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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Diálogos sobre Julgamento e Rótulo

Aconteceu nos dias 24 e 31 de Julho na Palas Athena.

A psicoterapeuta Maria Fernanda Dias e eu conduzimos duas sessões de conversas sobre os presentes que julgamentos e rótulos ocultam. Foram tardes deliciosas de descobertas, risadas, pequenas histórias e alguns exercícios para perceber o mundo com um olhar mais generoso, não-violento e simples. O grande presente para mim foi a construção coletiva de um ambiente rico para conversar e aprender sobre coisas que importam.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Pedalada & Inovação

Domingo às 14h, doze horas depois da Rodada Cultural no Sesc Pinheiros, começamos nova jornada com alunos, professores, coordenadores e pais de alunos do Colégio Bandeirantes. Criamos uma pedalada temática por São Paulo aproveitando o espírito da Virada Cultural e visitamos alguns lugares com o olhar para Inovação na cidade.

Nosso percurso começou no Paraíso e teve a primeira para da Ghost Bike na Avenida Paulista em memória da cicloativista Márcia Prado. Ali mesmo o JP lembrou que na quarta-feira, dia 19 de maio, acontece sempre o Pedal do Silêncio onde ciclistas caminham ao lado de suas bikes, nenhuma palavra é ouvida e todos assim homenageiam os que faleceram pedalando pelo mundo.
Logo alcançamos a Praça do Ciclista na esquina da Consolação, ponto de encontro de muitos pedalantes e ponto de partida da Bicicletada que acontece toda ultima sexta do mês.

Logo chegamos na Bela Cintra onde o Pablo Handl, um dos fundadores do HUB, contou para todos um pouco de sua história de vida e da criação de um espaço fantástico que reúne cerca de 180 empreendedores em diversas áreas num ambiente de intensa cooperação, criatividade e alegria. Seguimos para o Beco do Batman na Vila Madalena e terminamos no Ekoa Café onde fomos recebidos por mais um anfitrião, o Henrique Bussacos. Novamente ouvimos a história de um administrador de empresas que deixou uma promissora carreira em bancos de investimentos para criar em São Paulo uma cafeteria que oferecesse mais que pães de queijo e café. Esse mesmo ambiente abriga a Tekoha, também criada por ele, que comercializa artesanato de diversas comunidades brasileiras.

Já eram seis da tarde e oferecemos a opção de usar o metrô para voltarmos para o Colégio Bandeirantes. Que nada. Todos queriam voltar de bicicleta e a jornada de bicicleta e inovação terminou no comecinho da noite. Isso tudo não aconteceria sem o apoio de algumas pessoas especiais. O Emerson e o Ricardo, da coordenação do Bandeirantes, Gatti e Luis, os dois monitores que tornaram fácil e divertido o pedalar pela nossa São Paulo.

Curtam as imagens da Peladada para a Inovação.



quinta-feira, 22 de abril de 2010

Carta da Terra

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Começa com você em se transformar para transformar o mundo.


· O que é a Carta da Terra?

A “Iniciativa da Carta da Terra” é o nome dado a uma rede global de extraordinária diversidade de pessoas, organizações
e instituições que participam da promoção e implantação dos valores e princípios da Carta da Terra.

A Carta da Terra é uma declaração de 16 princípios éticos fundamentais para a construção de uma sociedade global justa,
sustentável e pacífica. Ela é estruturada em quatro grandes tópicos: Respeito e cuidado pela comunidade da vida, inte-
gridade ecológica, justiça social e econômica, democracia, não-violência e paz. É uma visão de esperança e um chamado à
ação.

· Como posso difundir essa idéia?
Além de falar da iniciativa da Carta da Terra aos seus amigos e familiares, você pode publicar no seu blog, site ou perfil nas
redes sociais o comercial da campanha ou banner e logotipo da Carta da Terra.

Você pode também unir-se a Carta da Terra no Orkut, Facebook, Linkedin, Youtube e Twitter comentando, divulgando e
convidando seus amigos a participar dessa iniciativa. No Twitter, lhe convidamos a usar o hashtag #cartadaterrabr para
tentarmos assim alcançar o maior número de pessoas.


Nos links a seguir você pode baixar os banners vertical e horizontal da campanha no formato gif, para solicitar o arquivo
HTML ou swf, responda esse e-mail com a solicitação no campo “Assunto”.

· Sobre a campanha “Começa com você”
A campanha remete ao pensamento de Gandhi que lembra que a mudança que queremos ver no mundo começa por
cada indivíduo. O objetivo é fomentar entre o grande público o conceito de “Cidadania Terra” onde os interesses pelo
bem comum do planeta estão acima dos individuais.

O filme será veiculado a partir do dia 22 de Abril no Brasil e na América Latina e possivelmente na Europa, em espaços
doados pelas principais emissoras de televisão por assinatura e redes aberta. A campanha conta também com anúncios
impressos doados por diversas revistas e jornais, um spot de rádio e banners para veiculação na internet.

Participe!

Afinal, sonhamos com um planeta mais justo, sustentável e pacífico.


Para mais informações escreva para contato@cartadaterrabrasil.org ou acesse www.cartadaterrabrasil.org

terça-feira, 6 de abril de 2010

FICHA LIMPA

Nesta quarta-feira os nossos deputados no Congresso votarão o projeto de lei de iniciativa popular que impede a candidatura em esfera municipal, estadual e federal de candidatos condenados em 2a. instância. Isso já foi mudado pois no texto original seria inelegível o candidato com condenação 1a. instância. Colei abaixo mais informações sobre essa campanha tiradas do site do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral http://www.mcce.org.br


Assim que terminar a votação trago para cá o painel completo do posicionamento de todos os deputados. A posição a favor ou contra este projeto de lei tomada por cada um dos representantes dos estados deveria ser impressa na primeira página de todos os jornais do Brasil. Mais abaixo esta a lista dos deputados favoráveis ao projeto de lei FICHA LIMPA.

