofre) e a tecnologia dos motores que a indústria automobilística utiliza no Brasil, a aprovação dessa lei resultaria na morte adicional de milhares de brasileiros por ano.
A inspeção veicular, obrigação dos governos estaduais e dos grandes municípios, ainda está muito longe de cumprir seu papel.
Nos acidentes de trânsito, morrem cerca de quatro pessoas por dia na cidade de São Paulo -44% pedestres, 18% motociclistas, 9% passageiros ou motoristas de autos e 3% ciclistas.
Nos últimos cinco anos, o Departamento Nacional de Trânsito teve à disposição R$ 415 milhões (provenientes das multas) para investir em projetos de redução de acidentes. Só R$ 5,3 milhões foram repassados!
Estudo da FGV calcula que a cidade de São Paulo deixa de gerar R$ 26,8 bilhões por ano devido à perda de tempo nos congestionamentos e aos custos totais ligados a acidentes e doenças derivados do trânsito.
Muitos fatores alimentam esses números sinistros. Nosso modelo de desenvolvimento urbano promove enorme desigualdade social, que obriga milhões de pessoas a se locomoverem por grandes distâncias para ter acesso ao trabalho e aos serviços e equipamentos públicos. Vivemos, cada vez mais, um modelo de mobilidade e transporte que oferece todos os incentivos possíveis para a locomoção por meio do automóvel.
Enquanto isso, os investimentos em transporte público coletivo continuam se arrastando lentamente.
Bilhões de reais que poderiam melhorar imediatamente o transporte público são gastos em túneis, novas pistas e avenidas que em pouco tempo estarão entupidas (são 800 novos carros por dia nas ruas de São Paulo!).
O governo federal promove incentivos fiscais e creditícios para a indústria automobilística sem a contrapartida de motores menos poluentes e matriz energética mais limpa.
Para mudar esse quadro, não faltam exemplos e propostas: dar prioridade absoluta para metrô, trens e corredores de ônibus; estabelecer políticas para facilitar e incentivar a locomoção por bicicletas; melhorar a qualidade do diesel e da gasolina e incrementar o uso de combustíveis mais limpos; comercializar no Brasil automóveis, ônibus e caminhões com a mesma tecnologia menos poluente que a indústria automobilística utiliza na Europa e nos EUA; oferecer segurança para o pedestre, calçadas de boa qualidade, acessibilidade universal para os deficientes físicos, rigor nas leis de trânsito e programas de educação cidadã; implementar inspeção veicular em toda a frota automobilística; redimensionar os investimentos públicos para diminuir a desigualdade social e regional na oferta de trabalho e no acesso a equipamentos e serviços públicos para diminuir a necessidade de deslocamentos.
Cabe à sociedade convencer os governos a priorizar, acima de localizados e poderosos interesses econômicos, a qualidade de vida dos cidadãos.

ODED GRAJEW , 65, empresário, é um dos integrantes do Movimento Nossa São Paulo e membro do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. É idealizador do Fórum Social Mundial e idealizador e ex-presidente da Fundação Abrinq. Foi assessor especial do presidente da República (2003).