1.300.000 assinaturas a caminho do Congresso

Campanha Ficha Limpa contra a candidatura de políticos em débito com a Justiça

A Campanha Ficha Limpa foi lançada em abril de 2008 com o objetivo de melhorar o perfil dos candidatos e candidatas a cargos eletivos do país. Para isso, foi elaborado um Projeto de Lei de iniciativa popular sobre a vida pregressa dos candidatos que pretende tornar mais rígidos os critérios de inelegibilidades, ou seja, de quem não pode se candidatar.

O PL de iniciativa popular precisa ser votado e aprovado no Congresso Nacional para se tornar lei e passar a valer em todas as eleições brasileiras.
No dia 29 de setembro, o MCCE entregou ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, o Projeto de Lei de iniciativa popular, junto com 1 milhão e 300 mil assinaturas o que corresponde à participação de 1% do eleitorado brasileiro.
O PL já foi protocolado na mesa da Câmara e iniciou seu processo de tramitação na Casa, que será acompanhado de perto pelo MCCE.

A iniciativa do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) em lançar essa Campanha surgiu de uma necessidade expressa na própria Constituição Federal de 1988, que determina a inclusão de novos critérios de inelegibilidades, considerando a vida pregressa dos candidatos. Assim, quando aprovado, o Projeto de Lei de iniciativa popular vai alterar a Lei Complementar nº 64, de 18 de maio de 1990, já existente, chamada Lei das Inelegibilidades.

O Projeto de Lei de iniciativa popular sobre a vida pregressa dos candidatos pretende:
Aumentar as situações que impeçam o registro de uma candidatura, incluindo:
Pessoas condenadas em primeira ou única instância ou com denúncia recebida por um tribunal – no caso de políticos com foro privilegiado – em virtude de crimes graves como: racismo, homicídio, estupro, tráfico de drogas e desvio de verbas públicas. Essas pessoas devem ser preventivamente afastadas das eleições ate que resolvam seus problemas com a Justiça Criminal; Parlamentares que renunciaram ao cargo para evitar abertura de processo por quebra de decoro ou por desrespeito à Constituição e fugir de possíveis punições;
Pessoas condenadas em representações por compra de votos ou uso eleitoral da máquina administrativa.

Estender o período que impede a candidatura, que passaria a ser de oito anos.
Tornar mais rápidos os processos judiciais sobre abuso de poder nas eleições, fazendo com que as decisões sejam executadas imediatamente, mesmo que ainda caibam recursos.

O projeto de lei da Campanha Ficha Limpa, quando entregue à Câmara dos Deputados, no dia 29 de setembro, foi subscrito por 33 parlamentaresOutros procuraram a iniciativa depois dessa data para também apoiar o projeto.


Daia Mistieri na Câmara dos Deputados no dia da entrega das assinaturas

Conheça quem são esses parlamentares e acompanhe as notícias sobre a tramitação do PLP no Congresso Nacional no site do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral: www.mcce.org.br

LISTA DE PARLAMENTARES QUE APOIAM O PROJETO

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

OBRIGADO 2009


Coisas para compartilhar neste finzinho de ano e agora acho um tempo para escrever depois de dias corridos.


Escrevo do Vale do Pavão, em Visconde de Mauá, na casa de Julio e Raquel Galhardi onde aguardamos o inicio de 2010 nos ares das montanhas, tomando bons vinhos e rabiscando em Carandache.


Começo pelos convites do João Nery e da Cely Mantovani, respectivamente amigos e executivos da Agre e da CEF que me chamaram para participar de dois eventos distintos. O primeiro no Refúgio Cheiro de Mato em Mairiporã e o segundo na Fazenda Hípica de Atibaia. Foi meu começo de fim de ano. E mais uma vez levei a arte Aikido como plataforma para refletir sobre liderança e consciência num clima de celebração e desenho de futuro.



Logo chegou o Natal em família onde ouvimos a 26a. carta de Noel para Marinhos e Buenos. Esta cartinha é uma tradição que minha irmã Noemi herdou e mantém viva enchendo o coração de todos com os melhores momentos do ano de cada um dos filhos, netos, genros e noras de Jose e Myriam, os meus pais. Saboreamos cada palavra da carta sempre lida pela Rita, outra de minhas irmãs. Um momento mágico onde as conquistas e curiosidades de cada um dos membros de uma família é revivido. Logo beijos e abraços, troca de presentinhos de amigo secreto, novamente palavras de carinho entre todos e uma ceia para encerrar a noite.





No dia 25 uma pedalada no lugar da ressaca natalina. Apesar de dormir às 4h00, às 9h00 Daia e eu saimos de casa com nossas bicicletas para nos somarmos ao grupo do Olavo Bikers que pedalam aos domingos e feriados desde 1995. 5km de casa ao FNAC. 33 km girando por uma São Paulo sem carros e mais 5km de volta para o Butantã. Posso dizer e tenho testemunhas que foi o grande batismo de Daia sobre o celim. Yes, she can! E vamo que vamo em 2010.



Antes de viajar para as montanhas do Rio uma aflição: o que fazer com Toró e Ziza? Nossos gatos nunca passaram mais de dois dias sozinhos. Quem para cuidar dos pequenos até o começo de janeiro? Valdomiro! Trabalha no condomínio onde moro e aceitou a tarefa de limpar caixa de xixi, recolher cocô, trocar a água e cuidar da ração dos gatos. Coisa pequena que torna-se grande em época que todos viajam para fugir de São Paulo.