FONTE: Jornal A Folha de São Paulo 20/09/2009

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Setembro sem carro - dia 18

Hoje cedo a Band TV me acompanhou desde cedo registrando imagens para uma matéria especial sobre o Dia Mundial sem Carro - 22 de setembro. Algumas pessoas tem comentado que não tem nada de mais andar a pé pela cidade e muitos fazem isso há muito tempo. É verdade. Que não tem nada de mais pegar metro, andar de bicicleta e outros muitos fazem isso também há muito tempo. Concordo. Outro comentário anônimo mas legítimo questionou se tudo isso não é puro marketing. Também concordo. Logo pode aparecer alguém dizendo que não usar o carro é um jeito de chamar a atenção. Claro que é. Chamar a atenção para um novo comportamento. Buscar outras maneiras de se locomover por São Paulo durante um mês e escrever sobre isso faz bem antes de tudo para mim mesmo. Não defendo nenhuma causa ambiental e não pretendo pregar que todos devam abandonar seus carros na garagem. Mas talvez alguém se anime. Talvez alguém se arrisque a jogar o jogo de buscar outros meios de se deslocar pela cidade. Eu me considero uma pessoa atenta, interessada pelo desenvolvimento integral do ser humano, pela qualidade das relações entre as pessoas, por arte e educação, por questões de sustentabilidade e exercício da cidadania e levei 30 anos para me dar conta que não dá para continuar a pensar o uso do carro como sempre pensei! Estou falando da cegueira de uma pessoa que se deu conta que era absolutamente viciada em usar o carro. Sinto que estou deixando o carro de lado como quem se livra de uma dependência. Se São Paulo se beneficiar com isso, ótimo! Por hora a única certeza é que estou me sentindo mais livre e mais feliz. E isso é bom.




quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Setembro sem carro - dia 17

Bicicleta. Amanhã começo a incluir a bicicleta como mais um cipó, digo, mais um meio de transporte para me deslocar por São Paulo. Tem muito conteúdo interessante pela internet tratando de roteiros, dificuldades, testemunhos, conselhos, onde estacionar, como se precaver de acidentes e roubos, etc. No momento tudo que preciso é comprar uma bicicleta. Os próximos dias deve ser recheados de conversas com amigos ciclistas e logo virão os primeiros registros visuais pela cidade. Devo optar por uma bicicleta montada. Ela é um pouco mais cara mas é ajustada sob medida: altura do quadro, peso, tipo de roda, freio e cambio.

Primeiro balanço. Nas conversas em torno da experiência de ficar sem carro por um mês percebi que deixar o hábito de usar o carro requer uma mexida em uma porção de crenças, idéias, comportamentos e na própria relação com a cidade. É como parar de fumar. Todo fumante sabe que faz mal, que deveria parar mas é um hábito encrustrado e com raizes profundas. Largar o carro é um exercício de desapego que tenho encarado menos como um sacrifício e mais como um jogo, uma experiência lúdica.

Prós e contras.

Alguns argumentos que protegem o uso do carro como meio de transporte preferido:

1. uso sozinho e decido quando ir e quando voltar sem depender de ninguem
2. me sinto seguro e protegido dentro dele.
2. é confortável, posso ouvir música e abstrair o barulho de fora fechando os vidros.
3. se tiver ar condicionado, não importa o tempo lá fora, chuva ou calor, dentro esta sempre fresquinho.
4. não sinto cheiro e não tenho contato com pessoas, ou seja, é mais higiênico.
5. defino a velocidade que quero (mais ou menos, né?)
6. dá status e é algo que está ligado a minha identidade, meu jeito de ser (adventure, stile, mille, ecosport, classic, off-road, etc)
7. é facil de financiar em parcelas pequenas por 5 anos.

O que mais?

Argumentos que fortalecem a opção pelo não-uso do carro como meio de transporte principal:

1. contribui para congestionar a cidade e polui o ar.
2. é irracional uma tonelada ou mais para transportar na maioria das vezes uma só pessoa
3. tem um alto custo de manutenção: IPVA, seguro, estacionamento e combustivel
4. isola o usuário do convívio com outras pessoas
5. alimenta o círculo vicioso que pede mais investimento na malha viária da cidade: pontes, marginais, avenidas, estacionamentos.
6. contribui para o sedentarismo e a acomodação.
7. estressa o usuário por vários motivos: segurança, engarrafamento, transito caótico, motoqueiros, radares, etc.

O que mais?

Hoje percebo uma boa sensação de maior independência da necessidade de usar o carro. Vou voltar a usá-lo em breve mas com certeza de um outro jeito. Talvez passe a usá-lo 10 vezes menos do que usava anteriormente. Quero te-lo como meio disponível entre outros como caminhar, ir de ônibus, de metro, de trem, de carona, de bicicleta e de taxi. Talvez venha a usá-lo somente nos finais de semana para algum programa com a familia toda, um passeio ou viagem.