Agora é tempo de dormir até tarde, desenhar sem pressa na varanda, descansar no sofá, renovar energias, rir entre amigos, tomar bons vinhos, fumar bons charutos, falar bobagem, pisar no barro, olhar para o céu, sonhar grande e fazer pequeno.


Desejo a todos que acompanham e comentam as "mensagens na garrafa" deste blog um Ano Novo pleno de tudo aquilo que cada um acredita ser importante para ser feliz.


Beijos e abraços



terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Tintim na Cozinha - A colheita


RECEITA TINTIM (por Mariana Torres)

Reúna pessoas interessadas em passar tempo de qualidade juntas

Acrescente alegria, atenção, cuidado, disponibilidade e fome

Bata tudo com sentimento, empenho, dedicação

Coloque uma pitada de tempero, de imprevisto, de improvisação

Unte a fôrma da razão com emoção e intuição

Despeje a mistura num recipiente do tamanho do mundo

Aqueça tudo por cerca de duas horas e meia...

Voilà!

Tintin: um brinde ao que somos quando podemos ser


Mão na massa, e muita massa na mão.
Risadas e gargalhadas regadas com chuva de farinha.
Expansão dos sentidos, tato, olfato e paladar aguçado.
Pais e filhos, companheiros de vivências e novas experiências.
Fluidez, ritmo, leveza e delicadeza.
Mistura de cores, sabores, olhares e verdades.
Gente criança, jovem, adulto... todos com grandeza.
Hora sem relógio e presença do tempo.
Intervalo vazio de tarefas e pleno de sentido.
Inspiração, celebração, conexão.

Momentos de saúde, paz e amor. Tintim!

Deborah Dubner

Não sei se ainda tá valendo mais dou agora minha parte da colheita:
Vou simplesmente digitar meus pensamentos que já apresentei lá no dia.
Acho que foi uma experiência super divertida que reforçou ainda mais para mim a força do trabalho em grupo.
Já cozinhei muito sozinho e vi como fica mais dinâmico, rápido, menos cansativo e mais divertido cozinhar em um grupo grande.
Até lavar fica gostoso. Bom, foi isso que aprendi nessa aula diferente.

Daniel Bueno



Olhares, trocas, silêncio, barulho, música, brincadeiras....
Momentos do coletivo, momentos do indivíduo
Todos souberam quais eram seus respectivos papéis e responsabilidades.
Colhemos o melhor: comida com amor universal, regados com uma energia incrível.
Obrigada

Daia Mistieri





Todo mundo metendo a colher em tudo...
No som, na comida, na mesa, em detalhes...
Cada um encontrando o seu espaço, todos compondo uma deliciosa massa...
Um olhar diferente para as coisas de sempre: farinha, batata, maçã, farinha
Dá-lhe farinha!
Tempo para saborear a fome, o imprevisto, o cheiro na cozinha
Da combinação de temperos, sugestões, sentimentos e mãos
Boas conversas, risadas e comida boa ao paladar
Corpo e alma bem nutridos
Alimento pra digerir e saborear por semanas.

Mari Torres





Algumas frases na fala de algumas pessoas:

"Tudo fica mais fácil e vai mais rápido em grupo..." Daniel Bueno

"Experiência para sair da zona de conforto conscientemente..." Daia Mistieri

"Quando você entende você aprende" João Pedro

"Em pouco tempo ela [minha filha] já estava sendo ela" Sandra Paz

"Tudo no seu devido tempo, nem rápido, nem devagar, abraçando os imprevistos."



Tenho pensado nessa coisa de pequenas ações para mudar o mundo. Numa semana onde acontecerão conversas de gente graúda em Copenhagem para discutir as mudanças climáticas no mundo, eu resolvi colaborar de um jeito caipira: coloquei um balde no box do chuveiro para aproveitar a agua que cai enquanto o banho esquenta e usar esta água na descarga do vaso sanitário. Uma verdadeira bobagem. Mas eu me sinto feliz fazendo essa solitária economia de água testemunhado apenas pelos azulejos do banheiro.

E na Cozinha do Tintim senti a mesma felicidade entre jovens e adultos numa dança de gestos, risos, ovos, batatas, conversas, farinha, tomates e maças. Diversidade de gente e de sabores. Encontrei as coisas que eu imagino ter no mundo dos meus sonhos. Cooperação, alegria e movimento. E a forma espontânea e livre de participar do acontecer das coisas, com mínimas instruções de um Chef e uma clara orientação do para onde ir foi o bastante para sentir uma alegria silenciosa. E parece que ela circulou entre todos nós.

Traduzimos de modo natural o cuidar do grande cuidando do pequeno em cada gesto na cozinha. E talvez cuidar do mundo possa ser cuidar de cada pequeno pedaço desse mundo, cuidar de cada pessoa que pertence ao nosso mundo e de cada interação que temos com as coisas do mundo. Água, batata ou gente.

Agora e sempre um brinde pela saúde do nosso mundo: TINTIM!!

José Bueno

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Ciclocidade, bicicletada e maratona

Deve ser algum trígono poderoso entre Mercúrio, Júpiter e Marte ...