Dia 16 - 19h00 - Com Daia e Joaquim Freitas, na Pro-Matre

Dia 16 - 21h00 - com alunos na Palas Athena

Dia 17 - 13h00 - com Felipe e George Winnik na reunião do IRBEM

Dia 17 - 14h00 - Cemitério da Consolação


Dia 17 - 17h30 - Corredor de onibus da av. Rebouças

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Setembro sem carro - dia 11

Hoje eu usarei o carro. Logo mais viajo para o Rio de Janeiro com Daia, Henrique e Guillermo. Chegando lá, pretendo encostar o carro em alguma garagem e seguir o fim de semana a pé. O Circulo de Aikido é em Ipanema e caminhar pelas calçadas do Rio é muito mais agradável que em São Paulo. Vou conhecer as instalações do SESC em Copacabana e esta escolha me faz lembrar do Ricardo Sugahara que sempre ficava lá quando ia fazer a Meia Maratona do Rio. Muita saudade dele. Henrique e Guillermo ficarão onde já fiquei meses atrás, na casa de Luis Gentil no Jardim Botanico. Vitor e Guillerme, outros dois faixas-pretas do Dojo também estarão por lá e hoje à noite estaremos todos no tatame para um Yudanshakai.

Dia 9. Na quarta-feira levantei mais cedo e encarei uma corrida até o Dojo para começar o dia. Não sei se por uma pequena escoliose ou por alguma diferença no tamanho das alças da mochila que carregava, passei 30 minutos correndo e suspendendo uma das alças. Uma bobagem suficiente para ocupar a cabeça por todo percurso e ficar pensando a diferença que faz ter um ombro mais baixo que outro ... Na proxima quarta, dia 16, pretendo fazer o percurso de casa ao Dojo, correndo por dentro da USP. E com outra mochila! Até o fim do mês, devo fazer o mesmo trajeto também de bicicleta.

Linha expressa e Aikido. No final da tarde descobri uma nova linha que circula pela USP e ao atravessar o portão, segue sem parar até a estação Vila Madalena do Metro. O que fez enorme diferença para chegar em tempo na Estação Brigadeiro para nova sessão do Bun Bu Ryo Do, o Pincel e a Espada, na Palas Athena. Mereceria escrever um pouco sobre este encontro que foi todo no tatame, passando três princípios básicos da arte Aikido: perceber, aceitar e acolher o outro. Antonio Goper, aluno e artista plástico, foi uma presença especial na classe e ainda mais especial pela carona que me ofereceu ao final. Somos vizinhos da Vila Indiana!



Dia 10. Transgressão e churrasco. Depois de uma espera no ponto da Corifeu por 20 minutos, tomei a linha 715.V-10 / Santa Cruz com destino ao Parque do Ibirapuera para participar de um programa oferecido pela UMAPAZ: Transgredir é preciso. O trajeto era muito mais longo que o necessário e saltei na rua Iguatemi para pegar um taxi e chegar no horário de início. Tenho compartilhado o sentimento Tarzan de navegar pela cidade usando vários cipós: onibus, metrô, taxi, caminhada e carona. O importante é se mover e chegar onde necessario. E sempre tem um cipó perto da mão. Perto das 13h, subi de carona até a Estação Paraiso rumo ao Terminal Rodoviário do Tiete. Nem passou pela minha cabeça pegar o carro para almoçar com meu filho Daniel na república das tias onde ele mora com outros amigos na Unicamp. 1h40 de Cometa até Campinas mais 1h de onibus urbano até a reitoria e às 16h estava lá para o churrasco! Faminto confesso. Bateu uma agonia ao ver que as linguiças estavam ainda cruas sobre a brasa ... e logo teria que voltar para São Paulo. Descobri que há uma linha chamada Massa Crítica que vai da Unicamp até a Praça Panamericana e com isso ganharia um bom tempo. Suficiente para assar as linguiças e esperar pela carne que começava a ser salgada. Deu tudo certo. Além de muita salada comi as carnes feitas por dois argentinos que moram na república: Frederico e Nicholas. Na chegada na Pça. Panamericana, Daia me espera de carro e chego ao Dojo à tempo para o treino das 20h. Fim de noite no Filial da Vila Madalena. Dia longo.



Adianto as minhas primeiras impressões sobre a circulação pela cidade sem carro. Além de mexer com o apego a um modo único de pensar a mobilidade, ou seja, ir de carro, andar sem carro requer uma mudança na forma de se relacionar com o corpo, o tempo, o espaço e as pessoas. Pede pernas e mais agua, objetividade e planejamento, atenção às alternativas de chegada e saída, paciência e muito mais contato e interação com pessoas. Mas isso tudo merecerá um texto exclusivo, talvez no meio da jornada, lá pelo dia 15/09.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Setembro sem carro - dia 3

Ontem o dia terminou no aniversário de um ano da Ekoa, o café/restaurante do Henrique e da Marisa na Vila Madalena. Cheguei da Palas Athena de metrô e caminhei por vinte minutos do final da linha verde até a Fradique Coutinho. Na boa, andar na cidade requer estar bem das pernas e topar subir e descer ladeiras. Eu gosto. Mas pensei nas mulheres que gostam de usar salto. Tem que trocar por um tenis ou outro calçado leve senão fica difícil caminhar na cidade.


Hoje tive reunião no Banco Real de tarde e lá fui eu de Jardim Miriam. Antes de sair me pergunto: Sapato ou tenis? Sapato ou tenis? Afinal seria uma reunião de trabalho, projeto novo, cliente novo. Decido pelo tenis. Por que para andar é de longe mais confortável e os na hora da reunião os pés ficam debaixo da mesa. Resultado: a reunião foi ótima e saimos felizes. Eu e meus pés.

Na volta para o Dojo, passo pelo Tribunal Regional Federal para visitar e clicar minha irmã Sandra entre pilhas de processos e prédios da av. Paulista. Às 17hrs já dava para ver que o céu desabaria em São Paulo e não estava preparado, digo, sem capa e sem guarda-chuva. Desço para visitar outros alunos que trabalham no TRF, Ana Lucia e Sérgio, e saio de lá às 19h depois de muita conversa boa. Uma chuva inofensiva na saída mas o transito pela av. Rebouças estava do jeito que o diabo gosta. Senti uma silenciosa satisfação em descer pelo corredor de onibus sem trânsito até o Shopping Eldorado. Daia me pega no Dojo para jantarmos juntos no Nello's e volto de carona para casa.


Amanhã cedinho pego o Airport Bus Service na av. Faria Lima com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos. Passarei o final de semana em Recife dividido entre visita aos aprendizes do Instituto Nossa Sra. de Fátima, treino para os alunos e instrutores do Aiki-PE e participação no seminário internacional com George Sttobaerts Sensei da Tenchi Internacional de Portugal. Os dias em Pernambuco são sempre iluminados pela amizade nordestina de Paulo Gurgel, Wilson Tenório e Mario Morato e as próximas notícias virão de lá.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Setembro sem carro - dia 1

Presbiopia. Ontem ainda era agosto mas a vontade de largar o carro já era de setembro. Tinha uma consulta com oftalmologista na Vila Mariana para avaliação de minha presbiopia. Sai de lá com nova receita: 2,25 OE / 2,50 OD. Disse ela que a vista cansada evolui até os 60 anos e chega no máximo a 3,00 ou 3,50. Mas o que me interessa aqui foi descobrir que um único onibus me levou do Butantã à porta do consultório na rua Borges Lagoa. 45 min. Acho que de carro ganharia uns 15 min ...