Na sexta feira participei da fundação da Ciclocidade, uma associação de ciclistas urbanos em São Paulo. Daqui para frente não seremos apenas ciclistas, apaixonados ou ativistas por um cidade mais limpa e com menos carros. A representatividade de uma associação organizada de modo formal foi um passo importante. Me senti orgulhoso em estar lá aprovando a ata de fundação como um dos 100 sócio-fundadores presentes. Esperando o que? Associe-se também: www.ciclocidade.com.br




by Mathias

Mais fotos de Edugreen @ Flickr: http://www.flickr.com/photos/edugreen/sets/72157622880465680/show/with/4135512685/

Na sexta me juntei ao grupo que faz Bicicletada, ou movimento Massa Crítica, como quiser. Cheguei na Praça do ciclista onde é feita a largada na companhia dos meus bike-padrinhos: o João Paulo e a Evelyn, duas figuras adoráveis que fizeram este ano a travessia Berlin-Copenhagem na pedalada. 800 km em 10 dias. Já começa a me dar vontade de pensar num roteiro para fazer no ano que vem. Por hora é pedalar muito e conhecer os roteiros aqui no Brasil e na Europa. JP, Evelyn e eu pedalamos juntos de Pinheiros até a esquina da av. Paulista com a rua da Consolação. Exatamente na hora da largada caiu um temporal e aguardamos parar a chuva para largar. Umas 200 pessoas talvez. O ponto alto foi cerca de uma hora depois: a invasão do Shopping Vila Olimpia, recentemente inaugurado com centenas de vagas para carros e ... sem bicicletário. De repente, estavamos todos no estacionamento vazio do shopping cercados de seguranças que se perguntavam: quem é o responsável por esta zona? A resposta era fácil: aquele ali de bicicleta. Logo fomos embora sem tirar nenhum pedaço e com uma sensação de missão cumprida. Valeu a noite.







No domingo, provocado pelo Pablo sai de casa de manhã para pedalar com o grupo que todo domingo se encontra na FNAC. Choveu muito pela manhã e ainda garoava quando sai de casa. Mas às 9h30 o clima tava perfeito e lá fui eu. Sem o Pablo. Durante o trajeto que durou 42km (nunca havia imaginado pedalar tanto...) entendi o slogan estampado nas camisetas amarelas desta tribo: vai quem quer, volta quem pode! Yes, I can!!!!! Na segunda eu tava moído e até o maxilar doía. Mas hoje é terça e está tudo bem. Especialmente as costas e a bunda.

Osvaldo Stella e Jarbas Agnelli

Foi um privilégio passar 12 horas debaixo de um toró de coisas legais durante o TEDxSP. E sou muito grato a todos que fizeram a idéia de um mundo melhor parecer algo tão perto e tão possível durante cada minuto naquele dia.

Ache uns minutinhos para assistir estes dois videos do TEDxSP.

Para mim, entre pessoas fantásticas, estes dois dão o tom do que aconteceu. Pouco a pouco os vídeos com cada uma das palestras está chegando e é só acompanhar por lá: http://www.tedxsaopaulo.com.br

Espero que curta.

TEDxSP 2009 - Osvaldo Stella from TEDxSP on Vimeo.



TEDxSP 2009 - Jarbas Agnelli: "Birds on the Wires", uma música e sua história from TEDxSP on Vimeo.



Quando eu tinha 14 anos aconteceram duas coisas interessantes. Descobri uma escola de Yoga, o Instituto Narayama e comecei a frequentar a ECA para assistir peças de teatro na EAD onde minha irmã se formou atriz. Isso foi em 1974. Não acompanhei meus amigos do colégio e tomei gosto por teatro, política estudantil, asanas e meditação, vi o Lula parar fábricas no ABC, corri da cavalaria da polícia durante manifestações estudantis e era uma emoção forte acompanhar leituras dramáticas de textos proibidos que tinham palavrão! Pode? Me sinto alguem do século retrasado falando estas coisas mas é verdade. Meu pai tentou me recuperar me oferecendo uma viagem para Disney! Já não tinha mais volta. Queria mesmo era ir para India!!! Nem preciso dizer que não fui nem para Disney, nem para India ... e comecei a sonhar com um mundo diferente do mundo que me ofereciam.

Me formei arquiteto na USP e lá passei os cinco anos pesquisando o adobe, a taipa, as construções tradicionais em arcos e abóbodas, processos e materias construtivos alternativos. Era uma fantasia de estudante que não tinha nada a ver com a arquitetura que se pensava no Brasil. Veja só... Me afastei das pranchetas e tomei o caminho da educação pelo corpo. Me tornei professor da arte Aikido. Fiz do corpo minha linguagem para falar da possibilidade de harmonia em qualquer conflito. Abri um Dojo tradicional e fora do tatame levo para cantos diversos a filosofia e a visão do Aikido.

Fazer parte do TEDxSP e acompanhar cada conversa, cada história e perceber que hoje há uma grande rede de pessoas diferentes, criativas e visionárias me deu uma sensação de conforto imensa. O TEDxSP pareceu uma convenção de pessoas estranhas, relatando o quanto valeu a pena remar para um lado diferente. Se uma multidão navega sem questionar para um único lado isto não significa que navegam para o melhor lado. Talvez estejam todas indo para um grande abismo. Encontrar um time de pessoas corajosas, atrevidas, persistentes e criativas foi um prazer enorme e criou uma rara sensação de pertencimento. Sinto que valeu a pena olhar desde cedo para um outro lado e o TEDxSP revelou que são muitos olhos e corações olhando para este mundo melhor, mais saudável, mais cooperativo, mais sustentável e mais amoroso.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Setembro sem Carro na TV

Aqui está o resultado final da reportagem exibida em 22/09, Dia Mundial sem Carro, na TV Bandeirantes. Espero que gostem.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

United & Gol

Eu não conhecia esta história até assistir estes videos hoje. Já existem muitos outros videos e centenas de comentários e entrevistas com Dave Carroll sobre sua atitude frente à indiferença de uma companhia aérea com seu violão quebrado..

E é isso o que me interessa por aqui. Este movimento que vai além de reclamar e resulta numa ação. Dá muito mais trabalho, exige tempo, ensaio, dedicação, talento, etc.

Gosto de colecionar essas histórias, escritas, ouvidas ou filmadas, como esta de Dave que trata de um jeito criativo de se indignar. No caso de Dave, uma resposta a um tipo de tratamento que conhecemos bem aqui no Brasil.