Açai. No caminho de volta depois de breve passagem pelo Colégio Bandeirantes, fui fisgado por esculturas de açai espalhadas em mesinhas no canto de um posto de gasolina próximo à estação Paraiso. Um lugar apertado, com fotos na parede de lutadores de vale-tudo e muita porrada sendo transmitida na TV. Numa delas assisti um tal de Damian ser nocauteado em menos de 10 segundos com um direto na testa! Achei incrivel nunca ter visto esse lugar - o Posto do Açai - e nunca ter entrado para conferir. Nova surpresa perceber que um dos clientes que traçava o açai junto ao filho numa das mesas era um antigo amigo. Sócio da confeitaria Jaber que faz a melhor esfiha de São Paulo.



Porrada e cidadania. Enquanto esperava pela minha tijela e espiava de esgueia competições de jiu-jitsu na TV, passei os olhos em duas publicações que trazia comigo. A última edição de Época São Paulo que traz como matéria de capa " Uma Cidade sem Carros". Coincidência demais, não? E um livro Zigmunt Bauman que ganhei de Felipe Fagundes: Confiança e Medo na Cidade.

Novos equipamentos: Comprei uma mochila leve da adidas para levar as coisas que farão parte do meu dia a dia em setembro: 1 moleskine de desenho, 1 desodorante, 1 cueca, 1 camiseta, 1 bilhete único, 1 camera digital, 1 livro, 1 estojo com 6 canetinhas da faber castell. Algo mais?

SPTRANS. Henrique Bussacos, pedestre convicto e grande amigo, me disse ontem que além de usar o 156 com frequencia para saber sobre linhas e itinerários, usa também o site do Sptrans. Hoje vou para Liberdade comprar pincéis e tintas para o Bun Bu Ryo Do na Palas Athena e estico para o Cambuci para buscar dogis encomendados. Usei o site e pasmei. Alem do itinérário e meio ideal para ir do Butantã à rua dos Lavapés, recebo a informação mastigada do tempo estimado em cada trecho, gasto com bilhetes e distancia que devo andar a pé até o destino final. Nunca havia usado isso antes e já virei fã. Vale uma conferida: http://200.99.150.170/PlanOperWeb/ABInfPriDivGWeb.asp

Trem. Aproveito para compartilhar a paisagem que vi na semana passada quando usei a linha ferroviária para ir até a sede da Hoft Consultoria na rua Alexandre Dumas. De repente São Paulo se mostrou romântica e daria uma bela aquarela.

sábado, 29 de agosto de 2009

Setembro sem carro.

Ninguém precisa dizer que o trânsito em São Paulo caminha para o colapso. A av. Rebouças, entre outras, tende a um estacionamento gigante. Como nos Shoppings, imagino o dia que haverá uma cancela na entrada e outra na saída computando quanto tempo ficamos parados. Uma hora? Uma hora e meia? Duas horas? Usando o corredor de ônibus percebe-se uma multidão de pessoas solitárias e presas em seus carros. No Morumbi a cena é mais bizarra. Carros imensos entopem as avenidas e ruazinhas do bairro. Solidão chique encalacrada no mesmo engarrafamento diário. E as placas da CET pelas marginais devem rir de nós enquanto anunciam: 120 km de transito lento. 150 km. 200 km!

Ontem circulei de carro, de metrô e andei bastante a pé. Localizei um sentimento novo relativo ao uso do carro na minha cidade: VERGONHA. Senti vergonha em usar meu carro na cidade. Vergonha de ser visto ocupando um espaço imenso nas ruas e avenidas. Vergonha de poluir. Vergonha por ser um engarrafador de transito. Vergonha ao me perceber como causador do caos na cidade em que vivo.

Decisão: em setembro deixo meu carro na garagem para viver a vida na cidade a pé. Não vou me desfazer do carro nem deixar de usá-lo caso seja urgente. Mas quero aceitar o desafio de despoluir, de desengarrafar e de desapegar de um hábito grudado ao paulistano da classe média.