Neste final de semana estive em Recife para participar do primeiro seminário de Aikido com Luis Gentil na capital pernambucana. Eu parti do Aeroporto Internacional de Guarulhos e ele do Aeroporto Tom Jobim no Rio de Janeiro.

Ambos com passagens compradas pela Gol.

Logo cedo ele me ligou do aeroporto dizendo que não havia reserva alguma em seu nome para o vôo 1798 para Recife. Uma passagem comprada em agosto!Alguns telefonemas e logo descobrimos que "alguém" havia cancelado seu bilhete no dia posterior a compra numa atitude clara de fraude.

A equipe do Aiki-PE não teve outra alternativa senão comprar novo bilhete pela TAM uma vez que a GOL não localizou a reserva e sua passagem sairia duas vezes mais cara que pela concorrente. Domingo ao voltar, novamente a GOL não localizou a reserva e novo bilhete pela TAM foi comprado para garantir sua volta ao Rio de Janeiro.

Nesta segunda-feira os amigos pernambucanos darão início a ações para obter da GOL o ressarcimento das passagens compradas em duplicidade.

A compra da passagens originais foi feita pela internet e pagas com cartão de crédito. Alguma fraude aconteceu e desde já estou curioso em saber como esta história vai se desenrolar.

A solução de Dave para seu problema com o descaso da United foi genial.

Que outras maneiras criativas podemos criar para responder ao descaso, à omissão, ao abuso no trânsito, à corrupção, ao pouco caso com pedestres, etc?



quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Aprender a morrer

A experiência de deixar o carro na garagem em setembro e achar outros jeitos de me mover na cidade, abriu uma avenida de descobertas. Tenho muita coisa para contar e o que me falta é tempo para organizar tudo que ganhou uma clareza maior para mim.

Antes de tudo quero falar de dessa coisa que parece tão simples: mudar um hábito. Deixar o carro na garagem me levou a mexer em outras coisas, por exemplo, o jeito de me vestir. Acessórios que não usava nunca como capa, guarda-chuva, mochila e o chapéu que ganhei da Mariana no meu ultimo aniversário. E passei a usar botas impermeáveis. Visitas ao site do SPTrans para estudar o trajeto e uma espiada no site do Climatempo passaram a ser fundamentais para planejar o dia. Ouvi uma pérola sobre o tempo maluco desta cidade: se você não gosta do clima em São Paulo, espere 15 minutos ...

Quando saio de bicicleta, e isso acontece normalmente às segundas e quartas, o traje é outro. Short almofadado, luvas, capacete, tenis e novamente a mochila onde guardo uma capa de chuva, uma cueca, uma camiseta e um desodorante. Também carrego meu bloco de rabiscos e anotações, uma camera digital e um livro leve.

Para circular a pé, de ônibus ou de bicicleta, o corpo tem que estar em cima. São Paulo tem ladeiras, escadarias, buracos na rua e na calçada, os pontos de onibus não estão na porta da casa nem no lugar exato do destino e deixar o carro de lado envolve ter fôlego e pernas. Para chegar em casa no alto do Butantã eu encaro ou a ladeira ou a escadaria. Já me peguei algumas vezes botando a bike no ombro para subir os 100 degraus da Vila Indiana. Ficar sem carro ajuda a saber como anda a saúde. Logo o corpo avisa como estão os joelhos, a coluna, o coração, os pulmões e a circulação. Acredito que ser sustentável - palavra da hora e fácil de encontrar por aí- começa em cuidar do próprio corpo.

Sem carro encontrei pessoas e lugares nunca vistos, muito mais que os buracos e barulhos da cidade. Isto para mim seria motivo suficiente para deixar para sempre o carro na garagem. Carro demais cega, ensurdece e isola. Entre muitas histórias de encontros e descobertas pela cidade, ontem, num intervalo de duas horas, cruzei com duas pessoas que não via há muito tempo, Thales Trigo e José Passarinho. O primeiro foi meu professor de ótica no cursinho e hoje é dono de uma escola de fotografia em Pinheiros. O segundo, contemporaneo da época da FAU, hoje é consultor da Positioning e conhecido do público em geral pela sua presença em peças publicitárias do Itaú. Encontrei os dois andando de bicicleta por Pinheiros e foram duas conversas diferentes. Uma breve, a outra longa e inspiradora. Na porta da Fnac, conversei com Passarinho sobre várias coisas entre elas minha experiência como blogueiro desde maio deste ano. Terminei o papo encorajado a seguir escrevendo a despeito de achar que ninguém lê o que escrevo. Sério. Tenho a sensação de estar jogando garrafas ao mar ... alguém ai tá lendo?



E o que isso tudo tem a ver com aprender a morrer?

Volto aos insights do Setembro sem Carro. Deixar um hábito é morrer um pouco. E acho que a dificuldade de mudar um hábito pessoal ou social é porque se requer a capacidade de saber morrer. Simples assim: é difícil mudar por que mudar é morrer. Ninguém gosta de morrer, de deixar de lado coisas que fizeram parte de uma vida. Todo mundo fala das mudanças necessárias para uma vida melhor, para uma cidade melhor, para um mundo melhor. Mas quem aceita mesmo o jogo de morrer um pouco? Quem topa deixar na estrada um velho hábito? E quem disse que morrer para um hábito será um sofrimento. Que tal prazer? Um prazer associado a sensação de liberdade e independência.

Quero continuar esse jogo de brincar de morrer um pouco todo dia. Mexer com hábitos como um exercício lúdico de desapego. Uma auto-provocação para procurar outras formas para atender minhas necessidades de comer, mover, relacionar, aprender, divertir, etc. Quem sabe um grande treino para desapego final?

E se subir escadas fosse mais divertido que pegar a escada rolante?


Começo a desenhar um novo jogo: no beef, no beer, no bread. Dois meses deixando de lado três coisas que adoro: carne, cerveja e pão. Simplesmente um jogo de liberdade. Um amigo já reagiu dizendo: No fun? Ao contrário! Lots of fun. No belly!!!! Quero continuar a subir escadas, correr e pedalar, seguir minha pratica de Aikido e chegar aos 50 anos leve. E não vou deixar de comer outras carnes como frango, porco e peixe. Elegi a carne vermelha depois de saber que 1 kg de carne consome 14.000 litros de água para serem produzidos, que a Amazônia esta virando um imenso pasto, que a quantidade de bois ultrapassa o numero de gente no Brasil e que o gás metano do nosso gado polui mais que o CO2 dos carros. E vou deixar as cervejas de lado mas não os vinhos. Deixarei os pães mas não as massas. No fundo a pergunta é: como seria passar dois meses sem estas três coisas? Deliberadamente e com prazer.

Anos atrás participei de uma experiencia única chamada Kyol Che: sete dias de retiro de silêncio. Vaca amarela total! Alguns me disseram: - Ah, se eu fizer isso eu fico louco! Ao voltar minha percepção era bem diferente: fazer isso de vez em quando é uma ótima maneira de não ficar louco ...

Logo trago mais detalhes do novo jogo.
No beef, no beer, no bread. 1º de novembro à 31 de dezembro.

Alguém topa vir comigo?

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Permacultura

Escrevo do Terminal Rodoviário do Tiete depois de alguns dias sem escrever por aqui. Estou a caminho de Joanópolis para passar quatro dias aprendendo sobre permacultura. Sempre fui super urbano desde minha infância nas ruas de Copacabana. Vão ser dias de natureza para recarregar a bateria.

Quero trazer fotos e histórias de lá e compartilhar por aqui. E na volta escrevo sobre o balanço final de Setembro sem Carro e adianto que meu carro continua na garagem. Na verdade foi parar na oficina para uma geral. A bicicleta entrou na minha rotina e quero também escrever sobre a reunião no Palacio dos Bandeirantes onde ouvimos o projeto do governo para ciclovias nas marginais.

Muito em breve trarei também notícias frescas sobre o projeto Tintim que tem nova reunião marcada para o dia 18/10, domingo à tarde, no HUB em São Paulo. É o segundo encontro para avançar a co-criação de uma jornada de educação para a vida: arte, comunicação, ética, humor, consciência, diversidade, coragem e outras coisas mais que fazem real diferença num processo de formação. Aguardem!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Ciclovia na Marginal Pinheiros


IMG 02bFonte: Fundação Aron Birmann

Uma discussão está sendo retomada sobre uma possível ciclovia na Marginal Pinheiros. Logo mais, às 14h30, haverá uma reunião no Palácio dos Bandeirantes onde o governo apresentará um projeto de ciclovia na Marginal Pinheiros, aproveitando a faixa já existente na margem próxima ao trilho do trem. [Eu vou].

Em 2006, um projeto foi elaborado pela Fundação Aron Birmann e entregue à gestão doPomar Urbano (antigo Projeto Pomar). A proposta inicial do projeto de 2006 era de criar um circuito, chamado Circuito dos Parques, com 22 km de extensão, formando um parque linear, integrado ao Pomar Urbano. Este circuito previa a conexão com outras ciclovias, por exemplo, a ciclovia da Avenida Faria Lima. Considerando os 10 km (in)existentes da ciclovia na Faria Lima, o circuito completo seria de 34 km*. Os acessos à ciclovia no projeto foram previstos nos seguintes pontos (vejam os pontos no mapa): Parque Vila Lobos, USP, Shopping Morumbi, Parque Burle Marx e Shopping SP Market. Também estava contemplado a integração às passarelas de três estações da CPTM: Santo Amaro, Pinheiros e Cidade Jardim.


O valor estimado para este projeto, incluindo as obras de interligações e gerenciamento, é de 19,5 milhões de reais, com prazo estimado de 12 meses para a finalização da obra da ciclovia.

Segue alguns arquivos sobre o projeto:

- Apresentação de trabalho de alunos de Gestão Ambiental da USP sobre a ciclovia
- Mapa original da ciclovia
(Fundação Aron Birmann, 2006)

Agora vamos ver qual é a nova versão deste projeto pelo Governo Serra. Fica aí o convite:

Reunião sobre ciclovia na Marginal Pinheiros
Quando: Segunda-feira, 5 de outubro, às 14h30
Onde: Palácio dos Bandeirantes – Av. Morumbi 4500 – Sala de Imprensa – 2º andar

Outros links:

- Projeto no site da Fundação Aron Birmann
-
Texto: “A Ciclovia da Marginal Pinheiros, finalmente” (André Pasqualini)
- Notícia: “Ciclovia na Marginal vai ficar pronta em fevereiro” (Jornal Destak no portal do Nossa SP)
- Notícia: “Marginal Pinheiros, em São Paulo, terá ciclovia de 22 quilômetros de extensão” (iG)
- Vídeo: “Ciclovia do rio Pinheiros” (Renata Falzoni)



FONTE: http://ecourbana.wordpress.com/2009/10/04/proposta-de-ciclovia-na-marginal-pinheiros/#comment-1317

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Setembro sem carro - dia 22

Você sabe que dia é hoje? Com essa frase eu fazia o primeiro contato com motoristas desconfiados que passavam de carro pela Av. Paulista. Pois é, fui visitar a esquina onde o Movimento Nossa São Paulo montou uma tenda para divulgar o Dia Mundial sem Carro provocando o pensar sobre mobilidade urbana na cidade. Assim que cheguei encontrei Oded Grajew panfletando, o Mauricio Broinisi e a Luanda Nera que me ofereceu duas camisetas do DMSC, uma para Daia e outra para mim. Percebi que a panfletagem estava sendo feita nas calçadas para pedestres que transitavam pela avenida mais famosa de São Paulo. Perguntei se alguem estava distribuindo folhetos para motoristas e ouvi que a maioria estava de vidros fechados por conta da chuva que caia no meio da tarde. Como quando cheguei a chuva tinha dado uma pausa, arrisquei pegar alguns folhetos e panfletar no canteiro central da Av. Paulista. Fiquei lá entre 16h e 18h, com folhetos na mão e usando uma máscara para encarar a fumaça entre os carros que não é pouca não. No fim da noite, durante o treino de Aikido, respirava com alguma dificuldade e é claro que tem alguma relação com as duas horas passadas no meio dos carros.