Por aqui vou registrar o dia a dia da experiência. Cada descoberta, frustração, buraco, diversão, encontros, cheiros, barulhos e imagens de um pedestre. No final do mês, dia 30/09, encerro a experiência de viver 30 dias sem usar o meu carro.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Carta ao Presidente Lula

    Caro Presidente Estou engajado como cidadão brasileiro, arquiteto e educador no movimento civil que solicita o veto do Exmo. Sr. Presidente à medida 458:

1. Nós não queremos que grandes empresas se beneficiem da MP 458 pois são elas as responsáveis por grande parte do desmatamento e queimadas da Amazônia, e consequentemente pelas nossas emissões de carbono

2. Nós queremos que o Presidente diferencie pequenos agricultores de grandes proprietários, portanto pedimos uma mudança em três pontos da MP:

  • Vetar os incisos II e IV do artigo 2º que permite a “ocupação e exploração indireta”. O veto garantirá que apenas as pessoas que moram na terra tenham direito ao título legal.
  • Vetar artigo 7º que permite título à empresas privadas. Somentepessoas físicas devem ter o direito de regularizar suas terras.
  • Proibir a comercialização das terras por 10 anos após a regulamentação (ao invés de 3 anos como foi proposto) para evitar a especulação comercial das terras.

Nunca havia escrito para www.presidencia.gov.br e a sensação de escrever para "o cara" é boa.


domingo, 24 de maio de 2009

Você já comeu sua Amazônia hoje?

Reproduzo abaixo trechos do longo e perturbador texto escrito por João Meirelles Filho, diretor geral do Instituto Peabiru, em Belém. Apesar de herdeiro de uma tradicional família de grandes pecuaristas, ele largou tudo para dedicar sua vida a salvar o que resta da floresta amazônica ameaçada pelos pastos que avançam a cada dia. Inevitável não pensar em parar de comer a Amazônia.

Amazônia: Carnaval ou Quaresma?
Por João Meirelles Filho, do Instituto Peabiru

Para os cristãos o carnaval é o momento da ruptura, onde tudo pode, a folia sem limites. A quaresma, que lhe segue, é a quarentena da comiseração, do sacrifício, da meditação. A palavra carnaval origina-se do latim medieval, de carne levare – abstenção a carne.

A Amazônia dos últimos 40 anos, desde o golpe militar de 1964, é a Amazônia do tudo pode, do carnaval – pode matar índio, pode expulsar caboclo e quilombola, pode grilar terra, pode roubar madeira, pode abrir pasto pra boi, pode garimpar ouro, pode plantar soja, pode transformar castanhal em pasto. Tudo pode. Deu no que deu: 70 milhões de hectares desmatados para pastarem os bois: mais que a soma dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo juntos!

Para a Amazônia só ficam os troféus - campeã mundial de desmatamentos e queimadas, campeã de escravização de mão de obra, campeã de desrespeito aos direitos humanos, campeã de exclusão digital, de doenças tropicais, de localidades sem bibliotecas.

O boi é o carrapato do Brasil. Suga nossa seiva, nossa selva. O boi suga nossa inteligência, nossa capacidade de pensar, nossa capacidade de nos expressarmos enquanto Nação, nos encouraça – o Brasil é um pasto cercado de arame farpado por todos os lados.

A população da Amazônia, como sempre, nem de carne de qualidade e a baixo preço se beneficia – a carne é mais cara que no Sudeste, de qualidade duvidosa e origem incerta (boa parte é oriunda de abate clandestino, o boi-mato). De toda carne da Amazônia só 15% fica na região. O restante é enviado aos outros retiros do Brasil: São Paulo e o Sudeste devoram a Amazônia. De cada três bifinhos mastigados no Brasil, pelo menos um vem da Amazônia. Você já comeu a Amazônia hoje? São mais de 75 milhões de cabeças de gado bovino na Amazônia. Em 1964 eram pouco mais de 3 milhões. Em 2020, se nada for feito, serão 200 milhões de cabeças.

Destas 75 milhões, pelo menos 10 milhões são de bois piratas – bois sem registro, sem vacina, sem controle, boi que não paga imposto, boi dentro de terra indígena e parque, que os donos escondem no fundo das invernadas, comercializados sem ninguém saber.