17h00 - na av. Paulista em frente ao Conjunto Nacional

Você sabe que dia é hoje? Era o mote para me aproximar com o logo do Dia Mundial sem Carro estampado na camiseta. Muitos não queriam conversa alguma com um careca mascarado. Devia ser uma imagem meio assustadora. Outros logo percebiam que era uma aproximação inofensiva e abriam seus vidros e seus sorrisos. Quando percebia que o motorista relaxava ao saber que eu não era um vendedor nem um assaltante eu engatava uma segunda pergunta: Você acha que dá para passar um dia por ano sem carro? Essa pergunta ajudava a apresentar a idéia central do DMSC: deixar o carro na garagem por um dia. Houve muitas interações legais, gente consciente, gente respeitosa e também gente travada. Bem travada. No fundo, o dia de hoje foi um dia que ajudou a trazer um pouco de luz sobre o uso racional do carro na cidade como parte da solução de um problema tão complexo. Algumas pessoas, homens e mulheres, mostravam-se tão fechados nos seus carros e por alguns instantes eu me senti como o limpador de vidros, o vendedor de chiclete, o malabarista do farol que a maioria não dá a menor pelota. Pessoas que simplesmente não querem ser incomodadas por nada e ninguém. Querem apenas chegar ao lugar para que se dirigem sem serem interrompidas. Imagino que estas pessoas devam ser assim também em elevadores. Deve ser uma experiencia perturbadora por longos segundos: ver, ouvir e sentir pessoas estranhas tão perto. Será que as pessoas relaxariam se houvesse um Dia Mundial sem Medo?

Ecotaxi movido a pedaladas

Biocombustivel

Ele cantava na avenida enquanto eu panfletava

Dia Mundial sem Carro - Oded Grajew

No Dia Mundial Sem Carro, 22 de setembro, diversas atividades (programação no site www.nossasaopaulo.org.br) visam chamar a atenção da sociedade sobre os graves problemas causados pelo modelo de mobilidade adotado nas cidades que privilegiam o transporte individual e o automóvel.
Nesse modelo, o trânsito das grandes e médias cidades brasileiras ocupa um tempo precioso de todos os que nelas vivem, estudam e trabalham -o paulistano desperdiça, em média, duas horas e 43 minutos todos os dias nos congestionamentos. Tempo que poderia ser usado para o lazer, a cultura, para namorar, para estar com amigos e familiares.
Não bastasse todo esse tempo perdido, ainda ficamos expostos a um trânsito totalmente poluído, causando tumores e inúmeras doenças respiratórias e cardiovasculares. Estudos da Faculdade de Medicina da USP apontam que, apenas na cidade de São Paulo, morrem, em média, 12 pessoas por dia devido à poluição, encurtando a vida média do paulistano em um ano e meio.
Além do custo em vidas, os impactos operacionais e financeiros no sistema de saúde causados pela poluição são imensos. No mesmo sentido, é importante lembrar que o setor de transportes é responsável por 15% dos gases que causam o aquecimento global e a mudança climática.
O diesel e a gasolina consumidos no Brasil estão entre os piores do mundo, e a indústria automobilística fabrica motores menos poluentes apenas para exportação. Apesar disso, tramita no Congresso um projeto de lei que permite a comercialização no Brasil de carros leves a diesel.
Com a qualidade atual do diesel brasileiro (contendo altíssima quantidade de enxofre) e a tecnologia dos motores que a indústria automobilística utiliza no Brasil, a aprovação dessa lei resultaria na morte adicional de milhares de brasileiros por ano.
A inspeção veicular, obrigação dos governos estaduais e dos grandes municípios, ainda está muito longe de cumprir seu papel.
Nos acidentes de trânsito, morrem cerca de quatro pessoas por dia na cidade de São Paulo -44% pedestres, 18% motociclistas, 9% passageiros ou motoristas de autos e 3% ciclistas.
Nos últimos cinco anos, o Departamento Nacional de Trânsito teve à disposição R$ 415 milhões (provenientes das multas) para investir em projetos de redução de acidentes. Só R$ 5,3 milhões foram repassados!
Estudo da FGV calcula que a cidade de São Paulo deixa de gerar R$ 26,8 bilhões por ano devido à perda de tempo nos congestionamentos e aos custos totais ligados a acidentes e doenças derivados do trânsito.
Muitos fatores alimentam esses números sinistros. Nosso modelo de desenvolvimento urbano promove enorme desigualdade social, que obriga milhões de pessoas a se locomoverem por grandes distâncias para ter acesso ao trabalho e aos serviços e equipamentos públicos. Vivemos, cada vez mais, um modelo de mobilidade e transporte que oferece todos os incentivos possíveis para a locomoção por meio do automóvel.
Enquanto isso, os investimentos em transporte público coletivo continuam se arrastando lentamente.
Bilhões de reais que poderiam melhorar imediatamente o transporte público são gastos em túneis, novas pistas e avenidas que em pouco tempo estarão entupidas (são 800 novos carros por dia nas ruas de São Paulo!).
O governo federal promove incentivos fiscais e creditícios para a indústria automobilística sem a contrapartida de motores menos poluentes e matriz energética mais limpa.
Para mudar esse quadro, não faltam exemplos e propostas: dar prioridade absoluta para metrô, trens e corredores de ônibus; estabelecer políticas para facilitar e incentivar a locomoção por bicicletas; melhorar a qualidade do diesel e da gasolina e incrementar o uso de combustíveis mais limpos; comercializar no Brasil automóveis, ônibus e caminhões com a mesma tecnologia menos poluente que a indústria automobilística utiliza na Europa e nos EUA; oferecer segurança para o pedestre, calçadas de boa qualidade, acessibilidade universal para os deficientes físicos, rigor nas leis de trânsito e programas de educação cidadã; implementar inspeção veicular em toda a frota automobilística; redimensionar os investimentos públicos para diminuir a desigualdade social e regional na oferta de trabalho e no acesso a equipamentos e serviços públicos para diminuir a necessidade de deslocamentos.
Cabe à sociedade convencer os governos a priorizar, acima de localizados e poderosos interesses econômicos, a qualidade de vida dos cidadãos.