Para piorar, a pecuária da Amazônia gera desmatamento e queimadas, que tornam o Brasil um dos campeões do aquecimento global. Setenta e cinco por cento da contribuição brasileira ao efeito estufa vem do churrasco pirotécnico amazônico. Você cidadão gasta mais carbono ao comer seu bifinho que com o uso de veículos automotivos ou passagens aéreas.

A verdadeira causa da destruição da Amazônia é o forte crescimento do consumo de carne no último meio século. E o Brasil oferece a Amazônia para ser o grande curral o planeta. Além do sambódromo do Rio e do bumbódromo de Parintins, agora a Amazônia é o bifódromo do Planeta.

As próximas gerações não nos perdoarão por tamanho desprezo pela Amazônia e seus habitantes. Seremos aquela geração que preferiu trocar a Amazônia por mais um bifinho e um saco de carvão. Quando a próxima geração chegar teremos perdido metade,ou mais, da Amazônia porque temos preguiça de tratar o assunto com seriedade.

O que devem pensar de nós o restante do mundo quando nos vêem, pacientemente, transformar a maior floresta tropical do Planeta em picadinho? Será que não pensam assim: como podem os brasileiros, tão alegres no Carnaval, tão simpáticos, tão bonzinhos e inteligentes, aceitar entregar a Amazônia por tão pouco?

Aceitemos nossa reles condição: somos os escravos da pecuária. A pecuária é o principal motor de destruição do Brasil. Foi ela que destruiu a Mata Atlântica, o Cerrado, a Caatinga e agora devora a Amazônia. O estado de São Paulo, famoso por seus canaviais, ainda tem mais terra com boi que para cana.

Em termos mundiais a situação é ainda mais grave. A pecuária (e a área necessária para produzir comida pra boi) ocupa 40% das terras aráveis do Planeta (FAO, 2007). Isto porque a humanidade escolheu o boi como uma de suas principais fontes de proteína animal. O boi, o pior conversor de energia que existe, precisa comer 7 kg de cereal para produzir 1 kg de carne. A comida que
alimenta os boizinhos daria para saciar a fome de todo o planeta e sobraria arroz para o dia seguinte.

O problema é que o consumo de carne cresce de maneira astronômica. Enquanto o argentino e o norte-americano comem mais de 60 kg de carne bovina por ano, o brasileiro come mais de 36 kg e o chinês, magros 5 kg/ano. Se os chineses desejarem (e querem muito) dobrar seu consumo de carne, não há boi no planeta para sacia-los e aí teremos que decidir: vamos alimentar bois para os pratos chineses ou vamos tentar manter o angu do planeta Terra funcionando?

Será que não conseguimos uma combinação de atividades sustentáveis a partir da floresta em pé, da recuperação das áreas degradadas com culturas permanentes, de uma aqüicultura cabocla, de uma mineração inteligente e de ecoturismo para valer?

O Brasil sairá da adolescência quando perceber que o boi é o carrapato que suga todas as nossas forças. O boi é o carrapato que faz um verdadeiro carnaval com a gente: tem mais boi que gente neste Brasil. Está na hora de reaprendermos a ser brasileiros. Cidadania começa em nossos pequenos atos: o que decidimos comer, por exemplo.

Está na hora de pilotarmos o carrinho de supermercado cientes de que cada escolha nossa constrói ou destrói a Amazônia. Se para o dono do supermercado tanto faz de onde vem a carne, para você talvez seja diferente. Pergunte, exerça seu direito de consumidor e cidadão.

Prepare a sua fantasia para o próximo carnaval – de curupira, saci-pererê – xô boi feio, o carnaval do ano inteiro - do açaí, do cupuaçú, do ecoturismo, da madeira certificada, do turismo consciente, da Amazônia digna e respeitada. Adeus ao carnaval do Brasil da boiada sem fim.

Fonte: Instituto Peabiru / Envolverde