ODED GRAJEW , 65, empresário, é um dos integrantes do Movimento Nossa São Paulo e membro do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. É idealizador do Fórum Social Mundial e idealizador e ex-presidente da Fundação Abrinq. Foi assessor especial do presidente da República (2003).


FONTE: Jornal A Folha de São Paulo 20/09/2009

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

20/09 - Domingo em São Paulo


Recentemente a cidade do Rio de Janeiro foi eleita a cidade mais feliz do mundo segundo uma pesquisa realizada pelo instituto GfK Custom Research North America e pelo consultor Simon Anholt, que reuniu as respostas de dez mil pessoas em mais de 20 países. O Rio de Janeiro bateu outras cidades como Sidney, Barcelona, Amsterdam, Roma, Paris, Sao Francisco (EUA), Madri, Melbourne e Buenos Aires.

São Paulo não tem a exuberância e alegria do Rio mas tem muito mais coisas além de fumaça, engarrafamento e stress. Domingo de manhã participei com outras 30.000 pessoas da 17a. Maratona de Revezamento do Pão de Açucar. Às 7h em ponto estava no Obelisco do Ibirapuera para fazer a largada da equipe Forresters: Maren, Vitor, Rosana, Cassio, Fabio, Gustavo, Kinha e eu. Foram 6.396,63 m corridos por dentro do Parque Ibirapuera e pela av. Ruben Berta até a av. Indianópolis. A entrega da munhequeira com o chip para a Maren - que foi a segunda corredora- aconteceu na altura da rua Borges Lagoa. Entrei como titular nessa equipe na última hora e adorei. Substituí a Camila que não participou por problemas no joelho. Ano que vem tem mais.

De tarde ganhei uma carona da Daia para participar de uma oficina de desenho artístico no SESC Pompéia. Para variar, mais uma vez falo do meu amor pelo SESC. Nada mais paulistano, mais urbano, mais civilizado e acessível. Ao chegar na grande sala a modelo Silvia já estava posando para umas 20 pessoas sentadas em mesas ao redor dela. Alguns estavam acomodados em almofadas no chão. Cada um com seus lápis, pinceis e crayons. No intervalo entre uma postura e outra, me acomodei no chão e abri minha pasta com papeis e canetas. Foram duas horas de desenhos breves pois cada postura variava de 2 a 3 minutos. As ultimas posturas foram mais longas, ou seja, 5 a 10 min. Ao final todos puderam apreciar o trabalho uns dos outros e foi incrível ver como uma mesma realidade torna-se diferente nas mãos de pessoas diferentes.
Adorei desenhar o nú artístico e a companhia de Antonio Goper com seus traços inconfundíveis. Melhor de tudo perceber que Daia - depois de alguns minutos assistindo a liturgia silenciosa do desenhar de todos - aceitou o convite do Paulo, coordenador da oficina, para se juntar a nós.








sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Setembro sem carro - dia 18

Hoje cedo a Band TV me acompanhou desde cedo registrando imagens para uma matéria especial sobre o Dia Mundial sem Carro - 22 de setembro. Algumas pessoas tem comentado que não tem nada de mais andar a pé pela cidade e muitos fazem isso há muito tempo. É verdade. Que não tem nada de mais pegar metro, andar de bicicleta e outros muitos fazem isso também há muito tempo. Concordo. Outro comentário anônimo mas legítimo questionou se tudo isso não é puro marketing. Também concordo. Logo pode aparecer alguém dizendo que não usar o carro é um jeito de chamar a atenção. Claro que é. Chamar a atenção para um novo comportamento. Buscar outras maneiras de se locomover por São Paulo durante um mês e escrever sobre isso faz bem antes de tudo para mim mesmo. Não defendo nenhuma causa ambiental e não pretendo pregar que todos devam abandonar seus carros na garagem. Mas talvez alguém se anime. Talvez alguém se arrisque a jogar o jogo de buscar outros meios de se deslocar pela cidade. Eu me considero uma pessoa atenta, interessada pelo desenvolvimento integral do ser humano, pela qualidade das relações entre as pessoas, por arte e educação, por questões de sustentabilidade e exercício da cidadania e levei 30 anos para me dar conta que não dá para continuar a pensar o uso do carro como sempre pensei! Estou falando da cegueira de uma pessoa que se deu conta que era absolutamente viciada em usar o carro. Sinto que estou deixando o carro de lado como quem se livra de uma dependência. Se São Paulo se beneficiar com isso, ótimo! Por hora a única certeza é que estou me sentindo mais livre e mais feliz. E isso é bom.